quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O ENEM e a queda do ensino de qualidade


Luis Augusto FischerO Luis Augusto Fischer (na foto), escritor e professor de literatura no Rio Grande do Sul, escreveu um pequeno artigo para o Prosa e Verso de ontem, tratando de um tema que já trouxe aqui para o blog: as contradições entre o ENEM e o ensino, no Brasil recente, desde a adoção do sistema como a principal ponte para o ensino superior.






Fischer coloca que um dos pontos positivos do ENEM está na adoção de “programas multidisciplinares que tendem a abolir questões dependentes de mera decoreba e a propor outras mais criativas, que privilegiam a leitura atenta e o raciocínio”. Concordo plenamente. Isso não garante que o candidato vá ser honesto em seu trabalho, mas certamente premia aquele que aprofunda mais os estudos, saindo das cartilhas para avançar nas reflexões.

Outro ponto importante abordado pelo autor é a consequência mais direta da quase universalização do exame. Isso passa a impor, segundo Fischer, “a existência de um mercado nacional que tem gerado concentração de vagas, para os cursos mais procurados, na mão de candidatos das regiões mais ricas, que em regra oferecem ensino mais exigente”. Em outras palavras, os melhores cursinhos preparam melhor aqueles que podem pagar, o que caminha na contramão de um vestibular que contemple a todos de maneira semelhante. Isso tem muito a ver com a falência do ensino público de base, que, se tivesse a coordenação política correta, teria a qualidade necessária para preparar a todos com o mesmo rigor, o que diminuiria o abismo entre ricos e pobres nesse quesito.

O principal ponto citado pelo autor aparece quando ele fala sobre aquela que, ao meu ver, é a consequência mais grave dessa universalização do ENEM: “os vestibulares passaram a ser o paradigma maior do ensino médio. O que cai no vestibular entra no programa de ensino da escola; o que não cai, deixa de existir, com raríssimas exceções”. E então o escritor lista alguns dados sobre o que o ENEM tem pedido nos últimos concursos, em literatura. Há dados que não surpreendem, como a maior aparição do período modernista e de autores como Drummond e Machado de Assis. Isso, na minha concepção, não apresenta maiores problemas. Mas há registros assustadores. Por exemplo: enquanto os contos aparecem em 3% das questões, as histórias em quadrinhos surgem em 19% delas. Um absurdo completo. Outra: Jim Davies, criador do Garfield, aparece citado mais vezes que o poeta João Cabral de Melo Neto. Inconcebível. E uma última: enquanto as letras de canções aparecem em 42% das questões, os romances não passam de 19%.

Tudo isso se reflete na maneira como os colégios modulam os seus projetos de ensino, na medida em que a quantidade de alunos aprovados no ENEM passou a ser uma peça de marketing fundamental na luta pelos alunos-clientes, no novo sistema educacional privado, pautado exclusivamente pelo lucro e pelo curso prazo. A escola perde a oportunidade de ser uma formadora de cidadania, ética e consciência política, e se entrega ao mais deslavado pragmatismo de resultados imediatos, pragmatismo esse balizado pelo parâmetro meramente quantitativo dos alunos que garantem vaga na faculdade através do conteúdo problemático da prova.

Fischer cita a importância da literatura culta na formação dos estudantes e a diminuição desse tipo de conteúdo no trabalho de sala de aula, pelos professores, que seria proporcional aos movimentos do ENEM nesse sentido. E completa seu texto dizendo que “estamos caminhando para programas de literatura no ensino médio desencarnados, sem densidade cultural, tendo no centro princípios abstratos que parecem poder ser atendidos praticamente sem leitura direta dos textos literários. Nada auspicioso para quem quer formar leitores destros e cultos, e por isso autônomos”.

É o grande problema dessa celeuma toda e um ponto que tenho debatido bastante nos últimos tempos. Quanto mais os colégios se especializam em cobrar dos alunos apenas o que cai no ENEM, mais os alunos perdem em complexidade em seu ensino, e menos leem a verdadeira literatura, a produção culta na história do texto literário, que tem como principal objetivo exercitar o pensamento poético e artístico na cabeça dos jovens, para que eles saiam da escola pessoas melhores, cidadãos mais críticos, pessoas mais inteligentes. É o mercado, definitivamente tomando conta da educação brasileira e pondo a perder a possibilidade de se educar mais uma geração para a complexidade, principal requisito para a mentalidade crítica e o pensamento abstrato. Uma pena… mas continuamos lutando nas guerrilhas…


*Marcelo Henrique Marques de Souza é do Rio de Janeiro. Ele mesmo declara: “Sou escritor e professor de um monte de coisa ligado às ciências que chamam de “humanas”, como se houvesse alguma ciência de cachorro. Ensino (e aprendo) filosofia, redação, literatura, ética e cidadania e preparação de monografia, no ensino fundamental 2, ensino médio, graduação de pedagogia e pós-graduação em ‘educação e comunicação’ e ‘psicopedagogia’. Meus textos são ensaios e artigos críticos da lógica ocidental, que se baseia na tríade patética que mistura a sacanagem do mercado (a propaganda incluída), a hipocrisia do cristianismo e a falácia dos racionalismos. É contra isso que busco a impostura da crítica”.

domingo, 14 de agosto de 2011

XVIII Semana de História


"O Departamento de História e Arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) promove a XVIII Semana de História no período de 15 a 18 de agosto. Durante o evento, haverá palestra, mesa redonda, oficinas, mini-cursos e sessão de comunicações. O tema desta edição é História Cultural: Uma leitura na Contemporaneidade.

Durante o credenciamento, no dia 15 de agosto, a partir das 14h, os participantes podem interagir na Oficina Historiarte, personalizando a camiseta para o evento (basta levar a sua camiseta branca), enquanto assiste a apresentação sobre o tema central deste ano. A primeira mesa redonda, às 19h, versará sobre Cultura na Contemporaneidade, com a participação dos professores doutores Júlio Rocha, Dante Ribeiro, Ari Ott e André Penin.

Todas as atividades no período vespertino (de 14h as 18h) acontecerão no Bloco de História, e no horário noturno (19h as 22h) no auditório Paulo Freire, ambos no campus José Ribeiro Filho, em Porto Velho."  Veja programação AQUI (Arquivo em PDF).

