quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sesc Amazônia das Artes – Um show de talentos regionais em Porto Velho




Bado e Bando - No Quintal (RO)
A arte em um sentido amplo apresenta-se através de diversas formas como, a plástica, música, escultura, cinema, teatro, dança, arquitetura entre outras. O Sesc Rondônia vem apresentando na última semana um circuito de shows envolvendo música,dança,teatro em seus mais variados estilos que não fica nada a dever aos grandes espetáculos dos grandes centros do país,porém a falta de valorização da população local e da mídia em eventos como este é marcante e chama a atenção do pequeno grupo que frequenta esse tipo de evento e, a pergunta que não quer calar é: Por que não há divulgação suficiente para que o povo frequente,tendo em vista tratar-se de grandes espetáculos em horários acessíveis e de forma gratuita? 


Grupo Afrôs (MA)
O SESC é um caldeirão de cultura fervilhante e, o que se percebe são muitas pessoas dizendo que aqui não há eventos culturais, mas quando há, a chamada “elite” da cultura não se predispõe a prestigiar e nem a divulgar talentos que passam por aqui.Ou será que “cultura” em Porto Velho é somente “Flor-do-Maracujá”,”Expovel” e “carnaval fora de época” ? A arte não se restringe somente a isso,pois além de ser representada pelas formas mais populares,elas representam diferentes culturas e, é preciso que esse conhecimento chegue ao povo.Podemos citar por exemplo a participação do Grupo Inoromô do Maranhão que contou com a plateia da Escola João Bento trazendo uma energia contagiante num espetáculo indescritível e,que pelo entusiasmo da plateia se percebe como o desconhecimento faz com que não participem frequentemente desses eventos,porém observa-se que uma semente foi plantada e que muitos dos que ali estavam participarão mais ativamente dos próximos eventos.


Outro que fez um show foi o show arrebatador foi  Bado e Bando na abertura do evento dia 20/05. Além de ser um dos grandes talentos da terra o mesmo trouxe um show “No Quintal” de primeiríssima qualidade seguido no Domingo pelo Grupo Imbaúba do Amazonas com o Show “Vivo na Floresta”coordenado por Celdo Braga – exímio poeta da Amazônia.A região norte em suas nuances vem participando e mostrando as peculiaridades de sua região de forma fascinante, seja através do teatro,da dança ou da música.

Grupo Imbaúba (AM)


Participantes do Pará (Aldeotas – Lugar de Meórias),Mato Grosso (Tenho Flores nos Pés),do Amapá (O Curupira:um ser inesquecível) ,do Pará (A Onda Encantada), do Piauí (Luando),do Acre (As mulheres de Molière  e Origens) ,de Roraima (Carimbó Electro Seco) e de Tocantis (TO) ,se apresentaram e ainda se apresentarão no decorrer da semana fazendo todo circuito na região norte.O objetivo do SESC é “ difundir a arte que é produzida nesses Estados,arte que sugere reflexões não só sobre sua regionalidade, mas que expandem para o universal,tornando,então, possível o diálogo,troca de conhecimento sobre a arte produzida na Amazônia”.

A partir do dia 22/05 o SESC RONDÔNIA ainda apresentará a Mostra de Documentários no Audicine às 19:00h e entre eles um grande destaque aqui do Estado de Rondônia - BIZARRUS com a direção da grande jornalista Simone Norberto.

Os portovelhenses ainda podem conferir os espetáculos no decorrer desta semana  que ainda prometem encantar o público prestigiando esses grupos talentosos e ricos culturalmente no Sesc Esplanada a partir das 20:00h até o dia 20/05 e a Mostra de documentários do dia 22 a 24/05.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

BADO realiza show “No Quintal” na abertura da Mostra Sesc Amazônia das Artes



O cantor, compositor e instrumentista, Bado, realiza no próximo sábado (10/05) o show musical “No Quintal” na abertura da Mostra Sesc Amazônia das Artes que acontece de 10 a 20 de maio com atrações de todos os estados da região amazônica.

 O projeto desenvolvido pelo Sesc/Rondônia, terá sua abertura no Teatro I, com início previsto para às 20 horas e com entrada gratuita.

