quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BRASIL, REPÚBLICA HISTÓRIA E CORRUPÇÃO.



EMMANOEL GOMES, PROFESSOR, HISTORIADOR, MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS DE VILHENA

É difícil acreditar, mais o Brasil já viveu períodos onde a corrupção era mais presente, até porque era oficializada, sempre tivemos problemas com a forma corrupta, calhorda, desigual e injusta de se governar. Hoje, temos a sensação de que todos sejam corruptos e cremos na impossibilidade de exterminar com característica tão nojenta e nefasta.
O leitor tem todo o direito de duvidar sobre essa afirmação, porém, gostaria encarecidamente de justificar tal afirmativa.
Devemos lembrar que as poucas conquistas sociais são recentes em nossa história, lembramos que há pouco mais de cem anos vivíamos um vergonhoso regime de escravidão, parte da economia acumulada por muitos grupos presentes ainda hoje, se construíram, mercê da exploração do comércio de pessoas.
Direitos e leis para o trabalhador, escola pública, hospital público e voto para as mulheres somente surgiram há pouco mais de sessenta anos com o governo Vargas em 1934. O estado repassava tudo que era produzido para a elite agrária nacional.
Trinta e cinco anos no passado, a grande maioria da população era analfabeta de pai e mãe e morava na roça.
Frente a esse panorama fático, fica evidente, que o Estado não era fiscalizado, voltando-se absolutamente, para os interesses elitistas. Algo em torno de um por cento da população se beneficiava utilizando o Estado Nacional como seu.
Saímos de uma condição na qual o “povo” era nada, para uma condição em que o “povo” é quase nada. Tal situação demonstra, mesmo minimamente, que houve tênues mudanças.
À medida que as pessoas vão conquistando a civilidade e cidadania os instrumentos de fiscalização e controle se revelam mais atuantes.
Para entendermos o Brasil, gostaria de convidar o leitor para refletir a respeito de uma realidade muitas vezes oculta construída em nossa história e que pouquíssimas pessoas são capazes de enxergar.
Quando ocorreu a independência dos Estados Unidos da América, o discurso do seu primeiro presidente George Washington era taxativo em relação ao modelo de Estado que nascia ali, no momento da independência.
Ele afirmou: O Estado que nasce hoje, nasce com o objetivo de liderar o mundo na política, economia e cultura. Seremos mais fortes se o Estado que surge agora, existir para fortalecer seu povo, somente assim seremos líderes do novo mundo que surge com a nossa independência. Quanto mais rico e culto for nosso povo, mais condição terá de liderar o mundo”.
O discurso ecoou e todos os demais Presidentes e líderes seguiram o caminho apontado na origem. Os Estados Unidos se transformaram na potência que conhecemos. O Estado, lá, existe para responder aos anseios do povo que ele representa.
Na independência do Brasil, o nosso patrono, José Bonifácio de Andrada ao lado de duas dúzias de latifundiários e escravocratas, mais nosso Imperador “português” Don Pedro I, juntos lançaram um modelo de Estado afirmando: “Hoje sete de setembro de 1822, nasce o Estado Independente do Brasil, mais poderosos seremos nós, proprietários de terras e escravos se dominarmos e explorarmos profundamente nosso povo. Mantemos a escravidão, mantemos o latifúndio, mantemos o povo distante das decisões políticas”.