Fonte: Centro Acadêmico de História

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sacola plástica é o tipo mais sustentável, diz estudo


As sacolinhas plásticas de supermercado causam menos danos ambientais que outros modelos, quando a comparação leva em conta o uso da sacola uma única vez, defende um estudo da Agência Ambiental da Inglaterra. A pesquisa do órgão governamental inglês explica que sacolas de papel, plástico resistente (polipropileno) e algodão consomem mais matéria-prima e energia para sua fabricação. Por isso, teriam que ser reutilizadas 3, 11 ou 131 vezes, respectivamente, para causar menos danos ambientais que uma sacola plástica usada apenas uma vez.

O estudo divulgado em fevereiro no Reino Unido analisa, especificamente, o potencial de aquecimento global dos diferentes modelos de sacolas. Para isso, os pesquisadores Chris Edwards e Jonna Meyhoff Fry acompanharam o ciclo de vida (extração de matéria-prima, manufatura, distribuição, uso, reuso e descarte) de cada modelo. Em cada uma das etapas do ciclo de vida, foi contabilizada a quantidade de gases causadores do efeito estufa emitidos pelo consumo de energia na fabricação e no transporte das mercadorias, além dos desperdícios de materiais durante o processo.

A partir desse acompanhamento, os pesquisadores verificaram que, em seu ciclo de vida completo, uma sacola plástica comum emite 1,5 kg de gás carbônico e outros gases que contribuem para o aquecimento global. O dado já considera que 40% desse tipo de sacola são reutilizados com frequência pelos ingleses para acondicionar o lixo em casa. Já o ciclo de vida das outras sacolas têm um impacto bem maior: papel (5,53 kg), plástico resistente (21,5 kg) e algodão (271,5 kg). Isso é o que explica a necessidade de tantos reúsos para neutralizar a fabricação desses modelos, de acordo com a pesquisa.

Outro ponto importante foi a constatação de que, na Inglaterra, o uso de matérias-primas e a fabricação das sacolas concentram em média 70% dessas emissões de carbono. A partir desses dados, o estudo conclui ainda que sacolas que foram feitas para durar mais - como as de plástico mais resistente ou as de algodão - também exigem mais recursos para sua fabricação. Portanto, se não forem reutilizadas devidamente, o potencial de aquecimento global pode ser pior que o das sacolas plásticas.

Reações no Brasil


O presidente do Instituto Akatu de Consumo Consciente, Hélio Matar, afirmou que, apesar desses resultados, as sacolas plásticas não são a opção mais sustentável. Segundo ele, é preciso ponderar os dados da pesquisa. Ele lembrou que os estudos foram realizados na Inglaterra, onde a matriz energética baseada em combustíveis fósseis torna a atividade industrial - e a fabricação de qualquer tipo de sacola - muito mais poluente. "No Brasil, o resultado certamente seria diferente", disse, ao lembrar que o País tem uma matriz energética limpa, baseada em hidrelétricas.

Para Cláudio José Jorge, presidente da Fundação Verde (Funverde), a pesquisa também destoa da realidade no Brasil por outro motivo: a sacola de algodão costuma ser maior que a sacola plástica convencional e comporta praticamente o dobro de itens. "Uma sacola retornável substitui mais de uma sacolinha plástica e carrega mais itens no supermercado ou na feira. Isso ajuda a neutralizar o impacto da fabricação", defende.
Hélio Matar acrescentou que as sacolas plásticas também são responsáveis por outros danos ambientais não contabilizados pela pesquisa, cujo foco foi o aquecimento global. "O volume de sacolas descartadas no Brasil é gigante, em torno de 150 bilhões de unidades por ano", disse. Segundo Matar, isso cria problemas como entupimento de bueiros e enchentes nas cidades, além de sobrecarregar aterros sanitários. "Em um País com recursos financeiros limitados como o nosso, isso representa uma dificuldade a mais para a administração pública", afirmou.

Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, entidade ligada ao setor produtivo do plástico no Brasil e divulgador da pesquisa no País, tem opinião contrária. "Os questionamentos no Brasil não têm levado em conta as questões técnicas e ambientais. Se a sacola plástica teve o melhor desempenho na pesquisa, por que proibir o produto?", argumenta. Bahiense ainda sugere que, em vez de coibir as sacolas plásticas, como tem ocorrido em algumas cidades, é preciso conscientizar a população. Ele defende a necessidade de ensinar os cidadãos a diminuir o consumo de sacolas, reaproveitá-las ao máximo e encaminhá-las para reciclagem sempre que possível.


Fonte:

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

11 de agosto - Dia do Estudante



"Se és incapaz de sonhar, nasceste velho; se o teu sonho te impede de
agir segundo as realidades, nasceste inútil; se, porém, sabes transformar 
sonhos em realidades e tocar as realidades que encontras com a luz do teu
sonho, então serás grande na tua Pátria e a
tua Pátria será grande em ti."

 
Como nasceu o Dia do Estudante?

No dia 11 de agosto de 1827, D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife. Até então, todos os interessados em entender melhor o universo das leis tinham de ir a Coimbra, em Portugal, que abrigava a faculdade mais próxima.

Na capital paulista, o curso acabou sendo acolhido pelo Convento São Francisco, um edifício de taipa construído por volta do século XVII. As primeiras turmas formadas continham apenas 40 alunos. De lá para cá, nove Presidentes da República e outros inúmeros escritores, poetas e artistas já passaram pela escola do Largo São Francisco, incorporada à USP em 1934.