O Projeto Sesc Amazônia das Artes está em sua 7ª edição e visa difundir a produção artística dos Estados que compõem a Amazônia Legal. A criatividade, o fazer artístico e a troca de experiência estão explícitos no desenvolvimento do Sesc Amazônia das Artes que sugere reflexões não só sobre sua regionalidade, mas sobre o contexto universal, tornando assim, possível estabelecer diálogo com as produções da Amazônia.

O Show Musical “No Quintal” é formado pelo cantor e compositor, Bado; o guitarrista e violonista, Ronald Vasconcelos; o tecladista e flautista, Eric Botelho; o pianista e contrabaixista, Mauro Araújo e o baterista Junior Lopes. “No Quintal” é uma aproximação da música e da poesia com o universo do compositor recolhido às lembranças de mundos vividos na infância.

Para o instrumentista, o show “No Quintal” aporta-se num lugar onde os mitos e ritos compõem as histórias fincadas no barranco do tempo e do espaço de um povo que vive a cultivar os valores culturais contidos no quintal da Amazônia. “A apresentação deste show revela as travessias da vida, valorizando as lembranças guardadas na memória”, comenta o Compositor.

Histórico
Como uma instituição nacional, de caráter privado, mantida pelo empresariado do comércio de bens, serviços e turismo desde sua criação em 1946, o Sesc promove programas na área cultural que visam colaborar com a capacidade dos indivíduos de agirem e melhorarem a sua condição garantindo o bem estar e qualidade de vida, incentivando e difundindo a produção cultural. Confira a programação:

PROGRAMAÇÃO

10/05     " N0 QUINTAL "  -    BADO E BANDO    -  MÚSICA   (RO)
11/05     " VIVO NA FLORESTA " -     GRUPO INBAÚBA   -  MÚSICA  (AM)
12/05     TEATRO      "ALDEOTAS :  Um lugar de memórias"  -  GRUTA DE TEATRO (PA)
13/05     "TENHO FLÔRES NOS PÉS"  -   COMADANÇA  (MT)
14/05      "INOROMÔ"   -    GRUPO AFRÔS    - MÚSICA (MA)
15/05      "O CURUPIRA : Umser inesquecível"     -    TEATRO  (RO)
16/05      "A ONDA ENCANTDA"  -  TATI BENONE E YASH LUNA   -  DANÇA (PA)
17/05     "LUANDO"    -   JOSUÉ COSTA      -  MÚSICA  (PI)
18/05     "AS MULHERES DE MOLIÈRE" - Cia. Visse e Versa de Ação Cênica - TEATRO (AC)
19/05     "CARIMBÓ ELETRO SECO"  - BEN CHARLES E LOS THE OS  -  MÚSICA  (RR)
20/05     "ORIGENS "     -      NÓIS DA CASA   -    DANÇA  (AC)

Vale a pena Conferir!!!

Fonte: Edgar Melo


quarta-feira, 12 de março de 2014

PRESIDENTE OU PRESIDENTA - INFORMAR-SE É PRECISO...