O Brasil transformou-se na “republica das bananas” e o Estado existe unicamente para concentrar renda explorando como se tornando um eficiente parasita em nossas vidas, existimos, cidadãos brasileiros, para alimentar esse monstro criador de desigualdades sociais.
Todos os governantes posteriores, desde a camarilha de nosso patrono José Bonifácio e Pedro I, até nossa “Presidente” Dilma, aplicaram a teoria presente naquele momento, teoria responsável pelo terrível abismo social brasileiro existente.
Somos o povo que mais paga impostos no mundo, e em contrapartida nos oferecem os piores serviços públicos. Pagam-se salários astronômicos para políticos e para os altos cargos governamentais, em detrimento de um salário mínimo miserável para os demais.
Acredito que após esta breve explanação, poderemos compreender melhor o problema da corrupção no Brasil.
Rondônia, novamente ocupa as páginas policiais de todo o Brasil e de algumas partes do planeta, em função da nefasta quadrilha instalada na Assembléia Legislativa Estadual.
Um triste esquema de criminalidade salta dos porões e guetos de nossa principal instituição política e se apresenta escandalizando àqueles poucos que ainda são capazes de se indignar.
Acompanhando as reações, as mais diversas possíveis, me pergunto se podemos crer num processo que seja capaz de dar respostas a tão terrível mal, gerador de tantas desgraças sociais em nosso país.
Reflito sobre algumas manifestações textuais, como a do professor Nazareno, sua inteligente ironia e sarcasmo. Reconheço que o autor não desiste e traça um caminho interessante, uma luta da negação de tudo o que está estabelecido, um grito de desconforto e de tristeza que tem minha sincera simpatia.
O Nazareno, professor como poucos, é alguém que não se acovarda ou se entrega, militante de uma trincheira ingrata, a trincheira em prol da sabedoria, dos valores morais, da Educação, das Artes e da Cultura. Combate ingrato, pois vivemos no país do Créu, da Lapada na Rachada, do Faustão e do Big Brother Brasil. País, em que igrejas, todas, presumivelmente, voltadas aos compromissos sociais e espirituais, se enriquecem como se fossem bancos.
 Não nos damos conta de que essas balbúrdias alimentam a miséria social em que estamos envolvidos.
Luta dolorida para os combatentes do degredo cultural, pois as manifestações que prostituem aquilo que possui algum valor moral e cultural neste país encontraram abrigo, guarida dentro das escolas, universidades e faculdades do Brasil.
Se as instituições que foram criadas com o objetivo de possibilitar a vazão e assimilação do justo aprendizado (saber, ciência, pesquisa, educação, cultura, etc) revelam-se, hoje, invadidas por manifestações tão contraditórias à sua existência e objetivos. Então: o que podemos esperar do nosso futuro e do futuro dos nossos próprios descendentes? O que podemos fazer...
Primeiro, acredito que o estado de coisas pode ser transformado. Alguns eventos históricos são prova da incrível capacidade da qual somos dotados. Somos capazes de criar e transformar as sociedades, aliás, a sociedade em que vivemos é resultado do nosso esforço humano. Se é ruim é, simplesmente, resultado de nossas ações.
Li, recentemente, um artigo desabafo da Professora Fátima Cleide, Professora que, a certa altura, transformou-se em Senadora.
Pude conviver por um curtíssimo período ao seu lado nos idos de 1989 e 1990, quando a Fátima era uma jovem Professora e militante do Partido dos Trabalhadores.
Não posso dizer que seja próximo ou mesmo seu amigo, porém, despossuído de qualquer sentimento ou desejo que não seja o de contribuir com as reflexões, gostaria de afirmar que a professora e ex-Senadora Fátima Cleide é uma grande vítima, assim como todos nós, do grande circo ideológico criado pela esquerda após a ditadura militar.
O problema é que a condição de Senadora e Professora, ao mesmo tempo, lhe ofereceu condições para promover transformações, e sinceramente, não vimos em sua atuação uma postura revolucionária. A Senadora/Professora carrega um partido que estranhamente se enquadrou à realidade de outros partidos políticos e colabora significativamente com as páginas policiais dos últimos dez anos. Veja o caso da Presidente Estadual do PT, que teve seus bens bloqueados pela justiça em função das evidências de participação no esquema criminoso do homem “bonitão”, exemplo, até ontem, de bom homem, severo guardião da palavra de Deus.
Insisto na idéia de que todo esse oceano se relaciona com o desmonte da educação brasileira nos últimos trinta anos. 
 A crença de que nada prestava no período de ditadura militar, fez com que todos nós: Professores, Advogados, Médicos, Estudantes, Operários, Sindicalistas, Artistas, entre outros, atuássemos na destruição de tudo que estivesse relacionado ao trágico período histórico.
Fomos tão competentes no desmonte da ditadura militar que acabamos com tudo, inclusive com os valores existentes à época e que hoje tanto defendemos. Respeito, Ética, Ordem, Moralidade, Justiça, foram parar na mais profunda e imunda sarjeta social em nosso tempo. 
A ex-senadora, ressentida com a generalização, “todo político é corrupto” não entendeu ainda, que o sistema do qual ela e todos nós somos inseridos é desigual, opressor e corrupto.
Um Estado que entende que o trabalhador em educação com nível superior, atuando em uma escola estadual, deve viver com um salário de mil e trezentos reais, um professor primário com míseros seiscentos reais, e que o salário mínimo seja de quinhentos e quarenta e cinco reais e ao mesmo tempo aceita os ganhos astronômicos dos mandatários em todas as áreas e esfera de poder é no mínimo ingênuo.
Segundo a instituição “Transparência Brasil”, um dos organismos mais sérios deste país, com grande divulgação da rede globo de televisão, um Senador ou Senadora da República do Brasil custa em média por ano, dez milhões e quinhentos mil reais para os pobres pagadores de impostos.
O custo de cada Deputado Federal, segundo o mesmo estudo, chaga a mais de seis milhões e quinhentos mil reais ao ano e a farra patriótica tem continuidade nas Assembléias Legislativas, Câmara de Vereadores, Judiciário, Executivo etc.
Não tenhamos dúvidas, todos os dias esse quadro se agrava, pois as escolas públicas e privadas, em todos os níveis, com seus conteúdos inúteis e a completa ausência na cobrança de comportamentos éticos e morais, mais a profunda ausência de políticas públicas na área de cultura, esporte e arte, são o carro chefe desse desmantelo. 
Meus amigos, o desmonte histórico dos valores ocorridos pós-ditadura militar e com o apoio da grande massa de dirigentes sindicais, professores, artistas. ...  Nós mesmos, eu, o Nazareno a Fátima Cleide, o Chico Buarque de Holanda, o Alberto Lins Caldas, o Januário, o Roberto Sobrinho, a turma do PMDB, PSDB, PDT.
Fomos autores coadjuvantes, sem dar-nos conta, do nascimento e crescimento do monstro que nos assombra: a sociedade deformada que temos que nos envolve e tentamos combater. A ignorância gerada com o desmonte dos valores humanos gerou essa profunda e perturbadora ausência de reflexão crítica e inteligência que poderia e pode reverter lentamente tão lamentável condição.
A ignorância é mãe, pai e avó de todos os males existentes, a escola existente em nosso país é infelizmente um instrumento a serviço da manutenção desse atraso.
Dominó, Termópilas, Anões do Orçamento, Valérioduto, Sangue Suga, Mensalão, Mensalinho, e tantos outros milhares de escândalos, são componentes existentes nos dois lados da mesma moeda presente em nosso “modelo” de sociedade.
 São pontas minúsculas da realidade monstruosa existente. Não existe outro caminho que não seja o de reversão imediata das práticas educacionais cotidianas nesse pobre, rico país de bananas podres, chamado Brasil...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FALANDO DE BOSSA NOVA

Bossa Nova é um subgênero musical derivado do samba e com forte influência do jazz estadunidense, surgido no final da década de 1950 no Rio de Janeiro. De início, o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba naquela época, ou seja, a uma reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano. Com o passar dos anos, a Bossa Nova tornar-se-ia um dos movimentos mais influentes da história da música popular brasileira, conhecido em todo o mundo e, especialmente, associado a João Gilberto, Nara Leão, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim, Baden Powell e Luiz Bonfá.


Movimento musical ocorrido no Brasil nos primeiros anos da década de 60. A Bossa Nova foi responsável pela fusão de ritmos brasileiros com algum sotaque da música de jazz norte-americana, sobretudo no que se refere ao sotaque das inovações harmônicas e utilização de alguns instrumentos presentes neste gênero musical.

Apesar dessa fusão musical, a Bossa Nova deu nova expressão sobretudo à grande riqueza da musicalidade brasileira, com suas canções versando sobre temas, sejam amorosos sejam sociais, voltados à maneira brasileira de viver. Teve entre seus principais tutores o compositor Antônio Carlos Jobim, e o maior intérprete e divulgador da bossa no exterior foi João Gilberto.
 