Cem anos após sua criação dos cursos de direito, Celso Gand Ley propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. Foi assim que nasceu o Dia do Estudante, em 1927.
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            Ser estudante é acreditar no potencial que possui.
            Dar valor a si mesmo e seguir em frente, ultrapassando os obstáculos. É cumprir o seu papel como estudante, não só na escola, mas onde quer que esteja.
            É questionar sobre tudo. É cobrar do professor quando é preciso,
            Ajudar o colega a entender que o meio de crescer na vida, não é através da famosa “pesca”, e sim, ter o prazer de aprender, mesmo quando o assunto a ser estudado não for o seu preferido.
            É pensar grande e sonhar alto, sem ter medo de agir. É admitir que está errado quando está.
            Respeitar as pessoas e aceita-las do jeito que são.
            Construir um futuro melhor.
            É escolher uma profissão sem olhar se o salário é alto ou não, e sim, se é o que você gosta de fazer ou não. Porque não é o dinheiro que vai dizer quem você realmente é, mas o seu caráter.
            Em suma, ser estudante é aprender com os erros a ser uma pessoa melhor, ou seja

           Ser estudante é uma arte. É a arte de tentar entender o que o outro está tentando explicar;é uma arte quando este, mesmo sem compreender o que está sendo dito, procura recursos auxiliares para tentar entender; é uma arte quando recebe comentários que soam sobre a sua não capacidade de assimilar o conteúdo e mesmo assim ao longo do tempo consegue um lugar consideravelmente aceitável, mas não para o outro e sim para ele; é uma arte quando este trabalha oito horas por dia e mesmo assim, ao cair da noite, fatigado, entra em sala de aula para aprender e sabe-se lá o que vai encontrar pela frente. Talvez, um outro também tão cansado quanto ele.Ser estudante passa a ser uma arte quando das pronfundezas de um aprendizado mal estruturado ele passa no vestibular; é uma arte quando ele “roda” no vestibular e mesmo assim se supera e entende que vestibular é  mais uma prova que não prova nada da sua capacidade e das suas habilidades  e que pode tentar novamente.                         Ser estudante passa a ser uma arte grandiosa quando nosso aluno percebe a necessidade do estudo diante do mundo moderno.
                        PORTANTO, caros estudantes façam do estudo uma arte que os levará a vitória na hora certa.

UM FELIZ DIA DOS ESTUDANTES A TODOS QUE FREQUENTAM ESTE BLOG  E, EM ESPECIAL AOS MEUS QUERIDOS ALUNOS.




domingo, 7 de agosto de 2011

MATA VIRGEM,TERRA PROSTITUTA - Januário Amaral


Sinopse - Mata Virgem Terra Prostituta - Januário Amaral

Os múltiplos mitos, as variadas percepções e comportamentos em torno da antiga relação homem/natureza, os constantes conflitos e arranjos entre os diferentes atores sociais em um projeto de colonização em Rondônia constituem o pano de fundo do livro, resultado do trabalho de dissertação de mestrado em Geografia defendida pelo autor na USP, no início dos anos 90. Uma década depois, é possível constatar que as previsões mais sombrias feitas para o projeto de colonização “Sidney Girão” foram confirmadas para praticamente todos os outros projetos implantados no Estado. Formou-se uma seleta minoria de agricultores bem sucedidos, acompanhada da expropriação de outra parcela de colonos, posseiros, meeiros, agregados e dos índios, mostrando um progressivo e significativo envolvimento do capital comercial e financeiros na compra da terra e no direcionamento da produção.


 O Capítulo I do livro trata das complexas relações entre as várias dimensões constituintes do processo de colonização da Amazônia. A variação das atividades para ocupação da região amazônica, de acordo com Amaral (2004, p.42), foi assim caracterizada:
[...] primeiramente o que podemos denominar de uma ocupação pontual, na fase do Brasil colônia; em seguida, com início no século passado e primeira metade desse século, temos uma ocupação de caráter linear e beiradeira, norteada pelo extrativismo do látex das seringueiras nativas; e recentemente, após década de sessenta, deu-se uma ocupação interfluvial dando início ao ciclo de colonização agrícola, dos projetos agropecuários, minerais, minério-metalúrgico e de hidroelétricas.
A inserção da Amazônia no contexto nacional como prioridade de governo só realmente efetivou-se quando se rompeu o isolamento econômico e social através de medidas político-administrativo, e a colonização passa a ser essa ação governamental apresentada pelos militares brasileiros, objetivando a modernização do país. O que na realidade se queria era amenizar a situação de conflito que estava prestes a estourar na Região Centro-Sul do país, fazendo com que a migração das massas camponesas dessa região para a Região Norte cedesse espaço à agricultura mecanizada e empresarial.

A conquista efetiva da Amazônia pelos portugueses teve início no séc.XVII com o propósito de reconquistar o território então ocupado por ingleses e holandeses estabelecidos no baixo Amazonas.

O Capítulo II reconstrói a questão da colonização agrícola no movimento de expansão das relações capitalistas.São analisadas as condições econômicas,jurídicas,políticas e sociais que tornaram Rondônia um espaço geográfico privilegiado pelas agências governamentais para promoção da colonização agrícola de caráter oficial. Entende-se que a colonização agrícola de novas terras tem sido a forma institucional de expansão das relações capitalista da Amazônia.É sintomático,entretanto que o processo de colonização não ocorra isoladamente.Ele é a “franja” de um sistema no qual está inserido.Segundo Hébette e Acevedo, a colonização “(...) se manifesta como instrumento ideológico a serviço de interesses que não declarados,que não têm nada em comum com o interesse dos colonos,e que despontam de meios e ambientes bem distantes da área de colonização(1979,p.152)”

A ocupação de Rondônia, a partir da década de 70,foi efetivada via BR 364 (Ciabá-Porto Velho),implantada na antiga linha telegráfica construída por Rondon.Foi às margens dessa rodovia que houve a implantação de dois projetos de colonização: O PIC (Proj. Integrado de Colonização) e o PAD (Proj.Assentamento Dirigido)

No  PIC – as terras eram destinadas a famílias camponesas e com grande número de filhos;
No PAD – o colono deveria ser mais especializado do que um trabalhador rural,ou seja,deveria ter um mínimo de conhecimento agrícola,alguns recursos e experiências com relação a obtenção de crédito bancário. Mas esses projetos não foram suficientes para atender o fluxo migratório, o INCRA tornou-se impotente para distribuir e regularizar a situação das famílias e diante de tal quadro houve  a partir da década de 80 , as ocupações de terras improdutivas em várias áreas do Estado de Rondônia por parte de trabalhadores rurais sem terra.