LER E ESTUDAR UMA GRAMÁTICA NORMATIVA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM - A PALAVRA "PRESIDENTA " ESTÁ CORRETA E SE TENS PREGUIÇA DE SE INFORMAR BASTA ABRIR O DICIONÁRIO AURÉLIO QUE LÁ ESTÁ E,SEMPRE FOI ADMITIDO ESSA FORMA POR GRANDES GRAMÁTICOS DA LÍNGUA PORTUGUESA(VIDE BIOGRAFIA ABAIXO),MESMO ANTES DA SRA. DILMA ASSUMIR A PRESIDÊNCIA.
"1) Observa Domingos Paschoal Cegalla que presidenta "é a forma dicionarizada ecorreta, ao lado de presidente". Exs.:
a) "A presidenta da Nicarágua fez um pronunciamento à nação";
b) "A presidente das Filipinas pediu o apoio do povo para o seu governo".8
2) Para Arnaldo Niskier, "o feminino de presidente é presidenta, mas pode-se também usar a presidenta, que é a forma utilizada em diversos jornais".
3) Sousa e Silva não vê desdouro algum nem incorreção lingüística em se dizer presidenta para o feminino.
4) E transcreve tal gramático o posicionamento de Sá Nunes, para quem, ao se deixar de flexionar tal vocábulo, "não pode haver contra-senso maior: contra a Gramática e contra o gênero da Língua Portuguesa", uma vez que "o substantivo que designa o cargo deve concordar em gênero com a pessoa que exerce a função. Sempre foi assim, e assim tem de ser".
5) Continuando na exposição de seu próprio entendimento, complementa Sousa e Silva que, na esteira dos nomes terminados em ente – e que são comuns aos dois gêneros – tanto se pode dizer a presidente como a presidenta.10
6) Cândido de Oliveira, após lecionar que "os nomes terminados em ente são comuns de dois gêneros", acrescenta textualmente que "é de lei, assim para o funcionalismo federal como estadual, e de acordo com o bom senso gramatical, que nomes designativos de cargos e funções tenham flexão: uma forma para o masculino, outra para o feminin"; e, em seu exemplário, ao masculino presidente contrapõe ele o feminino presidenta.11
7) Ao lado de presidente – que dá como substantivo comum-de-dois gêneros – registra a palavra presidenta como um substantivo feminino o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que é o veículo oficial para dirimir dúvidas acerca da existência ou não de vocábulos em nosso idioma,12 o que implica dizer que seu uso está plena e oficialmente autorizado entre nós. Pode-se dizer, portanto, a presidente ou a presidenta.
 Elis de Almeida Cardoso é doutora em letras e professora de língua portuguesa na USP e diz o seguinte:
"A categoria gramatical de gênero frequentemente é confundida com a noção de sexo. Cumpre lembrar que são noções distintas. O sexo é o conjunto das características que diferenciam o macho da fêmea; o gênero, em gramática, é uma categoria que distingue, em português, um nome masculino de um nome feminino, seja esse nome referente a um ser sexuado ou não.
As gramáticas, em relação à categorização do gênero, de uma maneira geral, acabam não sendo muito elucidativas, a ponto de dizerem simplesmente que são masculinos os nomes a que se pode antepor o artigo o - o livro, o telefone, o relógio - e são femininos os nomes a que se pode antepor o artigo a - a mesa, a cama, a pulseira.

Após a leitura dessa definição, a pergunta que se pode fazer é por que determinado substantivo é masculino e outro feminino? Qual a regra? "Sofá" é masculino (o sofá). Será que isso ocorre pelo fato de ele ser maior e mais pesado do que "a poltrona", substantivo feminino? Claro que se percebe, na verdade, que a distinção de gênero não é, e está longe de ser, racional.

Trata-se de uma divisão absolutamente aleatória. Pode-se tentar estabelecer uma normatização, ao se perceber que a maioria dos substantivos terminados em o são masculinos e os terminados em a são femininos. Pense em "o banco" e "a cadeira". Essa é uma verdade, mas sobram os nomes terminados por outras vogais e consoantes. Como explicar, então, o fato de "cabide" ser masculino (o cabide) e "parede" ser feminino (a parede)? Há ainda as exceções (o mapa, a união)... E o estrangeiro sofre, quando deixa "o chave cair na chão", tentando entender o inexplicável.

Pelo fato de a distinção de gênero ser aleatória, ela varia de língua para língua. No alemão, por exemplo, não existem dois, mas três gêneros: masculino, feminino e neutro. No latim também ocorria essa divisão. Em línguas próximas ao português como o francês, o espanhol e o italiano, há diferenças. "O mar", masculino em português, é feminino em francês (la mer), a nossa "ponte" é il ponte em italiano, e "a arte" é palavra masculina em espanhol (el arte).

Classificação questionável
Isso quer dizer que, para aprender a classificar os substantivos de acordo com o gênero, é necessário memorizá-lo, determinando-o com um artigo: o clima, o sol, a lua, o trovão, a tempestade... Esse aprendizado ocorre desde a infância. Ao decorar o nome de um objeto, a criança já caracteriza seu gênero sabendo que seus brinquedos são a bola, o balde, a boneca, o carrinho...

Volto a insistir que a categoria de gênero é uma noção gramatical, que não tem a ver com sexo. Prova-se essa afirmação, verificando-se que "vítima", por exemplo, é um substantivo feminino (a vítima), seja ela um homem ou uma mulher.

Como se não bastasse a dificuldade de caracterização em que o uso acaba se pautando mesmo na tradição, as gramáticas normativas, seguindo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, apresentam uma classificação bastante questionável, falando em substantivos epicenos, sobrecomuns e comuns de dois. Além disso, percebe-se que muitos manuais falam em correspondência entre masculino e feminino por heteronímia (homem/mulher) ou sufixação (galo/galinha). Na verdade, muitos nomes que pouco esclarecem.