Nos anos 1940, o samba-canção já era uma alternativa para o samba tradicional, batucado, quadrado. Em sua gênese foram empregados recursos correntes na música erudita europeia e na música popular norte-americana. Já era algo mais sofisticado, praticado por compositores e arranjadores com maior preparo musical e sempre de ouvido aberto para as soluções propostas pela música estrangeira. O jazz, por exemplo, mais tarde permitiria fusões interessantes como o “samba-jazz e o “samba moderno”, com arranjos grandiosos e com base nos instrumentos de sopro. Mas, em termos de poesia e expressividade, o samba-canção tendia a manter seu caráter escuro, sombrio, com muitos elementos que lembravam a atmosfera tensa e pessimista do tango argentino e do bolero, gêneros latinos por excelência.
O samba-canção esteve desde logo ambientado em Copacabana, lugar de vida noturna intensa, boates enfumaçadas, mulheres adultas e fatais envoltas num clima de pecado e traição, enquanto a Bossa Nova ambientou-se mais para o Sul, em Ipanema, além de tornar-se representativa de um público mais jovem, amante do sol e da praia. Nesse ambiente solar, a mulher passou a ser a garota da praia, a namorada. Deu-se um descanso às imagens de “amante proibida e vingativa, com uma navalha na liga. E as letras da Bossa Nova não tinham nada de enfumaçado. Eram uma saga oceânica: a nado, numa prancha ou num barquinho, seus compositores prestaram todas as homenagens possíveis ao mar e ao verão. Esse mar e esse verão eram os de Ipanema” (Castro, 1999, p. 59).

A Bossa Nova levou aos extremos a tendência intimista de cantar sobre temas do cotidiano, sem muita complicação poética. Em vez da negatividade do samba-canção, explorou ao máximo a positividade expressiva e um otimismo sem precedentes. Esse foi o grande traço distintivo entre a Bossa Nova e o samba-canção. O otimismo diante do amor trouxe consigo imagens de paz e estabilidade possibilitadas por relacionamentos amorosos felizes e amores correspondidos, sem as cores patológicas e dramáticas que tanto marcavam os sambas canções. Mesmo a dor, quando ocorria, era encarada como um estágio passageiro, deixando de assumir o antigo caráter terminal.

Em plenos anos 1950, quando nas rádios predominava o derramamento vocal e sentimental, Tom Jobim já buscava um retraimento expressivo pautado por um discurso poético/musical mais sereno, mais em tom de conversa do que de súplica.
Se os mais jovens identificavam-se com essas coisas novas, os mais velhos e tradicionalistas viam-nas com estranheza, sendo compreensível que as descrevessem como canções bobas e ingênuas, não obstante a sofisticação harmônica e rítmica.Então vê-se que o principal traço distintivo da Bossa Nova com relação ao samba-canção foi a exploração da positividade expressiva e um otimismo sem precedentes.Entre os sambas questões temos  o de Herivelto Martins e também de Dolores Duran.
 
"Não falem dessa mulher perto de mim, / Não falem pra
não me lembrar minha dor(Cabelos brancos, de Marino Pinto e Herivelto Martins.)"

"Eu não seria essa mulher que chora / Eu não teria perdido você"
(Castigo, de Dolores Duran.)

Pode-se dizer que   samba-canção e Bossa Nova representaram desenvolvimentos autênticos do samba tradicional, cada qual com temática própria e estrutura melódica e musical distinta.
 
A Bossa Nova em si foi ambientada em Ipanema, foi bem recebida por um público mais jovem com abordagem de temas do cotidiano e com uma maior sofisticação harmônica e rítmica



O Movimento  ficou associado ao crescimento urbano brasileiro - impulsionado pela fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1960) -, a bossa nova iniciou-se para muitos críticos quando foi lançado, em agosto de 1958, um compacto simples do violonista baiano João Gilberto (considerado o papa do movimento), contendo as canções Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor).

Meses antes, João participara de Canção do Amor Demais, um álbum lançado em maio daquele mesmo ano e exclusivamente dedicado às canções da iniciante dupla Tom/Vinicius, interpretado pela cantora fluminense Elizeth Cardoso. De acordo com o escritor Ruy Castro (em seu livro Chega de saudade, de 1990), este LP não foi um sucesso imediato ao ser lançado, mas o disco pode ser considerado um dos marcos da bossa nova, não só por ter trazido algumas das mais clássicas composições do gênero - entre as quais, Luciana, Estrada Branca, Outra Vez e Chega de Saudade-, como também pela célebre batida do violão de João Gilberto, com seus acordes dissonantes e inspirados no jazz norte-americano - influência esta que daria argumentos aos críticos da bossa nova.

Outras das características do movimento eram suas letras que, contrastando com os sucessos de até então, abordavam temáticas leves e descompromissadas - exemplo disto, Meditação, de Tom Jobim e Newton Mendonça. A forma de cantar também se diferenciava da que se tinha na época. Segundo o maestro Júlio Medaglia, "desenvolver-se-ia a prática do canto-falado ou do cantar baixinho, do texto bem pronunciado, do tom coloquial da narrativa musical, do acompanhamento e canto integrando-se mutuamente, em lugar da valorização da 'grande voz'".
Nara Leão, uma das maiores expoentes
da bossa nova

Em 1959, era lançado o primeiro LP de João Gilberto, Chega de saudade, contendo a faixa-título - canção com cerca de 100 regravações feitas por artistas brasileiros e estrangeiros. A partir dali, a bossa nova era uma realidade. Além de João, parte do repertório clássico do movimento deve-se as parcerias de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Consta-se, segundo muitos afirmam, que o espírito bossa-novista já se encontrava na música que Jobim e Moraes fizeram, em 1956, para a peça Orfeu da Conceição, primeira parceria da dupla, que esteve perto de não acontecer, uma vez que Vinícius primeiro entrou em contato com Vadico, o famoso parceiro de Noel Rosa e ex-membro do Bando da Lua, para fazer a trilha sonora. É dessa peça, baseada na tragédia Grega Orfeu, uma das belas composições de Tom e Vinícius, "Se todos fossem iguais a você", já prenunciando os elementos melódicos da Bossa Nova.
Além de Chega de saudade, os dois compuseram Garota de Ipanema, outra representativa canção da bossa nova, que se tornou a canção brasileira mais conhecida em todo o mundo, depois de Aquarela do Brasil (Ary Barroso), com mais de 169 gravações, entre as quais de Sarah Vaughan, Stan Getz, Frank Sinatra (com Tom Jobim), Ella Fitzgerald entre outros. É de Tom Jobim também, junto com Newton Mendonça, as canções Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos primeiros clássicos do novo gênero musical brasileiro a serem gravados no mercado norte-americano a partir de 1960.

