sábado, 25 de junho de 2011

BIZARRUS NA QUINTA CULTURAL DO BASA

 ALÔ GALERA TERCEIRÃO - QUERO VÊ-LOS NESSA PEÇA!



                                                              (Foto: Divulgação)

A MASTER CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA coordenadora dos eventos culturais do BASA ,bem como de diversos projetos culturais em Porto Velho, apresenta no próximo dia 30/06  (quinta-feira)  às 19:30h no SEST/SENAT (Rua da beira) próximo a BR364 o renomado espetáculo teatral BIZARRUS.

Bizarrus tem um elenco composto, na maioria, por  ex-detentos e na primeira versão foi assistida por milhares de pessoas pois a peça levou à comunidade e principalmente a estudantes um trabalho de reflexão ,cultura,arte além de uma campanha anti-drogas. O  Diretor Marcelo Felice ,que há mais de 10 anos vem reabilitando através da arte, fazendo um grande espetáculo além da ressocialização diz que: 

"Bizarrus tem dupla conotação: é algo clássico, nobre, de estilo. É também definido como excêntrico, louco e pouco comum. Na peça mostramos esses dois lados da história de cada um, com ritmo, magia, poesia e cenas fortes. Isso é Bizarrus!"

 A peça após um período de recesso voltou a estrear no último  dia 12 para uma seleta platéia com uma  nova versão trazendo uma  nova roupagem, novo roteiro, e também um novo grupo de atores. Agora através da Master e Consultoria estará aberta ao grande público e pelo que se percebe alcançará certamente o sucesso da versão anterior, que foi assistido por mais de 100.000 pessoas durante sua temporada que durou mais de 10 anos. 

A Master Consultoria e Serviços Ltda - coordenada pelos administradores Petris Salvi e Edgar Melo - diz que " Quem assistir ao espetáculo certamente sairá com uma nova visão sobre os ex-presidiários" e comunica que o ingresso será 2kg de alimentos não perecíveis que poderão ser trocados a partir da próxima segunda-feira dia 27/06 no sest-senat ou no próprio Banco BASA.

Não deixe de participar, é um espetáculo que vale a pena!






























MASTER CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA - Av. Brasília - 1130 (próximo a São Lucas) - fone: 3229-8116 , e-mail: master.c.s@hotmail.com



quinta-feira, 23 de junho de 2011

QUEREM ASSASSINAR O PORTUGUÊS

* Por Viriato Moura

Só faltava mais essa: como se não bastassem a sandices produzidas pelos poderosos de Brasília, agora vem o próprio Ministério da Educação (MEC) compactuar com essa tentativa de assassinar de vez a língua portuguesa.

Liberou geral, minha gente. Viva a ignorância! Você está autorizado, oficialmente, a sair por aí dizendo “nós foi”,”os livro”, “o pescador pega os peixe”. Morte sumária à concordância, à gramática em geral, à língua culta; enfim, ao português já tão açoitado pelos que o falam e escrevem. E tem mais: qualquer admoestação a esse jeito errado de dizer é, segundo seguidores dessa proposta absurda, “preconceito linguístico”. Ou seja, uma ofensa a quem assim se expressar.

Acredite, isso tudo aí está acontecendo. Um dos “expoentes” dessa asneira é um tal de Marcos Bagno, professor da Universidade de Brasília (UnB), que já lançou até livro sobre o assunto, em 1990, quando criou o termo “preconceito linguístico”, para o ato de admoestar alguém que cometa esses disparates contra nosso idioma.

Demorou um pouco mas parece que agora querem institucionalizar de vez a parvoíce em nosso país. Uma inversão de valores sem precedentes em nossa história. A ignorância querendo se impor ao saber. Assim como já há pessoas que têm vergonha de ser honestas diante de tanta corrupção, não será de assustar se os detentores de conhecimento tenham vergonha dessa condição ou, pelo menos, se inibam de demonstrá-la.

Pasmem, senhoras e senhores, adotado com o aval do MEC nas aulas de português de meio milhão de estudantes do ensino fundamental, o livro “Por uma Vida Melhor” é a cartilha que esses que se postam como “intelectuais de vanguarda”, na verdade mensageiros da tolice, publicaram para estimular e autorizar que se fale de qualquer modo nosso idioma.