Categorias
Aceita a questão da aleatoriedade do gênero, resta perceber que, em português, há, por um lado, substantivos na língua que são sempre masculinos (livro, sofá) e substantivos que são sempre femininos (mesa, cadeira). Por outro lado, há pares de substantivos em que se verifica para uma forma masculina, uma forma feminina correspondente.

Para facilitar a compreensão de como ocorre a categorização de gênero em português e evitar nomes desnecessários, analisemos os pares: o gato/ a gata; o homem/ a mulher; o galo/ a galinha; o tatu (macho)/ o tatu (fêmea); o estudante/ a estudante.

No primeiro caso, o par gato/gata mostra o processo de flexão de gênero. O o final de "gato" dá lugar ao a de "gata", mantendo-se o mesmo radical. Pode-se dizer que são formas diferentes da mesma palavra marcadas pela oposição o/a. O mesmo ocorre com menino/menina, lobo/loba. Em autor/autora, peru/perua, a oposição se dá entre um vazio que marca o masculino (autor + Ø) e o aque marca o feminino (autor + a). Não deixa de ser um caso de flexão.

No segundo caso, as duas palavras, "homem" e "mulher" apenas se correlacionam semanticamente. Dizer que "mulher" é o feminino de "homem" é confundir flexão de gênero com um processo de analogia semântica entre duas palavras da língua. Nesse caso não há flexão e pode-se dizer que "homem" é uma palavra de gênero masculino e "mulher" uma palavra de gênero feminino.

Sufixos correspondentes
Observando o par galo/galinha vê-se que a correspondência ocorre pela sufixação. À forma masculina "galo" foi acrescentado o sufixo -inha para formar-se "galinha". Também aqui não se pode falar em flexão, pois uma palavra foi formada a partir de outra, uma é derivada da outra. A correspondência entre a palavra masculina "galo" e a feminina "galinha" ocorre por derivação.

Em o tatu macho/ o tatu fêmea, percebe-se pelo uso do artigo que "tatu" é uma palavra masculina que não sofre flexão de gênero. O mesmo ocorre com "jacaré".

O último par (o estudante/ a estudante) mostra que a oposição masculino/feminino se dá apenas pela variação do determinante (artigo). O mesmo ocorre com "dentista" e "repórter". Também não há flexão. Parece que, nesse caso, isso é evidente, uma vez que a forma da palavra (estudante) sequer variou.

O problema maior é estabelecer até que ponto os substantivos devem ser comuns de dois gêneros e até que ponto devem sofrer a flexão de gênero. Percebe-se, principalmente no que diz respeito aos nomes que denominam profissões ou cargos, que há uma necessidade de marcar o feminino.

Essa necessidade surge do uso. Como até há pouco tempo a mulher exercia poucas profissões, esses problemas não apareciam na língua, mas à medida que a mulher foi entrando no mercado de trabalho surgiram necessidades e as primeiras confusões.

São comuns de dois os substantivos "assistente" (o assistente/ a assistente), "estudante" (o estudante/ a estudante), mas já se aceita a flexão em "presidente" (o presidente/ a presidenta). Se "presidenta" não causa mais estranhamento, o que dizer das formas dicionarizadas "oficiala" e "sargenta"? O feminino de "cabo" seria, então, "caba"? Isso acaba com qualquer um. Mesmo porque certos femininos soam como pejorativos. "Chefa" é um bom exemplo.

Tipos de substantivos
Por que todo esse problema? Porque parece ser necessário associar gênero feminino a sexo feminino.
Confusões maiores surgem quando as formas femininas são idênticas aos nomes das ciências ou disciplinas. O músico/ a música, o químico/ a química, o gramático/ a gramática. "Música", "química", "gramática" são mulheres? Confuso, não é? Apela-se então para a sufixação: o músico, a musicista. Parece artificial? Cecília Meireles queria ser chamada de "poeta" e não de "poetisa"...  "
Então caros jovens, educadores,críticos em alguns blogs que tem criticado o fato da Sra. Dilma querer ser chamada de "Presidenta" e, continuam enviando o tipo de mensagem no final desta ,atentem para o que dizem os grandes entendedores da Língua Portuguesa e leiam um pouco mais,pois informação nunca é demais.