Ouça um pouco de Bossa Nova abaixo:




SAMBA CANÇÃO










domingo, 20 de novembro de 2011

JORNAL O ESTADÃO DO NORTE PROMOVE OFICINAS DE COMUNICAÇÃO



A Oficina de Comunicação & Mídia promoverá palestras nos dias 21 e 22 de novembro no auditório do SINDSEF. O tema principal desta edição será “Muralhas da Comunicação”. O evento é uma promoção do jornal “O Estadão do Norte”.
A abertura será nesta segunda feira, às 19 horas, e segundo o idealizador do evento, Zacarias Penna Verde, editor do jornal, foram convidados para o evento, acadêmicos de vários cursos, alunos de escolas, empresários e profissionais de varias áreas.
Este ano foi confirmado palestras ministradas pelos profissionais de comunicação como Sara Xavier, Adércio Dias, Dalton Di Franco, Anísio Gorayeb, Rubens Nascimento, e terá também a participação da delegada Noelle Caroline e do sindicalista Anildo Prado.
As inscrições podem sem feitas gratuitamente através do email oficinaestadaoweb2011@gmail.com


Fonte: Ascom.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CARTA RECEBIDA DE UMA ALUNA DO TERCEIRÃO/2011



Um dia eu desejei ser mais do que eu era,ir além do meu limite, dar o melhor de mim ...e,foi nesse momento que surgiu a oportunidade de fazer o Ensino Médio na Escola João Bento...surgiu e parecia estar dando tudo certo até o momento em que conheci a Escola.Nesse momento – 1º ano – parecia que todos os meus sonhos acabavam de se tornar apenas sonhos e eu me tornei apenas mais uma aluna do João Bento.O ano passou e eu tinha a esperança de que no segundo ano algo mudasse e fosse diferente,mas cada vez mais eu estava tendo a certeza de que o que desejei um dia ficaria mais uma vez só na esperança e a cada dia que passava eu sabia que estava chegando o momento que na minha cabeça seria o pior ano da minha vida, pois a “fera” Soniamar me daria aula. O 3º ano chegou e logo descobri que o meu medo acabava de se concretizar,pois eu estava dentro de uma sala frente a frente com a “fera”,ouvindo que se eu não estudasse não seria capaz de passar no tão sonhado curso universitário,mas isso me fez ter coragem de buscar e de mostrar para a dita “fera” que ela estava errada e decidi prolongar minhas horas de estudo,tudo para mostrar-lhe que eu era diferente,mas logo veio as “bombas” e eu começava a desacreditar de vez nos meus sonhos.Chorei,pensei em desistir e a “fera “ só nos bombardeando e jogando na nossa cara a incapacidade de alcançar a média.Vi vários amigos desistindo,tomando caminhos diferentes e sejmpre pedindo para eu não desistir,para eu não fraquejar e foi aí que decidi que EU era muito mais que isso,que eu era capaz de suportar a pressão...
Ao chegar no final de ano,nos dias de prova do ENEM caí em mim, a “fera” acabara de se tornar a real fera...É...e graças a essa fera na Língua Portuguesa, fera nas cobranças, a professora fera no trabalho que faz,que cheguei até aqui com a certeza de que mais que um terceiro ano eu tive uma família disposta a caminhar comigo,onde quer que eu fosse. HOJE, com toda certeza EU posso falar que a sua missão foi cumprida e que mais do que alunos, você juntamente com toda essa equipe maravilhosa formaram pessoas melhores. Soniamar eu só tenho a agradecer a sua atenção e dedicação e dizer que você é uma das responsáveis pela mudança que tive e pela minha formação como pessoa. Só tenho um pedido a te fazer,:Gostaria que vocês não parassem com esse trabalho tão gratificante e transformador.E tenha a certeza de que quando eu estiver formada, voltarei para mostrar que o seu trabalho e dos demais teve continuidade.
Eis aqui uma filha do TERCEIRÃO grata ao trabalho dedicado de uma grande profissional.
Um grande beijo a “fera” do João Bento... ( aluna B.F – resultado de seu trabalho)



Na data de ontem recebi um ramo de rosa vermelha com margaridas brancas e a carta acima e, mais uma vez não posso deixar de registrar aqui nesse blog o quão importante é , não só para mim como para os demais educadores do Projeto Terceirão receber esse carinho de vocês - nossos alunos. Nestes últimos dias, vários foram os depoimentos e manifestações de carinho de vocês para com nosso trabalho e, isso nos faz tentar e nos dá força para vencer os obstáculos que é a preparação de vocês dentro de uma escola Pública.Tão bom seria se todos os educadores de Escola Pública tivessem esse compromisso e responsabilidade para com a aprendizagem na Escola Pública o que certamente faria uma Educação melhor. Mais uma vez fica a certeza de que podemos sim,fazer muito mais e é muito bom saber que conseguimos participar um pouquinho do sucesso que vocês poderão ter no futuro. Obrigada B.F. ! Vocês serão sempre vencedores por que tem potencial para isso. A Vitória de VOCÊS é a NOSSA vitória diante de um sistema educacional precário no Brasil. Obrigada!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Master,Consultoria e Serviços apresenta NANDO CORDEL no Projeto 5ª Cultural do BASA

Master,Consultotria e Serviços  encerra o ano 2011 trazendo Nando Cordel no Projeto 5ª Cultural do BASA no dia 09/11(quarta-feira) no Teatro I do Sesc, às 19h30.