O Capítulo III trata de reconstruir uma relação entre processo de colonização agrícola e a qualidade da relação homem/natureza que os atores sociais apresentam,como se constituiu o processo de produção material e simbólico da natureza, na área do projeto de colonização Sidney Girão. Ancorados nas relações dialéticas que são estabelecidas entre sociedade/espaço,transportadas para a dialética homem/natureza, podemos afirmar que o homem adquire inicialmente um conhecimento empírico,seguido de um conhecimento científico e técnico.É também os diferentes grupos e classes sociais locais ou originários de outras regiões,que estabelecem nas novas terras, relações de intervenção na natureza conforme seus interesses e modo de viver.É assim,percebido o ecossistema existente,ao mesmo tempo em que é construído o espaço geográfico.

O Capítulo IV é eminentemente empírico, onde se procura explicitar a questão da relação homem/natureza na ótica dos agentes sociais envolvidos diretamente no processo de colonização:os colonos e os seringueiros.Neste capítulo retoma-se,amplia-se e especifica-se a discussão do capítulo anterior delineando na prática,os diferentes processos históricos de produção da natureza em Rondônia;finalmente descreve-se e analisa-se as diferentes etapas do processo produtivo dos colonos do PIC Sidney Girão.
As dimensões,analisadas na perspectiva da colonização,constituem,na realidade, o movimento da sociedade ancorada pelo desenvolvimento das relações capitalistas que procuram expandir as relações de mercado sobre a totalidade do território brasileiro.Pelo fato do processo de colonização agrícola expressar essas dimensões,ele representa uma forma de expansão da sociedade nacional nas novas terras.Interpretar a colonização representa revelar essas dimensões.


Ainda de acordo com Prof. Dr. Januário Amaral em seu livro: Mata virgem, terra prostituta, existem, na atualidade, vários mitos,quais sejam: 

Mito da homogeneidade, que representou a região como um imenso e uniforme tapete verde, atravessado por longos e tortuosos rios. Nenhuma visão da Amazônia é mais distante da realidade. Ela abriga uma indescritível diversidade ecológica, refletida no clima, nas formações geológicas, nas altitudes, nas paisagens, nos solos, na formação vegetal e na biodiversidade. A heterogeneidade também ocorre do ponto de vista político, social e econômico. São oito países com diferentes estilos de governo e desgoverno, políticas e leis para a região, assim como ela é habitada por
uma ampla variedade de grupos humanos, que vão desde indígenas vivendo em total isolamento, até habitantes de grandes cidades.

Mito do vazio demográfico, que produziu a crença de uma região virgem, um imenso espaço vazio, ou a última fronteira da humanidade. Por este enfoque, a Amazônia é uma terra sem homens para onde os homens sem terra devem migrar, aliviando os problemas da pressão populacional nas áreas periféricas, ao mesmo tempo em que são ignorados os direitos seculares das populações que habitam a região. 

Mito da imensa riqueza e extrema pobreza, que tomando como referência a exuberância da vegetação tropical, estabeleceu a crença da fertilidade dos solos amazônicos. Somente depois de investidos e perdidos bilhões de dólares em projetos de assentamentos agrícola é que se pôde constatar que esta riqueza era apenas aparente, e que o tesouro da região está na biodiversidade do ecossistema, da flora, da fauna e do germoplasma nativo. A contrapartida desta percepção foi considerar os solos amazônicos tão pobres que tornaria impossível qualquer outra atividade que não a preservação incólume da floresta. Esta posição extremada tampouco se sustenta, dado que existem extensas faixas de solos aptos para a agricultura. 


Mito do nativo como obstáculo ou como modelo para o desenvolvimento, que justificou, no primeiro caso, extermínio sistemático destas populações, a agressão territorial e cultural ou a sua conversão ao modelo civilizatório ocidental. No segundo caso – a louvação do modelo indígena – desconheceu-se que aquelas culturas são formas adaptativas próprias àquele ambiente e que sua adoção como modelo generalizado para o desenvolvimento da Amazônia é impraticável.

Mito de pulmão do mundo, que considerava a floresta amazônica responsável pela produção de 80% do oxigênio (O2) e fixador de dióxido de carbono (CO2) e que sua destruição privaria o planeta dos seus pulmões. O mito desconsiderava tanto a importância dos oceanos de das outras regiões tropicais nesta tarefa, quanto o fato da floresta amazônica ser uma floresta madura, mantendo um equilíbrio quase perfeito entre a produção de O2 e a fixação de CO2. Por outro lado, agora que as
preocupações humanas deslocaram-se dos gases para as águas, a contribuição da Amazônia para o balanço hídrico do planeta tem sido enfatizada, dado que o rio desemboca no mar 176.000 m3 de água por segundo, representando aproximadamente 1/6 de toda a água doce levada para os oceanos.

Mito de solução para os problemas da periferia, que submeteu a região a projetos de colonização governamentais visando à expansão da fronteira agrícola, não só no Brasil como na Colômbia, Peru, Equador e Bolívia, com o deslocamento de colonos atraídos por dois outros mitos: uma terra desabitada e com solos férteis. A colonização tem sido acompanhada de construção de estradas, de cidades e de hidrelétricas. O balanço geral dos últimos cinqüenta anos de colonização é negativo: os problemas da periferia do sul-sudeste não foram resolvidos e criaram-se na Amazônia novas periferias com velhos problemas. 

Mito da Amazônia como área rural, que considera a fronteira amazônica semelhante aos movimentos migratórios que se desenvolvem no Brasil na primeira metade do século XX, com pioneiros ocupando terras livres com atividades agrícolas que paulatinamente geravam crescimento da população e da produção. Na Amazônia, a fronteira já nasceu heterogênea, constituída por frentes de várias atividades, com povoamento rural e produção agrícola relativamente modestos, e com intenso ritmo de urbanização, com o governo federal e as agências financiadoras internacionais assumindo o papel de planejador.