 Lembre-se também que o Dicionário Aurélio traz de forma clara o feminino de presidente como "presidenta", então vamos repassar a mensagem de forma correta, pois PRESIDENTA  está certíssimo e quem tiver dúvida consulte as gramáticas abaixo e estudem um pouco mais antes de sair assassinando a gramática por aí, só para criticar a presidenta.(Uma informação: não votei na Dilma e não estou defendendo-a,estou apenas passando a informação constante nas gramáticas quanto ao uso da palavra "presidenta")


Cf. CUNHA, Celso. Gramática Moderna. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S/A, 1970. p. 96.
 2Cf.RIBIERO, João. Gramática Portuguesa. 20. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1923. p. 158. 
3Cf.BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 19. ed., segunda reimpressão. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. p. 84.
 .NASCENTES, Antenor. O Idioma Nacional. 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942. vol. II., p. 60
 5Cf.SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática. São Paulo: Editora Moderna, 1979. p. 32.
 6Cf.BARRETO, Mário. Fatos da Língua Portuguesa.2. ed. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1954. p. 188
.7Cf. OLIVEIRA, Édison de. Todo o Mundo Tem Dúvida, Inclusive Você. Edição sem data. Porto Alegre: Gráfica e Editora do Professor Gaúcho Ltda. P. 158
.8Cf. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 330.
 9Cf.NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 58.
 10Cf. SILVA, A. M. de Sousa e. Dificuldades Sintáticas e Flexionais. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1958. p. 307. 
11Cf.OLIVEIRA, Cândido de. Revisão Gramatical. 10. ed. São Paulo: Editora Luzir, 1961. p. 133-134. 
12Cf. Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 4. ed., 2004. Rio de Janeiro: Imprinta. p. 644.

sábado, 1 de março de 2014

Saramago (1922- 2010)



Imagem: google.com
 Há quase quatro anos morria José Saramago, um dos maiores escritores de todos os tempos. Ele ficou conhecido pelo estilo próprio de texto, além de ser o primeiro escritor da língua portuguesa a ser agraciado com o Prêmio Nobel.Também ganhou, em 1995, o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Língua Portuguesa. Nasceu na aldeia de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. e Faleceu hoje dia 18 de junho de 2010

"Uma das características mais marcantes da criação romanesca do escritor português José Saramago é a reconstituição da oralidade em sua escrita. Como ponto de partida, podemos tomar um raciocínio do próprio Saramago, para quem as características de sua técnica narrativa 

"...provêm de um princípio básico segundo o qual todo o dito se destina a ser ouvido. Quero com isso significar que é como narrador oral que me vejo quando escrevo e que as palavras são por mim escritas tanto para serem lidas como para serem ouvidas. Ora, o narrador oral não usa pontuação, fala como se estivesse a compor música e usa os mesmos elementos que o músico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou longas, outras" (SARAMAGO, Cadernos de Lanzarote, 1997: 223).

A narrativa do escritor português reafirma a importância da voz dos excluídos e marginalizados para o entendimento humano. Porém, muito mais do que um mero recurso estilístico, trata-se de um projeto bem sucedido de recuperação da cultura popular na literatura.

A obra de Saramago é constituída por quatro elementos fundamentais:
1.a dúvida do homem moderno, diante do desafio de assumir uma posição crítica sobre o passado e, ao mesmo tempo, aprender com ele;
2.a introdução dos elementos fantásticos na narrativa, sem se distanciar do mundo real;
3.a tentativa de criar uma nova linguagem ao alterar a expressão gráfica e a pontuação, respeitando a sintaxe da narrativa comum;
4.por último, a viagem não só no mundo real, mas também no interior do Homem por meio da imaginação.

Com esses elementos - o tempo, o sobrenatural, a torrencialidade da narrativa e a viagem - os livros procuram a utopia por meio de alusões alegóricas, críticas e éticas.
Saramago busca a harmonia entre a realidade e a imaginação por meio de trabalhos que unem os planos expressivos da fala, do pensamento e da escrita. Para compreender suas obras, é importante atentar para essa relação de quase simbiose entre o narrador e a matéria narrada, o discurso interior e as tensões internas do discurso narrativo. O que se percebe facilmente em seus romances é o espírito renovador e experimental, e a criação de um estilo muito pessoal, solto e torrencial.

A escrita do autor português é marcada pelo uso de apenas vírgula e ponto final, não distinguindo discursos diretos e indiretos. O texto exige uma atenção especial dos leitores, dando-lhes a impressão de estarem envolvidos diretamente com o mundo real e, ao mesmo tempo, fictício.