Nando Cordel, nome artístico de Fernando Manoel Correia  é um cantor, compositor e instrumentista brasileiro.
Tem suas canções gravadas por grandes figuras da música popular brasileira, como Elba Ramalho, que transformou em sucesso sua primeira parceria com Dominguinhos: De Volta pro Aconchego.

Sua fama como compositor é bem maior do que como intérprete. Já teve músicas gravadas por Chico Buarque, Zizi Possi, Fagner, Maria Bethânia, Fábio Jr, Martinho da Vila, Fafá de Belém, Ivete Sangalo e outros. Alguns de seus sucessos são Isso Aqui Tá Bom Demais, com Dominguinhos, Hoje é Dia de Folia, interpretada por Xuxa, e Gostoso Demais.

Como intérprete, já lançou cerca de 25 discos e uma coleção de 12 cds dedicados a músicas para meditação e relaxamento. Segundo ele, essas músicas são um encontro com a paz, a serenidade e a meditação. Com títulos que definem muito bem o que se vai ouvir, a coleção para meditação é composta por músicas instrumentais: Doces Canções, Doce Harmonia, Doce Paz, Doce Luz, Doce Natureza, Dedicado às Flores, Dedicado a Vida, Dedicado à Beleza, Dedicado à Voz e Iluminando a Alma.

Nesta edição, o Banco da Amazônia através do Projeto 5ª Cultural apresenta Nando Cordel com a palestra cantada “A terra é nossa Casa” que tem como objetivo apresentar a carreira, vida e músicas do artista. Nando Cordel falará um pouco sobre seus projetos e cantará trechos de algumas das suas 700 músicas gravadas e que foram sucesso nas vozes de grandes intérpretes da música popular brasileira acima citados.

Histórico
"O Projeto 5ª Cultural iniciou em agosto de 2000 em Belém (PA) e foi uma iniciativa pioneira na Região Norte, estimulando e integrando a prática da solidariedade com incentivo a música, já que cobra como ingresso das apresentações 2kg de alimentos não perecíveis. O Projeto abre espaço para variadas formas de manifestações artísticas, oportunizando a promoção e divulgação de suas produções junto à comunidade. Em Rondônia, o projeto teve início no ano de 2002 criando oportunidades para diversos segmentos culturais e fortalecendo a identidade cultural local. Nesta edição do projeto, o Banco da Amazônia recebe o apoio cultural do Sesc/RO."
 PARTICIPE! SHOW DE PRIMEIRÍSSIMA QUALIDADE!
O ingresso pode ser trocado antecipadamente por 2 kg de alimento não perecível no Banco da Amazônia a partir desta segunda-feira, 07 de novembro.

Fonte: Master,Consultoria e Serviços  (master.c.s@hotmail.com)

domingo, 6 de novembro de 2011

WILLIAM HAVERLY E DISTRITO DE SÃO CARLOS NO PROGRAMA VIVA PORTO VELHO

Os escritores e membros     efetivos da Academia de Letras de Rondônia Viriato Moura e William Haverly estarão no programa Viva Porto Velho deste domingo (06/11). (Fonte: Viva Porto Velho)

O presidente da ACRM - Associação Cultural Rio Madeira, William Haverly Martins será o entrevistado do médico e jornalista Viriato Moura no Programa VIVA PORTO VELHO deste domingo dia 06/11. Autor de várias obras literárias, William que é Membro da Academia de Letras de Rondônia, vai falar sobre as ações da ACRM, e em especial sobre a luta para a restauração do antigo prédio da Ladeira Comendador Centeno, onde funcionou a Prefeitura de Porto Velho e que também abrigou a primeira Câmara de Vereadores.
O economista e jornalista Anísio Gorayeb vai ao Distrito de São Carlos, para mostrar no quadro “Historias da Nossa Terra” como vive sua população. Após um trecho de 65 km de estrada sem asfalto, é necessária uma travessia de barco desde o Rio Jamary até o Rio Madeira. Situado na margem direita do Rio Madeira este pequeno distrito de 1300 habitantes, tem apenas uma escola e um posto de saúde que só recebe médico nos finais de semana.

No quadro Opinião, Viriato Moura vai comentar sobre os serviços prestados pela CAERD – Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia e pela CERON – Centrais Elétricas de Rondônia, e comentará também sobre os preços pagos por estes serviços.
O economista e jornalista Anísio Gorayeb vai mostrar, mesmo com muita chuva, o Distrito de São Carlos no quadro “Historias da Nossa Terra”. (Foto: Ricardo Farias)


O programa apresentará também os quadros: “Momento Esportivo” com Marcos Magalhães e “Seu Direito” com o conceituado advogado Édison Piacentini.
O “VIVA PORTO VELHO” é um programa independente, apresentado por Viriato Moura, com a produção de Ricardo Farias através da New Produtora, e vai ao ar todos os domingos ao meio dia (12h) pela Rede TV canal 17 e pela Via Cabo canal 27.


Fonte: Ascom/Viva Porto Velho.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NÃO FUI AO VELÓRIO E FESTEJEI SUA MORTE