Segundo essa minoria de “professores” que quer tão somente aparecer, essas agressões ao bem falar seriam apenas “variações populares”, e que contestá-las seria preconceituoso. “A idéia de que uma língua culta é um instrumento de dominação da elite é um absurdo que não se vê em nenhuma nação desenvolvida”, diz o linguista Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, conforme cita a revista Veja em sua 21ª edição.

É absolutamente lamentável que esse desserviço à educação, tão deficitária em nosso país, tenha apoio do estado brasileiro através do MEC. Se falar de qualquer jeito pode, logo, logo aparecerão outros desprovidos querendo aprovar uma escrita nesses moldes. Não duvidem, também, (quem ousará duvidar, depois de tudo que já se viu nesse país?) que poderá aparecer um parlamentar querendo transformar em lei essa bobagem, inclusive com punição para os “preconceituosos linguísticos”.

Com tantas críticas procedentes, você deve achar que o MEC, envergonhado por ter escorregado mais uma vez na maionese, determinou a retirada imediata da tal “obra” de circulação e mandou incinerá-la para que nada sobrasse dela, nem lembranças. Lamento dizer-lhe, mas você errou. O MEC, que pagou e distribuiu esses “livros didáticos” (brincadeira!...) decidiu mantê-los nas escolas. Numa visão equivocada da sociolinguística, ramo da linguística que estuda as variações do idioma, endossa esse desrespeito à sua norma culta. Agindo assim, patrocinando e estimulando esses desatinos, o Brasil patina no lamaçal da ortodoxia da estupidez, do obscurantismo. Tudo a lamentar!

Diante de tamanho despautério, é preciso que as pessoas comprometidas com a educação de qualidade nesse país se posicionem com veemência contra esse desserviço e reivindiquem a retirada imediata desse lixo contaminado de contra-senso das mãos dos estudantes que já estão sendo vitimados por ele.

Isso é que caminhar na contramão da história. 
Ah, meu Brasil amado, assim não dá para chegar lá!...

Fonte: Gente de Opinião
* Viriato Moura - Médico especialista em ortopedia, traumatologia, medicina do esporte e medicina do trabalho, Diretor-presidente do Complexo Hospitalar Central, Presidente da Academia de Medicina de Rondônia, Membro da Academia de Letras de Rondônia, jornalista DRT-RO 1067 e Presidente da Regional de Rondônia da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Apresenta aos domingos (11 horas) o programa Viva Porto Velho na RedeTV Rondônia e colaborador do Portal Gente de Opinião. Contato através do E-mail: viriatomoura@globo.com

domingo, 19 de junho de 2011

LAIO - Quando músico é a música que se esvaiu da terra hoje

(Foto: Sergio Ramos)
Hoje, de repente ao abrir um jornal eletrônico me deparo com a notícia sobre a morte de Laio - ou seja, de Francisco Lázaro, ex-integrante do Grupo Anjos da Madrugada. na década de 80. LAIO  era uma pessoa admirável, um excelente músico.

A música dele invadia-nos como vinda do seu interior. Geralmente a música exterior precisa de um instrumento, precisa de uma dualidade - o músico e o instrumento. A música interior não precisa de dualidade - o músico é a música, é o instrumento, é tudo. Não há divisão.Assim era Laio! Uma voz suave,forte que falava além do que se ouvia.

Porto Velho perdeu um grande talento e um homem incrível, Palavras não conseguem descrever realmente quem era LAIO e a música nunca será a mesma sem sua voz em Porto Velho. Ele sempre será um ícone da música regional. Mas pergunta-se: E  a resposta para essa dor da família,de seus amigos,de seus fãs? O tempo é uma certeza...
E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar.admirar tanto e sentir tanto perder alguém.

Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos essas pessoas  queridas em eternos anjos.

 Laio aqui fica nossa homenagem a você:

"Passastes por vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas...
Não faltaram os grandes obstáculos na sua vida até o último momento...
Frequentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos...
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Percorreu  retas, apoiou-se nas curvas, descobriu novos caminhos,lutou,viveu ...

Mas,
Chegou o momento de  seguir viagem sozinho...
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
sua família,seus amigos,seus fãs transpor essa dor da sua partida ;
A nossa saudade será a  nossa esperança de um reencontro aos que, por vários
motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez ao som de sua música.
Vá com Deus,nossa eterna força."