Para além do elaborado trabalho de linguagem, Saramago aborda profundamente os problemas de Portugal e da identidade do povo lusitano. Além de apresentar o rumo que o país deve seguir e sua visão do mundo, o escritor procura a identidade do homem perdida na sociedade moderna.
Enfim, a grandeza das obras de escritor português reside no esforço de evocar a História e a identidade da 'pátria perdida', juntamente com a procura de uma nova linguagem literária."


Saramago ficou conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases ( orações) ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil, os seus leitores habituam-se facilmente ao seu ritmo próprio.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PARA COMEÇAR O ANO TERCEIRÃO 2014!

Vocês que estão entrando no Terceirão 2014 comecem a refletir antes de chegar em sala se esses 11 anos de escola antes de chegar aqui os levou a uma aprendizagem realmente coerente,pois é preciso que tenhas plena consciência do que quer para conseguir os objetivos planejados para 2014.Então,comece a ler e refletir  com o texto de Alessandro Eloy abaixo.

ESTUDAR É UM DEVER, NÃO UM DIREIT0

                                         por Alessandro Eloy Braga*

Até onde entendo, a aprendizagem só acontece, verdadeiramente, quando o indivíduo entra em um processo de reflexão pessoal sobre as coisas, sobre as informações que adquiriu, para depois construir momentos de discussão com seus próximos, para uma troca de visões e opiniões, para, novamente, entrar em processo de reflexão pessoal. As informações que o aluno precisa adquirir estão aí, na vida, no dia-a-dia das experiências. As informações estão nos livros, importantíssimos canais de aquisição destas informações e de proposição de discussões. 

Assim, para iniciar o processo de aprendizagem, o aluno precisa observar o mundo e, principalmente, LER MUITO. Ler muito não necessariamente significa ler uma grande quantidade de livros. Significa, antes de tudo, ler (no sentido de perceber os significantes impressos no livro e construir na mente seus significados) uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes e quantas forem necessárias para construir uma idéia sobre o que foi lido. LER MUITO é LER BEM. Contudo, este contato inicial com o livro e com o mundo é apenas o momento de aquisição de informações. É preciso, depois, discutir as impressões e as opiniões iniciais formadas neste processo de aquisição consigo, com o próximo, com o colega de turma e, principalmente, com os pais e com os professores. 

Todavia, aqui está o primeiro grande problema da educação brasileira: os alunos NÃO QUEREM LER e, por conseguinte, não querem estudar. Os alunos TÊM PREGUIÇA DE LER. Os alunos preferem ler os resumos dos livros (quando há) em livrinhos didáticos de qualidade duvidosa do que ler a obra completa. Os alunos preferem assistir ao filme do livro (quando há) do que ler a obra completa. Os alunos fazem de tudo para fugir de sua RESPONSABILIDADE de leitor do mundo. Não se preocupam se não estão aprendendo, mas se preocupam se terão nota ao final do processo letivo. Contudo, como ter nota sem estudar e aprender?

LER É UM PROCESSO SOFRIDO, que obriga o leitor a passar horas sentado em algum lugar, parado, concentrando-se em um objeto que não é dinâmico - como são a televisão ou o cinema ou a Internet -, que têm palavras que ele desconhece e que trata de uma história que, à primeira vista, não tem uma aplicabilidade prática em sua vida. Da mesma forma, como é difícil para o aluno, "coitado", ter que ficar horas sentado em uma sala, ouvindo um professor em um processo que também não é dinâmico ou divertido como a televisão e o futebol de rua ou o video game.
Como sofre o nosso "pobre aluno", vítima da maldade do processo educacional. É assim que pensam muitos especialistas de nossa educação e transmitem esses pensamentos em seus livros, belos livros lidos por centenas de pedagogos e pela mídia e o Estado que teimam em depositar no professor e na escola a culpa e a responsabilidade pela má formação de nossos alunos.