Por: Sá de Freitas

      Muitos poderão me condenar por  confessar ter festejado a morte de alguém, após mandar matá-lo. Contudo, creio que após contar minha desdita não me censurarão. Era ele um cara insuportável, teimoso insistente e mau, que vivia a me perturbar,  tomando posse da minha vontade e da minha maneira de agir, por mais que eu reagisse. Sempre procurou estar perto de mim, desde  a minha adolescência. Toda vez que o sentia se me  aproximando, meu coração disparava, a adrenalina se agitava, a minha alma doía, espécie de tempestade desabava, conturbando-me o íntimo, além de me aconselhar à prática de atos não condizentes  com o bem. Muitas vezes, dominado pela sua vontade, cometi erros que, por pouco não mudaram a minha vida para pior.
     Difícil é descrevê-lo, por ter sido algo monstruoso, medonho, infecto, nauseante, poderoso e quase invencível em sua maldade. Era um câncer, cujas metástases se espalhavam e se fortaleciam cada vez mais. Não dominava somente a mim, pois tentava apoderar-se de todos sem cerimônia. Os mais fortes ignoravam-no, outros se deixavam dominar e outros ainda, travavam com ele terríveis batalhas a fim de o eliminar, mas nada conseguiam. Era tão maléfico e tão convincente, que muitas pessoas morriam nas mãos de seus seguidores. Eu, graças a Deus, nunca cheguei a tanto, a não ser quando mandei alguém acabar com ele.
     Já estava  cansado e resolvi  lutar pela minha liberdade, disposto  a tudo. Precisava matá-lo a qualquer custo. Entretanto, sentia-me impotente diante da sua força e  agilidade . Resolvi procurar alguém que muitos diziam ser assassino eficaz de todos que praticavam  o mal e pedi-lhe ajuda, contratando-o para eliminá-lo. De pronto veio em meu socorro, mas impôs-me a condição de ser ele o dominador da minha vida, o que aceitei sem relutância, por ter alguém me garantido que se tratava de um personagem que somente dava, a quem o aceitasse, bons conselhos. Sábio, seguro e mais poderoso do que o  miserável que me perseguia, começou a grande peleja. Aos poucos foi ganhando terreno, enquanto a tudo eu assistia, procurando fazer a minha parte com os parcos recursos que possuía. Por fim, o velho dominador caiu vencido, estrebuchou-se agonizante e, deu seu último suspiro. Ninguém mais estava ali para destemunhar o assassinato sem ser eu e o contratado.  Depois disso pude, então, encontrar um novo rumo sem  pedir perdão a Deus e sem sentir remorso algum pelo que mandei fazer.
      Não fui ao velório e festejei sua morte sim e, embora sabendo que as suas raízes ainda se estendiam de maneira assustadora por todos os cantos e recantos, resolvi comemorar o aniversário da sua partida, escrevendo-lhe inclusive um epitáfio com os seguintes dizeres:

                                        
                                            Samuel Freitas de Oliveira
                                                   Avaré-SP-Brasil

Que pena que minha mãe e tantas outras não conseguiram vencer essa doença...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DIA "D" - DRUMMOND (1902-1987)


E agora, José?

Se a festa acabou e José não sabia o que fazer, o mesmo não acontecia com Carlos Drummond de Andrade, seguramente um dos maiores poetas brasileiros e da língua portuguesa.
Ele sabia. E bem. E não era só de poesia. Também de prosa. E de amores, inclusive o que escondeu por anos e para quem fez belíssimos poemas de amor.

Nesse dia - 31/10 - , foi instituído o Dia D - Dia de Drummond, quando o Instituto Moreira Salles promoverá diversas atividades em todo país como leitura de poesias em livrarias, museus, exibição de filmes e programas dedicados a autor de A rosa do Povo.

O objetivo  é promover e difundir a sua obra. Para isso, convida parceiros e amigos para comemorar a data, em todo o Brasil, a partir deste ano.A nostalgia do poeta é experimentada pela legião de leitores que até hoje reverenciam sua vasta produção literária, composta de poesia, prosa, crônicas e contos. Homenagens ao poeta ocorrerão em vários pontos do país (infelizmente em Porto Velho nada foi programado).

 Além da programação em alguns estados brasileiros foi desenvolvido um site especial para as festividades. Através do endereço www.diadrummond.com.br, o leitor encontra um mecanismo especial de interatividade.

Em sua página da internet a campanha pede: "Nas escolas, universidades, livrarias, bares, museus, TVs, rádios, centros culturais e mesmo em solidão, não importa onde e como, que todos se lembrem de festejar Drummond e a sua poesia."

Hoje Drummond completaria  109 ano se vivo ainda fosse.
Apesar de ter se formado em farmácia na cidade de Ouro Preto (MG), em 1925, Carlos Drummond sempre teve afinidade com as letras. Fundou com outros escritores ‘A Revista’, que, apesar de vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Em 1954 colaborou como cronista no ‘Correio da Manhã’. A partir de 1969, o futuro poeta começou a escrever para o ‘Jornal do Brasil’.

Entre suas obras principais destacam-se: ‘Alguma poesia’ (1930) e ‘Brejo das alma’s (1934). Em ‘Sentimento do mundo’ (1940), em ‘José’ (1942) e sobretudo em ‘A rosa do povo’ (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo.

Leia Drummond, você vai amá-lo...

Poema de sete faces


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
 
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
 
 Do livro  Alguma poesia (1930)
Cada estrofe do poema acima representa uma face - ou seja, Poema de 7 faces
* a 1ª estrofe representa o nascimento - um eu-retorcido,tempo psicológico,lembranças de sua vida;
* a 2ª estrofe apresenta o espaço;
* a 3ª estrofe representa as pessoas que se encontram nesse espaço;
* a 4ª estrofe - a visão que os outros têm do eu-lírico;
* a 5ª estrofe - sua relação com Deus;
* a 6ª estrofe - sua relação com o universo;
* a 7ª estrofe - relação consigo mesmo.
 
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais
de mim.

Quadrilha  
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história   

 Veja alguns  poemas de Drummond:





                                                            