Neste momento deixo a  minha solidariedade a seus familiares, amigos e a todo  fã como eu, por essa triste perda, que deixa uma lacuna irreparável na música em Porto Velho.
Guardamos a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

Para quem em fé a vida e a morte são dois mistérios que não cabe a nós seres humanos desvendar. Para quem tem fé resta um pedido que ele - LAIO -  seja mais um dos nossos intercessores junto ao Cristo. Que Deus conforte toda a sua familia.


"A música interior significa silêncio, o som do silêncio."

OUÇA LAIO, AQUI 
(musica:fonte: Gente de opinião)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Mito Che Guevara

Por: Rodrigo Constantino, O GLOBO

“Amo a humanidade; o que não suporto são as pessoas”. (Charles Schultz)

Estivesse vivo, Ernesto “Che” Guevara completaria hoje 83 anos de idade. O guerrilheiro tornou-se ícone das esquerdas, e é visto como um idealista disposto a dar a vida pela causa. Adorado em Hollywood e Paris, Che foi eternizado pela foto tirada por Korda, que virou estampa de camisetas e biquínis. A ironia do destino transformou o comunista em lucrativa marca de negócios.

Mas, como alertou Nietzsche, a morte dos mártires pode ser uma desgraça, pois seduz e prejudica a verdade. Pouca gente sabe quem Che foi de fato. Se soubessem, talvez sentissem vergonha de defendê-lo com tanta paixão. Seus fãs deveriam ler “O verdadeiro Che Guevara”, de Humberto Fontova, e ver o documentário “Guevara: Anatomia de um mito”, de Pedro Corzo. É impossível ficar indiferente diante de tantos relatos sombrios das vítimas de Che.

Nem deveria ser preciso mergulhar mais fundo nos fatos. Basta pensar que Che foi um grande colaborador da revolução cubana, que instaurou a mais longa ditadura do continente, espalhando um rastro de morte, miséria e escravidão na ilha caribenha. Mas uma pesquisa minuciosa gera ainda mais revolta. Aquele que gostaria de criar na América Latina “muitos Vietnãs” era mesmo um ser humano deplorável.
A cegueira ideológica alimentada pela hipocrisia prejudica uma análise mais isenta dos fatos. Não é preciso muito esforço para verificar que Che Guevara era justamente o oposto do santo que tentam criar. O homem sensível de “Diários de Motocicleta” era o mesmo que declarou que “um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar movida apenas pelo ódio”. Se ao menos os cineastas engajados tivessem lido o diário completo!
Até mesmo as supostas cultura e erudição de Che foram enaltecidas por intelectuais como Sartre. A realidade, uma vez mais, parece menos nobre: um dos primeiros atos oficiais de Che após entrar em Havana foi uma gigantesca queima de livros. Além disso, Che assinou as sentenças de morte de muitos escritores cujo único “crime” fora discordar do regime. Quanta paixão pela cultura!
As estimativas apontam para algo como 14 mil execuções sumárias na primeira década da revolução, sem nada sequer parecido com um processo judicial. Dezenas de milhares de cubanos morreram tentando fugir do “paraíso” comunista. Cuba tinha uma das maiores rendas per capita da região em 1958, e teve sua economia destroçada pelas medidas coletivistas do ministro Che. Nada disso impediu a revista “Time” de louvá-lo como um herói, ao lado de Madre Teresa de Calcutá.
Roqueiros como Santana gostam de associar sua imagem à de Che. Será que ainda o fariam se soubessem que sua primeira ordem oficial ao tomar a cidade de Santa Clara foi banir a bebida, o jogo e os bailes como “frivolidades burguesas”? O próprio neto de Che, Canek Sánchez Guevara, não escapou da perseguição. O guitarrista sofreu nas garras do regime policialesco que seu avô ajudou a criar, e preferiu fugir de Cuba. Homossexuais também foram vítimas de perseguição e acabaram em campos de trabalho forçado. Quanta compaixão!
Sobre a imagem de desapegado de bens materiais, a vida de Che também prova o contrário. Após a revolução, ele escolheu como residência a maior mansão cubana, em Tarara, uma casa à beira-mar com amplo conforto e luxo. A casa fora expropriada de um rico empresário. Além disso, quando Che foi morto na Bolívia ele ostentava um Rolex no pulso. Parece que nem os guerrilheiros resistem às tentações capitalistas.