Mas, se é o aluno que conversa em sala de aula; se é o aluno que tem preguiça de estudar em casa; se é o aluno que tem preguiça e desinteresse em fazer as atividades propostas pelo professor; se é o aluno que não lê os livros indicados pelos professores; se é o aluno que troca uma hora de estudo por três horas no shopping ou uma madrugada inteira em um chat ou blog idiota na Internet; se é o aluno que leva seu celular ou sei iPOD para a sala e fica jogando e escutando música durante as aulas; se o Estado não dá subsídios para que os mais pobres possam dedicar-se aos estudos e não ao trabalho infantil; se o Estado não constrói escolas com infra-estrutura adequada e com certa agradabilidade; se o ensino superior brasileiro e os cursos de formação de professores estão deficitários no que diz respeito a carga horária e disciplinas, a culpa é do professor e da escola que não estão desempenhando sua função como deveriam? Se são os pais que não acompanham o desenvolvimento de seus filhos na escola; se são o pais que não assumem para a si a responsabilidade e tarefa social de impor a seus filhos o dever social de se dedicar à educação; se são os pais que compram os celulares, os video games, os computadores, a Internet, os joguinhos eletrônicos, que dão o dinheiro para o shopping; se são os pais que colocam seus filhos para trabalhar ainda crianças; se são os pais que não ensinam limites comportamentais a seus filhos e valores morais básicos, é a escola e os professores que não estão desempenhando suas funções? Se são os especialistas da educação que dizem que o aluno é um cliente, que ele deve ter prazer ao ir para a escola, que o professor e a escola devem fazer de tudo para que ele atinja este "êxtase" escolar; se são estes especialistas que falam que o professor deve ser um "facilitador" do processo ensino-aprendizagem; se são eles que dizem que a escola deve adaptar-se às mudanças sociais e aos desejos dos alunos, contribuindo, assim, com este discurso para o desgaste da imagem da escola e dos professores diante da sociedade, são os professores e a escola que não estão desempenhando seus papéis como deveriam? Se o Estado não paga salários que condizem com a importância do professor para construção da sociedade, haja vista que um funcionário concursado do Senado ou de um tribunal qualquer, com nível médio, ganha três vezes mais que um professor com mestrado e duas vezes mais que um professor com doutorado nas redes públicas de ensino básico e superior, a culpa pela má educação e desvalorização do processo educacional no Brasil é da escola e dos professores? Quem define estes valores? É um servidor de cafezinho no Senado mais importante que um Professor para a sociedade?
Os pais perguntam a seus filhos se eles querem andar vestidos ou nus? Os pais perguntam a seus filhos se eles querem ou não tomar banho todos os dias? Os pais perguntam a seus filhos se eles querem ou não escovar os dentes três vezes ao dia? Os pais perguntam a seus filhos se eles querem ou não se alimentar? Os pais perguntam a seus filhos se eles querem ou não usar drogas, ou consumir álcool, ou fumar? Perguntam se eles querem ou não matar alguém, queimar dinheiro? Os filhos podem interferir nestas decisões? Não. Porque são necessidades sociais e pessoais básicas, que precisam ser exercidas e desempenhadas sejam elas prazerosas ou não, elas precisam ser feitas. São imposições feitas pela sociedade e pela convivência humana e que não podem ser decididas ou colocadas à escolha da criança ou do adolescente. O filho, nestes casos, também é um cliente dos pais e que precisa ter suas vontades satisfeitas? Não. A Educação também precisa ser vista pelos pais, pelo Estado e pelos alunos como uma necessidade, ou melhor, uma obrigação social e pessoal básica.
            A escola não é uma loja de shopping. A escola não é um parque de diversões. O professor não é um vendedor, não é missionário, não é mendigo - para mendigar a atenção dos alunos em sala de aula -, não é pai, mãe e nem babá. O professor não é um palhaço ou um mestre de cerimônias. O professor é um profissional. A escola, não é espaço de diversão ou de prazeres, ela é um local para onde se vai para aprender coisas que são OBRIGATORIAMENTE NECESSÁRIAS SOCIAL E INDIVIDUALMENTE aos indivíduos, para que eles desempenhem seu papel de cidadão e ser humano com a responsabilidade e a ética que a sociedade deveria esperar deles. O ALUNO NÃO TEM ESCOLHA, ELE PRECISA ESTUDAR E APRENDER, assim como ele precisa tomar banho, escovar os dentes, não matar o próximo, não consumir drogas, não beber, não fumar. Porque é preciso ter em mente que educar-se deve ser uma responsabilidade do cidadão perante a sociedade. Por que é nosso dever com o Estado pagar impostos, mas estudar é apenas um direito? ESTUDAR É UM DEVER, NÃO UM DIREITO, como equivocadamente e erroneamente afirma a nossa própria Constituição Federal, porque o bem estar da sociedade depende, diretamente, da qualidade da educação que oferecemos e construímos.