domingo, 30 de outubro de 2011

Quilombolas da Amazônia ganham voz com Lúcia Andrade

JAIME GESISKY
Fórum Amazônia Sustentável
Belém e São Paulo
Não bastou terem sido reconhecidas legalmente na Constituição de 1988. As comunidades quilombolas existentes no Brasil padecem ainda hoje da falta de políticas públicas que lhes garantam o modo de vida tradicional. Devido ao seu estilo de vida, ligados à terra, essas comunidades ajudam a preservar parte da florestas brasileiras, sobretudo na Amazônia, onde existem 77 terras quilombolas tituladas. Ali, no meio da floresta, essas comunidades,  invisíveis ao resto do país, sofrem com o avanço de empreendimentos hidrelétricos e minerários.
Um livro que acaba de ser lançado pela Comissão Pró-Índio (CPI-SP) rompe o silêncio e ajuda os quilombolas da Amazônia a vocalizar em defesa de seus direitos. A autora da pesquisa que deu origem ao livro Terras Quilombolas em Oriximiná: Pressões e Ameaças, Lúcia de Andrade (foto abaixo), coordenadora executiva da CPI-SP, faz aqui uma análise da situação dessas comunidades amazônicas.
A impressão, no senso comum, é de que quando se fLúcia de Andrade ala de povos tradicionais na região amazônica, falamos apenas de indígenas, ribeirinhos, extrativistas. Qual é o quadro geral dos quilombolas na região? Por que eles padecem de tanta invisibilidade?
De fato, a realidade das comunidades quilombolas no Brasil, e na Amazônia particularmente, ainda é pouco conhecida.  Não contamos sequer com um censo da população quilombola no Brasil. Trabalhamos com estimativas que indicam a existência de cerca de 3.000 comunidades no país. Pode-se dizer que parte dessa invisibilidade e falta de reconhecimento de direitos advenha de ideia comum na nossa sociedade que os quilombos teriam acabado com o fim da escravidão. O que não foi absolutamente o caso: os quilombolas continuaram resistindo e mantendo o seu modo de vida nas terras conquistadas em todas as regiões do Brasil. É bom lembrar que o reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades quilombolas é relativamente recente uma vez que se deu apenas na Constituição de 1988. Até essa data, as comunidades quilombolas simplesmente não existiam na nossa legislação e perante o poder público.  Um dos objetivos do livro que a CPI-SP lança agora é justamente é contribuir para dar maior visibilidade às comunidades quilombolas e evidenciar a sua contribuição para a proteção das florestas.
Qual a participação desses povos remanescentes de quilombos na conservação da floresta?
Na região da Amazônia Legal, encontram-se 77 terras quilombolas já tituladas, o que representa 71% de todas as terras quilombolas já regularizadas no Brasil. São cerca de 630 mil hectares já titulados na Amazônia onde vivem 144 comunidades quilombolas.  As comunidades com terras regularizadas, no entanto, são ainda a minoria. Para ser ter uma ideia, na região da Amazônia Legal temos mais de 400 comunidades com processo para titulação de suas terras tramitando no Incra. O que o estudo indicou foi o alto grau de conservação das florestas nas terras quilombolas. Considerando os oito territórios estudados, verificamos que a área desmatada corresponde a 1% da sua extensão total. Os estudos com imagens de satélite evidenciaram também que as terras quilombolas nesse município da Amazônia formam uma “barreira” ao desmatamento que avança em sua direção.
O estudo revela que as terras desses povos encontram-se sob ameaça. Qual a situação que a senhora encontrou ao fazer a pesquisa?
A pesquisa identificou diferentes ameaças entre elas os interesses minerários: são 94 processos minerários incidentes nas terras quilombolas entre solicitações e processos autorizados. Quatro dos territórios quilombolas têm mais de 70% de sua extensão sob interesses minerários. Nesse momento, não há exploração mineral dentro das terras quilombolas, mas os quilombolas já sofrem os impactos da exploração da bauxita que é realizada em áreas vizinhas aos seus territórios. Outro exemplo de ameaça são os estudos para a construção de 15 empreendimentos hidroelétricos em rios que cortam os territórios quilombolas: 13 deles contam com estudos de inventário; um com estudo de viabilidade e um com projeto básico. Segundo o “Plano Nacional de Energia 2030”, a área total a ser inundada por tais hidroelétricas soma 5.530 quilômetros quadrados abrangendo terras quilombolas, terras indígenas e unidades de conservação.
A ausência de consulta prévia a essas comunidades tradicionais é similar ao que se vê com outros povos da floresta?
Infelizmente essa é a realidade para os quilombolas também. O livro mostra diversas situações em que as comunidades não foram consultadas sobre projetos que lhes afetavam diretamente. Identificamos também consultas que não podem ser caracterizadas como consulta livre, prévia e informada, uma vez que não se garantiu o acesso a toda a informação nem tampouco o tempo necessário para que a comunidade pudesse amadurecer a sua decisão. O governo leva anos para realizar seus estudos e tomar as suas decisões e espera que os quilombolas tomem as suas decisões em uma reunião de poucas horas de duração.
Como é a situação das políticas públicas para os quilombolas da Amazônia – se é que existem efetivamente?
Em nossa opinião não existem políticas públicas para os quilombolas na Amazônia, pensando em políticas mais amplas e duradoras. O que existem iniciativas pontuais que estão longe de atender a demanda dos quilombolas.  O objetivo do nosso estudo foi justamente chamar a atenção para essa lacuna e a importância de se pensar, criar e implantar tais políticas.
Qual a mensagem que o estudo deixa para o Brasil?
Esperamos que o estudo ajude a consolidar o entendimento que a  garantia das terras quilombolas além de ser fundamental para essa população, é também uma estratégia de promoção da conservação dos recursos naturais e da biodiversidade da Amazônia.
NOTA DO EDITOR
 
Com a morte do líder comunitário Jesus de Oliveira, em 20 de maio de 2011, a comunidade quilombola em Seringueiras também exige a intervenção do governo, para evitar que a cobiça madeireira passe sobre os direitos daquela gente.

EM SERINGUEIRAS, TERRA QUILOMBOLA AMEAÇADA

A Q U I


SAIBA MAIS DO TRABALHO DE LÚCIA DE ANDRADE

AQUI

sábado, 29 de outubro de 2011

IVANEIDE BANDEIRA E CASA FAMÍLIA ROSETA NO PROGRAMA “VIVA PORTO VELHO”



A ambientalista Ivaneide Bandeira, o médico e jornalista Viriato Moura e o líder indígena Almir Suruí nos estúdios do Programa Viva Porto Velho. (Fonte: Viva Porto Velho)

A ambientalista Ivaneide Bandeira é a convidada do médico e jornalista Viriato Moura, para uma entrevista no Programa VIVA PORTO VELHO deste domingo dia 30/10. Casada com o líder indígena Almir Suruí, com quem tem duas filhas, Ivaneide dirige há vários anos a Associação de Defesa Etnoambiental Canindé, uma entidade sem fins lucrativos preocupada com as condições e preservações dos povos indígenas. Ela também comentará as dificuldades dos povos indígenas, em especial na área da saúde e educação.
No quadro “Historias da Nossa Terra”, o economista e jornalista Anísio Gorayeb vai mostrar a Comunidade Porto Esperança, uma chácara localizada no município de Candeias do Jamarí, especializada em tratamento para dependentes químicos do sexo masculino. O diretor da comunidade é o sociólogo Willian Christian, e a comunidade dispõem de monitores, psicólogos e assistentes sociais. Atualmente a casa tem 44 pessoas em tratamento. Está comunidade faz parte da Casa Família Roseta, uma instituição criada na Itália há 40 anos e que está em Porto Velho desde 1992.