Aqueles que conseguiram fugir do inferno cubano e não precisam mais temer a represália do regime, relatam fatos impressionantes sobre a frieza de Che. Foram centenas de execuções assinadas em poucos meses, e Che gostava de assisti-las de sua janela. Em algumas ele pessoalmente puxou o gatilho. Ao que tudo indica, Che parecia deleitar-se com a carnificina. Até mulheres grávidas foram executadas no paredão comandado por Che. Nada disso consta nas biografias escritas por aqueles que utilizam o próprio Fidel Castro como fonte. Algo como falar de Hitler usando apenas os relatos de Goebbels.

A ignorância acerca destes fatos explica parte da idolatria a Che Guevara. Mas, como lembra Fontova, “engodo e muita fantasia também o explicam, tudo alimentado de um antiamericanismo implícito ou explícito”. Che, assim como Fidel, desafiou o “império” ianque, e isso basta para ser reverenciado por idiotas úteis da esquerda. Que ele tenha sido uma máquina assassina, isso é um detalhe insignificante para alguns.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ANISIO GORAYEB CONCEDERÁ PALESTRAS NAS ESCOLAS CARMELA DUTRA E RIO BRANCO


Anísio Gorayeb durante uma das palestras no auditório do Colégio João Bento na semana passada. (Foto: Ivo Feitosa)


O historiador Anísio Gorayeb iniciará na próxima sexta feira, 10/06, uma serie de palestras na EEEFM Carmela Dutra, na Avenida Farquar, e na próxima terça feira, dia 14/06, na EEEFM Rio Branco, na Rua Rafael Vaz e Silva. As palestras serão no auditório das escolas e o publico alvo, são os alunos do “terceirão”.

O tema da palestra é: “Rondônia: Historia e Curiosidades”. Anísio descreve nossa historia desde o Tratado de Petrópolis que resultou na construção da EFMM, criação do município, território e estado, personagens e diversas curiosidades. Durante sua palestra, Anísio usa muitas fotos da época como ilustração.

Anísio Gorayeb é economista, jornalista e escreve artigos memorialistas em diversos sites da capital, apresenta o quadro “Historia da Nossa Terra” no Programa Viva Porto Velho, todos os domingos às 12h pela Rede TV, e apresenta aos sábados os programas: “Porque hoje é sábado” na Rádio Transamazônica FM, 105.9, das 09h às 10h da manhã e “Ponto de Vista” na Rádio Cultura FM, 107.9, das 10h às 12h da manhã.

Fonte: Ascom/ Viva Porto Velho

sábado, 4 de junho de 2011

“Florestas: a Natureza a seu Serviço” - 05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente

Ano da Floresta! Dia do Meio Ambiente! Mas afinal o que estamos fazendo para cooperar com o desenvolvimento sustentável a fim de que possamos preservar o mundo para as gerações vindouras? Nada! Continuamos esperando que o "outro" faça,que os políticos façam, que a sociedade faça e esquecemos que a sociedade somo nós.Vejo com pesar que  por mais que se divulguem tragédias e mais tragédias em épocas de chuva - encostas desabando e soterrando milhares de pessoas;enchentes; poluição; desmatamento -  continuamos calado.

Leonardo Boff já disse em um artigo " chegamos a um ponto em que se exige um completo repensamento e reorientação de nosso modo de estar no mundo. Não basta apenas uma mudança de vontade, mas sobretudo se exige a transformação da imaginação. A imaginação é a capacidade de projetar outros modos de ser, de agir, de produzir, de consumir, de nos relacionarmo-nos uns com os outros e com a Terra. A Carta da Terra foi ao coração problema e de sua possível solução ao afirmar:"Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança nas mentes e nos corações. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global" .
 
Mais a frente reafirma com convicção de que " a crise da Terra é conjuntural e não estrutural e pode ser enfrentada com o arsenal de meios que o sistema dispõe, com acordos entre chefes de Estado e empresários quando toda a comunidade mundial deveria ser envolvida. A referência de base não é a Terra como um todo, mas os estados-nações cada qual com seus interesses particulares, regidos pela lógica do individualismo e não pela da cooperação e da interconexão de todos com todos, exigida pelo caráter global do problema. Não se firmou ainda na consciência coletiva o fato de que o Planeta é pequeno, possui recursos limitados, se encontra superpovoado, contaminado, empobrecido e doente. Não se fala em dívida ecológica. Não se toma a sério a crise ecológica generalizada que é mais que o aquecimento global. Não são suficientes a adaptação e a mitigação sem conferir centralidade à grave injustiça social mundial, aos massivos fluxos migratórios que alcançaram já a cifra de 60 milhões de pessoas, a destruição de economias frágeis com o crescimento em muitos milhões de pobres e famintos, a violação do direito à seguridade alimentar e à saúde. Falta articular a justiça social com a justiça ecológica."