A educação não é nem deve ser um processo prazeroso apenas, como querem muitos. A educação é um processo sofrido, porque exige dedicação, comprometimento, trabalho, horas de estudo, esforço, concentração, responsabilidade, é abdicar do lazer para pensar sobre os problemas sociais e individuais, é atitude. Estas coisas não são prazerosas.
O Professor é alguém que tem obrigação de ser ouvido por seus alunos e pela sociedade naquilo que diz respeito à sua especialidade de formação. Porque ele é um formador de opiniões, alguém que estudou para ter algo significativo a dizer. Contudo, preferimos ouvir "abobrinhas" de um apresentador de televisão ou de um cantor da moda.
            E ainda há os que têm coragem de afirmar que "a escola deve adaptar-se às mudanças sociais", que "a escola está muito distante da realidade". Se a escola for se espelhar nas mudanças contínuas da sociedade ou correr atrás da realidade para compor seus conteúdos, objetivos e identidade, ela pode fechar suas portas, porque vai perder seu sentido de existência. A escola, assim como as Igrejas, tem o fundamental e importantíssimo papel de realizar a manutenção de valores éticos e morais imprescindíveis ao ser humano e que foram construídos durante centenas de anos de história e reflexão sobre a humanidade por filósofos, sociólogos, teólogos e cientistas que despenderam anos e anos de um sacrifício pessoal para construir um conhecimento valoroso para a humanidade. Seria como pedir ao Papa que a Igreja se torne a favor do aborto e da poligamia. Ela poderia fechar suas portas se assim o fizesse, porque perderia seus princípios básicos e a sua função formadora.
O princípio básico da escola é discutir a realidade de forma séria, demorada, madura e autônoma. É dever da escola, assim como das Igrejas, manter a sobriedade, a consciência e os valores essenciais da humanidade, propondo mudanças quando necessário e mantendo padrões quando também necessário e não correr atrás dos modismos fúteis e efêmeros de uma sociedade cada vez mais mergulhada na lama de um materialismo vazio, do tecnicismo, de um progresso tem como fim o hedonismo fútil, que teima em querer afirmar a escola como local apenas de prazeres. Se assim for, deixemos a educação para ser feita pelos parques de diversão, shoppings e televisão. Afinal, para que escola e para que professores, questionam-se atualmente nossos alunos, se temos a Internet e a televisão? Para que sofrer estudando e lendo e pesquisando e ouvindo as asneiras de um professor se os rappers e MCs e faustões e axés e forrós e trances e outras drogas, químicas ou não, tem muito mais a dizer e são mais prazerosas?
Precisamos é mudar a pergunta que os pedagogos erroneamente têm feito. Não devemos mais nos perguntar "O professor está ensinando e o aluno aprendendo?". Precisamos nos perguntar: "O aluno está estudando?".
Se ser professor não vale à pena, como insistem em falar presidentes da república e a sociedade em geral - o que justifica as licenciaturas serem cursos preenchidos, em sua maioria, praticamente por pessoas de classes média e baixa (por causa se sua baixíssima remuneração e reconhecimento social) e oferecidos, principalmente, em faculdades particulares (muitas delas com qualidade duvidosa), enquanto os ricos inundam as universidades públicas em cursos caríssimos como Direito, Publicidade, Engenharia e Medicina -, então fechemos de vez os cursos de formação de professores e vamos ver no que vai dar esta nossa já ignorante e cega sociedade.
É certo que os rumos da educação estão ligados àquilo que a sociedade quer para si. Se esta mesma sociedade quer futilidade, hedonismo, superficialidade, amoralidade, violência, corrupção e miséria, então nossa escola está no caminho certo. Contudo, se ainda há alguém que deseja uma sociedade intelectualmente e emocionalmente madura, com valores, ética, responsabilidade, respeito, paz, então já passou da hora de mudar os rumos deste nosso decadente e já falido processo educacional, assumindo cada um a sua responsabilidade pelo triste quadro posto, principalmente a família, o Estado e o aluno.

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* Licenciado em Letras, Mestre em Educação, Coordenador do Curso de Letras da Faculdade Jesus Maria José (FAJESU) em Brasília-DF e Professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.