O diretor da Comunidade Porto Esperança, Willian Christian e Anísio Gorayeb durante as gravações do quadro “Historias da Nossa Terra”. (Fonte: Viva Porto Velho)
No quadro “Opinião”, Viriato Moura vai comentar sobre as grandes obras na nossa região e falará também sobre a necessidade de industrialização do nosso estado, visto que produzimos matéria prima necessária para isto.

O programa apresentará também os quadros: “Momento Esportivo” com Marcos Magalhães “Seu Direito” com o conceituado advogado Édison Piacentini.

O “VIVA PORTO VELHO” é um programa independente, apresentado por Viriato Moura, com a produção de Ricardo Farias através da New Produtora, e vai ao ar todos os domingos ao meio dia (12h) pela Rede TV canal 17 e pela Via Cabo canal 27.


Fonte: Ascom/Viva Porto Velho.




quinta-feira, 27 de outubro de 2011

I FESTIVAL DE MÚSICA CRISTÃ " NO PARE"



Muita gente que trabalha em escritórios  passam o dia todo na frente de um computador, sempre a procura de alguma coisa para ouvir. Seja músicas em MP3, sejam músicas no youtube, o que importa é se concentrar ouvindo uma boa. Se você gosta também de uma  Música Gospel venha participar do I  FESTIVAL DE MÚSICA CRISTÃ a ser relizado no próximo sábado na Quadra Poliesportiva da Escola João Bento da Costa.




Música gospel (do inglês gospel; em português, "evangelho") é uma composição escrita para expressar a crença individual ou de uma comunidade com respeito a vida cristã, assim como, de acordo com seus gêneros musicais variados, também oferece uma alternativa, ao povo cristão, à música secular convencional, sinônimo também e reconhecida como a música evangélica, que ganhou grande destaque no Brasil atualmente.



Como outros gêneros de música cristã, a criação, a performance, a influência, e até mesmo a definição de música gospel varia de acordo com a cultura e o contexto social. A música gospel é escrita e executada por muitos motivos, desde o prazer estético, com motivo religioso ou cerimonial, ou como um produto de entretenimento para o mercado comercial, sendo bem aceita pela grande parcela da população religiosa brasileira.


Portanto, a coordenação do evento convida a comunidade em geral para participar.Venha ouvir uma boa música envolvendo Concursos de Bandas (10 bandas inscritas),Danças e muito Louvor.

Dia: 29/10/2011 (Sábado)
Horário: 13:30h  às  17:00 horas
Local: Quadra Poliesportiva da Escola João Bento da Costa

ENTRADA GRATUITA ! NÃO DEIXE DE PARTICIPAR !

Fonte:
Coordenação: Maíssa Ramos,Shirley Cristina e Thiago Eudes
Colaboração: Direção JBC (Prof.Chiquinho e Elizabet)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MEC descarta cancelar questões que vazaram em Fortaleza


  O MEC (Ministério da Educação) descarta anular as questões a que os alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, tiveram acesso antes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. A afirmação foi feita na tarde desta quarta-feira (26).

Segundo a assessoria do ministério, anular os itens feriria a isonomia em relação aos outros estudantes do país, já que, em tese, somente os alunos do Christus tiveram acesso às questões do pré-teste. Ainda de acordo com o MEC, a discussão sobre os itens só surgiu na internet depois que as provas foram concluídas.
O MEC vai desclassificar os alunos do Colégio que fizeram a prova. Até o momento, o número que o MEC divulgou é de 639 inscritos.



 Veja agora as questões da prova amarela com as respectivas imagens divulgadas na internet por alunos de Fortaleza; segundo eles um colégio particular havia aplicado um simulado com questões idênticas às do Enem 2011 Mais Reprodução
As perguntas vazaram do pré-teste aplicado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), conforme o UOL Educação apurou. Testes prévios do Enem foram feitos no Colégio , em outubro do ano passado.

Histórico: problemas do Enem

  • Rodrigo Clemente/O Tempo/Agência Estado Estudante faz protesto contra erros do Enem 2010
Segundo o diretor do colégio, Davi Rocha, “não é possível afirmar” que as questões saíram do banco de questões do MEC, mas que “imagina que tenha”. De acordo com ele, o Christus não teve acesso ao pré-teste, somente alguns estudantes –e que eles podem ter colocado os itens no banco do colégio.

Anulação das questões

O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho disse que recomendou à presidente do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais), Malvina Tuttman, que sejam anuladas as questões que vazaram para todos os candidatos.
"Se vazou, como eu posso dizer que foi só para aquele pessoal. Eu disse [para a presidente do Inep] que essa solução [cancelar o exame só dos alunos do colégio Christus] não se sustenta. Eu coloquei na recomendação que esse era um concurso nacional e ela estava querendo dar uma solução local", disse Costa Filho.

O procurador afirma que anular todo o exame iria causar um dano muito grande, "a anulação parcial causaria menos trauma". "Tem candidatos vão gostar e os que não vão gostar. Mas esse é o remedio", disse.

Pelas redes sociais

Os itens deste simulado foram colocados em redes sociais na internet por estudantes na noite de terça-feira (25). Após a divulgação, o MEC (Ministério da Educação) confirmou que pelo menos nove questões eram idênticas às aplicadas no último final de semana.

Fonte:uol.com

terça-feira, 25 de outubro de 2011