Mito de internacionalização da Amazônia, que surgiu como corolário dos outros mitos, da extensa agressão ambiental das últimas décadas e da inversão do conflito leste-oeste para norte-sul. A internacionalização é “confirmada” pelo mito cibernético de um mapa que consta dos livros escolares norte-americanos, com a Amazônia desenhada e identificada como área internacional.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DRA. SANDRA SILVESTRE E DIMAS QUEIROZ NO 'VIVA PORTO VELHO'



O médico e jornalista Viriato Moura e a Dra. Sandra Silvestre nos estúdios do Programa Viva Porto Velho. (Fonte: Viva Porto Velho)   

A juíza titular da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, Dra. Sandra Aparecida Silvestre de Frias Torres será entrevistada pelo médico e jornalista Viriato Moura no Programa VIVA PORTO VELHO deste domingo, dia 07/08. Natural de Minas Gerais, Dra. Sandra ingressou na magistratura de Rondônia há 16 anos e já atuou nos municípios de Espigão do Oeste, Jarú e Ouro Preto. Nesta entrevista falará dos Projetos Ressoar e “Bizarrus”, e sobre um incidente ocorrido no Timor Leste, país no qual trabalhou por dois anos, requisitada pela ONU – Organização das Nações Unidas.
O economista e jornalista Anísio Gorayeb vai conversar com Dimas Queiroz de Oliveira no quadro “Historias da Nossa Terra”, onde falará sobre suas atividades no serviço público por mais de 40 anos, onde exerceu diversos cargos como: Tesoureiro e Diretor da Contabilidade da Prefeitura, Diretor do Departamento de Relações Públicas e Administrador do Palácio Presidente Vargas, Administrador do Aeroporto. Dimas é também um dos fundadores da TV Cultura na época do Governador Marques Henriques.
 

O economista e jornalista Anisinho Gorayeb e Dimas Queiroz irão bater um papo no quadro “Historias da Nossa Terra”.  (Foto: Ivo Feitosa)
O programa apresentará também os quadros: “Momento Esportivo” com Marcos Magalhães e “Seu Direito” com o conceituado advogado Édison Piacentini.
O VIVA PORTO VELHO é um programa independente, apresentado por Viriato Moura, com a produção de Ricardo Farias através da New Produtora, e vai ao ar todos os domingos ao meio dia (12 horas) pela Rede TV canal 17 e pela Via Cabo canal 27.

Fonte: Ascom/Viva Porto Velho.

domingo, 31 de julho de 2011

43 Universidades usarão o ENEM/2011 - Confira

Até o momento, 43 universidades federais confirmaram como vão utilizar o Enem 2011 para o ingresso em seus cursos de graduação.

As provas estão previstas para serem aplicadas nos dias 22 e 23 de outubro. Confira abaixo, as universidades das regiões do País que  aderiram ao Enem 2011:

Região Centro-Oeste :

# UnB (Universidade de Brasília): Só vai utilizar a nota do Enem 2011 para destinar vagas ociosas do vestibular 2012 e do Programa de Avaliação Seriada.
# UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU

Região Nordeste :
# UFC (Universidade Federal do Ceará): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFPI (Universidade Federal do Piauí): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFAL (Universidade Federal de Alagoas): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia): Todas as vagas do vestibular serão  preenchidas pelo SiSU
# UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco): Todas as vagas do vestibular serão  preenchidas pelo SiSU
# UFS (Universidade Federal de Sergipe): Para ingressar na universidade em 2012 é preciso se  inscrever no vestibular da faculdade, apenas vagas remanescentes serão destinadas aos alunos que utilizarão a nota do Enem 2011.
# UFBA (Universidade Federal da Bahia): Adotará o Enem como único modo de seleção para os cursos de Bacharelados Interdisciplinares e Superiores de Tecnologia. A universidade não utilizará o SiSU, por isso é preciso se inscrever no Vestibular 2012.
# Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira): Usará exclusivamente a nota obtida no Enem 2011, mas não utilizará o SiSU
# UFPB (Universidade Federal da Paraíba): 20% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UFCG (Universidade Federal de Campina Grande): Usará exclusivamente a nota obtida no Enem 2011, mas não utilizará o SiSU
# UFMA (Universidade Federal do Maranhão): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFRPB (Universidade Federal Rural de Pernambuco): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# Univasf (Universidade Federal do Vale São Francisco): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU

Região Norte :
 # UFAC (Universidade Federal do Acre): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFPA (Universidade Federal do Pará): Substituirá a primeira fase do vestibular 2012 pelo ENEM 2011
# UFRR (Universidade Federal de Roraima): 20% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará): Usará exclusivamente a nota obtida no Enem 2011, mas não utilizará o SiSU. O aluno deve fazer inscrição no vestibular da universidade.
# UFAM (Universidade Federal do Amazonas): 50% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UNIR (Universidade Federal de Rondônia): Substituirá a primeira fase do vestibular 2012 pelo Enem 2011

Região Sudeste :
# UFU (Universidade Federal de Uberlândia): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFES (Universidade Federal do Espírito Santo): Substituirá a primeira fase do vestibular 2012 pelo Enem 2011
# UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais): Substituirá a primeira fase do vestibular 2012 pelo Enem 2011
# UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora): Substituirá a primeira fase do vestibular 2012 pelo Enem 2011
# Unifesp (Universidade Federal de São Paulo): O vestibular para alguns cursos será pelo sistema misto(soma da nota do Enem e de prova aplicada pela Unifesp) e para outros o exame nacional é a única forma de ingresso.
# UFLA (Universidade Federal de Lavras): 60% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri): 50% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UFABC (Universidade Federal do ABC): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFV (Universidade Federal de Viçosa): 80% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU
# UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro): Pelo menos 60% das vagas da Instituição serão destinadas ao SiSU, como aconteceu em 2011. Todos alunos interessados em ingressar na universidade, independente do curso, devem prestar o Enem 2011
# UFF (Universidade Federal Fluminense): 20% das vagas do vestibular 2012 serão destinadas ao SiSU

Região Sul :
# UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul): Usará exclusivamente a nota obtida no Enem 2011, mas não utilizará o SiSU. O aluno deve fazer inscrição no vestibular da universidade.
# UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# Unipampa (Universidade Federal do Pampa): Todas as vagas do vestibular serão
preenchidas pelo SiSU
# UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul): Utilizará a nota do Enem 2011 como uma 10ª prova do seu vestibular. A universidade divide o processo seletivo em nove provas de nove disciplinas. O Enem terá peso dois no resultado final.
#Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana): Já definiu que utilizará a nota do Enem como fator de seleção, mas ainda não confirmou a adesão ao SiSU.
# UFSM (Universidade Federal de Santa Maria): A nota obtida no Enem 2011 representará 20% da pontuação final do vestibular
# UTFPR (Universidade Tecnologica Federal do Paraná): Todas as vagas do vestibular serão preenchidas pelo SiSU
# UFPel (Universidade Federal de Pelotas): 90% das vagas do vestibular 2012 serão
destinadas ao SiSU


Observe que o ingresso na maioria das universidades  dar-se-á mediante inscrição no SISU. FIQUE ATENTO!!!!!!


Fonte: Mundo Vestibular/Universia

sábado, 30 de julho de 2011

"Um olhar sobre Rondônia" em exposição na casa de cultura Ivan Marrocos



Foi inspirado na fauna, na flora e no cotidiano amazônico que o artista plástico Franciney produziu as mais de 30 telas e esculturas, que estão em exposição na Galeria de Artes Visuais Afonso Ligório da Casa da Cultura Ivan Marrocos.
O paraense que escolheu a capital Porto Velho como moradia, começou a pintar muito cedo, sempre inspirado na paisagem regional. Certo dia se deparou com as pinturas do portovelhense Afonso Ligório e passou a ser um representante do estilo adotado pelo mestre, que retratava expressões inocentes, porém verdadeiras da exuberante beleza amazônica.
Esta exposição tem um personagem especial, o Sr. Alcebiades Gomes, de 93 anos que foi homenageado com uma pintura que mostra o seu dia-a-dia, como atuante no setor de reciclagem. “O próprio ambiente me inspira, e o Sr. Alcebiades é uma figura regional que representa muito bem esse cotidiano amazônico, por isso mereceu essa homenagem”, afirmou o artista plástico.
Com pinturas que representam as belezas e o cotidiano da região, a exposição fica aberta para visitação até o dia 15 de agosto na Galeria de Artes Visuais Afonso Ligório, na Casa da Cultura Ivan Marrocos, diariamente das 08h00 às 21h00
Fonte: rondoniaovivo.com

sábado, 23 de julho de 2011

5ª CULTURAL DO BASA APRESENTA BADO E SÉRGIO SOUTO

 A MASTER CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA coordenadora das Quintas  culturais do BASA ,bem como de diversos projetos culturais em Porto Velho, apresenta no próximo dia 28/07 (quinta-feira)  às 19:30h no TEATRO BANZEIROS  os músicos BADO e SÉRGIO SOUTO.




O cantor, compositor e instrumentista, Bado tem no conjunto de suas obras e participações artísticas experiências em vários movimentos culturais. Ao longo de sua trajetória, o compositor se envolveu em vários projetos, inclusive de âmbito nacional, quando se apresentou levando a música amazônica no Projeto “Rio Brasil”, Sala Cecília Meireles e Museu da Imagem do Som (junho,1992) no Rio de Janeiro, resultando na gravação do disco Porto das Esperanças. No ano de 1995, Bado e outros artistas participam do Projeto “escola viva”, resultando na gravação de um disco denominado “Amazônia em Canto”. Na segunda metade da década de 90, se apresenta em festivais e mostras musicais fora do Estado, como: FEMUCIC (Maringá, PR); Teatro Francisco Nunes (Belo Horizonte-MG); Teatro Amazonas (Manaus/AM) e Espaço SEBRAE – Brasília/DF. Em 2000/2001 foi selecionado pelo Projeto “RUMOS” Itaú Cultural e passa a integrar a Cartografia Musical Brasileira, realizando Shows em São Paulo na Sala Azul Itaú Cultural. No ano seguinte se apresenta em Belém (PA) no 5ª Cultural do Banco da Amazônia e no Rio de Janeiro pelo Projeto “Cantorias Amazônica” no Teatro 2, Centro Cultural Banco do Brasil. No ano de 2005, grava seu primeiro disco solo intitulado “Aldeias de Sons” e foi classificado pela FUNARTE para se apresentar no Projeto “Pixinguinha” em 8 (oito) cidades do sul e sudeste do Brasil no mês de setembro (2005). A convite do compositor paraense Nilson Chaves, Bado participa do Show “Gente da mesma Floresta”, realizado em São Paulo em abril de 2006, com gravação ao vivo em DVD. Atualmente, Bado continua difundindo seu trabalho em várias regiões do País, traduzindo dessa forma a necessidade relevante da construção de uma identidade musical amazônica.




Sérgio Souto, cantor e compositor, nascido na cidade de Sena Madureira no estado do Acre. Aos quinze anos mudou-se para o Rio de Janeiro, trazendo na bagagem da memória os sons da Amazônia. O violão aprendiz começa a mesclar a inquietude urbana com a tranquilidade da mata, e a partir de 1979 começa a compor profissionalmente. O cantor participou de quase todos os grandes festivais de música do país: Rodada Brahma de Música Popular Brasileira; Festival 79 da TV TUPI, em São Paulo; Festival dos Festivais da TV GLOBO; Festival Rímula de Música do SBT, em São Paulo; Festival O Som das Águas da TV Manchete, em Lambari, MG; entre outros. Se apresentou pelos principais palcos do Brasil, tais como Maracanãzinho, Anhembi, Olimpia, Teatro Amazonas, Teatro da Paz, Teatro Castro Alves,Teatro Carlos Gomes (ES), Teatro Plácido de Castro e Dragão do Mar. Em 2010, no Rio Grande do Sul inicia uma nova turnê em comemoração ao aniversario do seu parceiro e amigo Sergio Napp, um dos grandes poetas da musica gaucha, e em seguida grava o CD “FRENTE E VERSO” só com a obra dos dois. Sergio Souto tem onze discos gravados e prepara o lançamento do 12º este ano. Tem músicas gravadas por Jessé, Cristina Santos, Nelson Gonçalves, Fabíola Sendino, Elba Ramalho, Ângela Jobim, Luciah Helena, Eliana Printes, Nilson Chaves, Jota Maranhão, Grupo Moxuara e muitos outros. A espontaneidade do seu processo de compor, associa-se aos trabalhos de seus parceiros letristas Paulo Cesar Pinheiro, Sergio Natureza, Amaral Maia, Aldir Blanc, Sergio Napp, Jota Maranhão, Agenor de Oliveira, Joãozinho Gomes, Jorge Andrade, Celdo Braga, Jorge Vercilo e muitos outros. Esta fusão retoma a mescla da temática urbana complexa e densa com a naturalidade desse Acreano atento aos sons dos Brasis presentes na nossa realidade.

A Master Consultoria e serviços Ltda dirigida por Edgar Melo e Petris Salvi ressaltam que um dos objetivos do projeto 5ª Cultural é promover a cultura regional e contribuir com o surgimento de novos talentos e,outro ponto relevante do projeto 5ª Cultural é o fato de estar envolvido com a causa social, já que para ter acesso às apresentações, o público contribui com 02 Kg de alimentos não perecíveis para serem doados a instituições de cunho social que estejam cadastradas no Banco da Amazônia.


Portanto,participem, pois além de colaborar com instituições carentes você certamente ouvirá e assistirá a um grande show com  BADO e SÉRGIO SOUTO.


Dia: 28/07
Horário: 19:30h
Local: Teatro Banzeiros (perto da Unir Centro)
Ingresso: 2 kg alimentos não perecíveis

MASTER CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA - Av. Brasília - 1130 (próximo a São Lucas) - fone: 3229-8116 , e-mail: master.c.s@hotmail.com


quarta-feira, 20 de julho de 2011

CONFÚCIO E A EDUCAÇÃO

* POR FRANCISCO XAVIER GOMES
Durante a campanha, o então candidato Confúcio Moura pregava que alguns setores de seu governo, caso vencesse, seriam considerados como “prioridade”. Sinceramente, desejo, quando ele deixar o governo e voltar a clinicar, que nunca trate nenhum de seus pacientes como prioridade, pois isso certamente acarretaria a morte precoce da pessoa.

Prioridade, senhor Confúcio, é tratar com respeito, com decência, com responsabilidade o patrimônio que não pertence ao senhor ou a qualquer assecla de seu governo. Tais afirmações baseiam-se no fato de que a nomeação feita para cuidar dos destinos da educação é, no mínimo, incoerente. Motivo: verificando a biografia do novo Secretário da Educação de Confúcio, pode-se constatar que entre os grandes feitos alcançados pelo nomeado estão relacionados alguns dos principais, como, por exemplo, o fato de Júlio Olivar ter sido assessor de vereador em Vilhena, assessor do ex-senador Odacir Soares ( e Júlio é comunista), entre outras coisas igualmente grandiosas...Sobre as condecorações, está devidamente registrado em sua biografia que ele recebeu o troféu “PT 20 Anos”, “Trabalhador do ano”, “Moção de Aplauso” da Câmara de Vereadores de Vilhena, e outras raridades...
Apenas comentando os três últimos grandes feitos do meu novo chefe, deve ser uma “molezinha” ganhar o título de trabalhador do ano em câmara de vereadores, onde raramente aparece algum chefe, bem como moção de aplauso da mesma instituição... Quanto ao troféu “PT 20 anos”, prefiro não comentar, em respeito aos muitos amigos que ainda me restam no partido de Lula, principalmente no estado de Rondônia, onde nasci e trabalho há muitos anos na educação.

Se formos fazer uma avaliação sobre os currículos dos professores da Rede Estadual, chefiados por Júlio Olivar, vamos encontrar milhares que fizeram mestrado, doutorado e muitos cursos de aprimoramento, para garantir a qualidade na educação, porém as atitudes do atual governador não evidenciam nenhum respeito pelo currículo de quem dirige a formação das crianças, jovens e adultos de nosso estado. Em pouco tempo, Confúcio vai começar colocar professores para fazerem cirurgias no Hospital João II , que ele também dizia no passado que seria uma prioridade sua , mas que ficou apenas na conversa fiada.
O fato de comentar aqui a trajetória do Secretário da Educação de Confúcio, em nenhum momento tem a pretensão de desqualificar o “camarada”, mesmo porque ele deve ser um brilhante assessor de vereador... E o Partido dos Trabalhadores não daria um troféu tão importante, como o troféu “PT 20 ANOS” para quem não merece. Entretanto, o governador de Rondônia está brincando de fazer educação, ao tomar essa atitude, depois de ter assinado um compromisso na campanha dizendo que ia respeitar a educação. Olhem só que absurdo: o candidato passa três meses dizendo que vai priorizar a educação e assina um documento, como se não existissem obrigações para com este segmento parece que a diretoria do SINTERO conhecia o homem há muitos anos.
Mesmo assim, a assinatura do homem não evidencia muita coisa, pois prefiro pensar que ele não ouviu a direção do sindicato para tomar tal decisão, embora entre seus compromissos assinados esteja o fato de manter com o sindicato da educação um canal “permanente” de comunicação. Porém, embora eu não acredite na atual Executiva do SINTERO, creio que eles não cometeriam mais um ato contra seus representados.
E não adianta nenhum prosélito do Secretário ou do governo dizer que não precisa ser professor para gerenciar as ações da educação. Claro que precisa!! E com boa bagagem na carreira, para fazer o diferencial. Para ilustrar tal fato, duvido que Júlio Olivar consiga fazer um concurso da SEDUC para professor. E sabem por que não consegue? Porque é preciso ter formação universitária em uma das áreas da educação. E ele não tem. Não é de se duvidar que ele apareça com um diploma de professor, num governo que faz mágica, como este de Confúcio. Então por que pode chefiar a SEDUC, se não pode sequer ser professor?

Finalmente, seria importante saber a opinião e a posição do SINTERO sobre esta nomeação para que possamos avaliar com mais clareza a atitude de nossos defensores. Mas, por enquanto, pode-se afirmar, sem medo de errar, que a única professora beneficiada por Confúcio é justamente a presidente do SINTERO, cujo esposo ocupa um cargo de luxo no governo que iria priorizar a educação...Tenho dito!!!


FRANCISCO XAVIER GOMES
GRADUADO EM LETRAS PELA UNIR E PROFESSOR DA REDE ESTADUAL
xaviergomesgm@gmail.com

Fonte: Tudo Rondônia

domingo, 17 de julho de 2011

SOBRE ARTE E CULTURA EM RONDÔNIA




 Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida, ajudantes do seu crescimento ou bálsamo dos combates: postulam sempre sofrimento e sofredores.


Quando sou levado a refletir sobre o que se faz de arte e cultura em Rondônia, fico estarrecido. Primeiro que inexiste uma proposta de política cultural por parte dos agentes públicos. Não me venham falar de construção de teatros, restauração de praças, flor do maracujá e projetinhos do tipo cinco e meia, noite da seresta e todas as manifestações ocorridas em “nosso” Mercado Cultural.

Sei que existem sim produções relevantes, militâncias dignas, iniciativas criativas. Porém, quase tudo o que se faz nessas paragens, é de iniciativa dos heróis, digo artistas que insistem em um fazer cultural que brota do minguado, do soluço, do sufoco, devaneio inesperado, pelo “ser algo pela existência”. Ao redor, uma sociedade insensível, cética, materialista, individualista, profundamente alienada e vazia.
Sei que algumas pessoas, ao seu modo, lutam se desgastam e insistentemente gritam, berram na tentativa de ser ouvido, notado, escutado, identificado, visto e por fim valorizado em seu fazer artístico.

Queridos amigos e parceiros da trincheira cultural, Basinho, Zé-Katraca, Hugo Evangelista, Zola, Antônio Candido, Joesér, Lúcio Albuquerque, Bado, Mado, Bubú, Binho, Bira, Junior Lopes, Ceiça, Ernesto, Dadá, Carlos Moreira, Francisco Matias, Miléo, Rogério Cabral, Átila, Marcos Biezek, Paulo Tomazzele, Julio Yriarte, Scalercio Pires, Pandolfo, Gilson Maciel, Baaribú e tantos, tantos outros que incomodados seguem apegados ao sonho em prol da arte, saber, cultura e educação.
Amigos que desejam manifestações culturais e artísticas que superem as aparências, a mesmice, o cotidiano, o supérfluo, o óbvio, enfim, a lógica do consumo em uma pobre sociedade que não consegue se libertar dos problemas históricos como a pobreza e a corrupção.

Não podemos mais nos contentar com os restos, migalhas, sobras que escorrem nas largas bocas do poder, nos contentar com o que sobra dos orçamentos manipulados pelos coronéis de ontem e de hoje.
Precisamos ser mais firmes, radicais e valentes. Os artistas foram sempre tratados com desdenha e cinismo pelo poder, não é por ser amigo do Tatá, da Berenice, do Chicão, da Bebel, do neto ou sobrinho, do Confúcio ou Sidarta que as coisas mudaram ou vão mudar.

Nas últimas décadas as coisas só pioraram, seja com PT, PMDB, PSDB etc. Machado de Assis definiu que a arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal. O mal está posto, presente e fazendo cada vez mais vítimas.

Não podemos nos acovardar por conta do pão, do cargo, da festa oficial. Não posso concordar com a idéia de que “depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte”.
Definitivamente, nesse país de “artistas bananas” qualquer poeta, pintor, músico, dançarino, para sobreviver precisa arrumar um emprego, pois a arte ainda é tratada pela inteligência nacional e oficial, como coisa de vagabundos. Gostaria de discordar da afirmação de Louis Saint-Just quando afirmou que as artes só produziram maravilhas: a arte de governar só produziu monstros. Tento crer, busco ter fé, motivação, inspiração na mudança cotidiana e quiçá um dia, por resultado de nossas lutas, termos dirigentes mais éticos, justos, leais, solidários e comprometidos com a arte.
Saibam todos, que o valor dos cachês pagos pelas instituições oficiais aos artistas locais, beradeiros, regionais, e todos os adjetivos que possam nos impor rotular, definir, diminuir e identificar, é vergonhoso, é realmente uma prática vilã.

O KLB, Chiclete Com Banana, Asa de Águia, Diante do Trono, Ivete, Cláudia Leite e tantos outros recebem pagamento astronômico, e pior, vão gastar lá adiante, não fica nada para o Estado. Como afirmou um dia meu querido Baaribú Nonato, faço o que eles fazem de costas. Grande amigo, eu não tenho dúvidas.
Retirar equipamentos de som do Mercado Cultural não é tão grave como pagar trezentos reais com mais de três meses após a apresentação para músicos do naipe do Zezinho Maranhão e tantos outros que tão bem conhecemos e aplaudimos. Não é mais grave que derrubar o que restou do prédio histórico do Mercado Cultural. Não é mais grave que a vergonhosa reforma do cemitério da candelária e os milhões que tentamos enxergar na pobre reforma da praça Madeira Mamoré.

Em nosso Estado, verbas públicas estão sendo utilizadas para construir teatro em município onde não existe grupo teatral, banheiro coreano na praça que custou algumas centenas de milhares de reais, viadutos por cima da BR sem a menor necessidade, Prédios públicos com a suntuosidade dos palácios das mil e uma noites, pois possuem colunas de cobre e revelam a opulência em uma sociedade que não consegue dignificar a maioria das pessoas.

Um País onde as lideranças políticas se gabam, sente orgulho de pagar bolsa família, bolsa escola, bolsa universidade, bolsa para presidiário e um salário mínimo, mas mínimo mesmo.
O nosso Estado e municípios gastam dezenas de milhões com comissionados, milhares de pessoas com altos salários sem nunca ter sofrido, batalhado, suado na tentativa de realizar um concurso público.
Pessoas que nunca militaram em prol de tão digno tema como a cultura, foram promovidas por terem feito campanha política para alguém, por terem compreendido que “o escroto do mandatário político é o corrimão do sucesso”.

Chega de ilusões e ingenuidades. Chega de palhaçada. Não podemos ficar no debate paliativo, remendado, momentâneo. Como afirmou Maiakóviski, a arte não é um espelho, mas um martelo para tudo forjar. Precisamos construir outra relação com a causa cultural e artística. Chega do “se eu falar serei punido”. Lembremos o Fernando Pessoa no Poema Em Linha Reta.

Vamos parar de fazer discursos e poses em função dos nossos egos e vaidades e lutar pelo fazer artístico. Como disse um dia Stanislavski: aprendamos a amar a arte em nós mesmos e não nós mesmos na arte.
Vamos compreender que a coisa mais importante é a obra, que sem autor não existe obra. Mais que a restauração porca do pobre patrimônio cultural, lutar pelo reconhecimento digno das pessoas, dos nossos artistas e produtores culturais. (Emmanoel Gomes - Historiador)