O rápido crescimento econômico veio com custos que raramente são mencionados na contabilidade nacional. Eles vão desde poluição da água e da atmosfera à degradação do setor da pesca e das florestas, tudo que causa impacto na prosperidade e no bem-estar humano. O tema do Dia Mundial do Meio Ambiente este ano, “Florestas: a Natureza a seu Serviço”, enfatiza o valor multimilionário deste e de outros ecossistemas para a sociedade – especialmente das sociedades mais pobres.
Jamais conseguiremos  construir um mundo mais justo e equitativo se não dermos o mesmo peso aos três pilares do desenvolvimento sustentável: social, econômico e ambiental. Para reduzir a pobreza de maneira sustentável, garantir segurança alimentar e de nutrição, e oferecer empregos decentes para as crescentes populações, devemos fazer um uso mais inteligente de nosso capital natural.E como disse Leonardo Boff "é preciso transformar mentes e corações" para que isso ocorra de forma equilibrada, mas o que se percebe ainda é um misto de interesse político e  no próprio bolso.

 Índia, a anfitriã global do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2011, está entre o crescente número de países que têm trabalhado para atender às pressões das mudanças ecológicas. Também está ajudando a criar uma avaliação melhor dos valores econômicos dos serviços baseados na natureza, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Banco Mundial. A Lei de Emprego Rural da Índia e o incentivo do país nas energias renováveis são exemplos importantes de como dimensionar o crescimento verde e acelerar a transição para uma economia verde,enquanto isso o Brasil anda na contramão aprovando um código florestal nada ajustável aos padrões necessários à preservação.

Cabe a cada um de nós atentarmos para os "valores mínimos como a sustentabilidade, o cuidado, a responsabilidade coletiva, a cooperação e a compaixão ou  poderemos nos acercar de um abismo, aberto lá na frente."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Anísio Gorayeb Filho encerra ciclo de Palestras no JBC

Anísio Gorayeb Filho* encerrou na data de hoje seu ciclo de Palestras "Rondônia-Curiosidades"  na EEEFM Prof.João Bento da Costa. O  tema da palestra, além de trazer um panorama geral sobre os fatos pertinentes à História Regional , trouxe o lado curioso da história,como por exemplo a primeira boate com luz negra em Porto Velho;a iluminação da pista do aeroporto realizada com os "jipes e lambretas da época";o bloco da "cobra" e o desfile das fantasias de luxo nos carnavais da época;a visita de Getúlio Vargas; a visita de JK;os homens que deram início a construção dos prédios históricos de Porto velho;os navios que aqui aportavam;os seringalistas; a evolução e/ou crescimento de Porto Velho desde a EFMM; várias fotos entre outros temas que prenderam a atenção dos alunos que participaram.

Há uma frase que diz "Ou aprendemos a partilhar conhecimento ou não vamos a lugar nenhum”,Anísio Gorayeb soube fazer isso de uma forma contagiante instigando ao debate e a participação dos alunos e,embora alguns alunos permanecessem calados os elogios apareceram aos finais das palestras. A excelência de sua apresentação no desenvolvimento do tema levou-os a reflexões que certamente contribuiram para o crescimento do conhecimento concernente à História Regional, pois a paixão com que Anísio descreveu cada foto apresentada, cada momento vivido no seu passado despertou nos adolescentes o interesse na busca de mais informações sobre o Estado em que residem,além das informações que já adquirem no decorrer do ano letivo com seus professores de História. Anisio de uma forma surpreendente soube envolvê-los na discussão e trouxe-os para o debate com competência e coerência entre o que fala e sente.


"Partilhar conhecimento dá significado à aprendizagem e contar com pessoas que realizam isso de forma espontânea só traz benefícios à comunidade estudantil" declarou a professora de Língua Portuguesa.Já o prof. Francisco - Diretor do JBC disse que: "O espírito de partilha tem de começar pela visão prospectiva dos gestores de Escola e que cabe a eles criar um ambiente que encorage a partilha de conhecimento por diversos segmentos da sociedade, derrubando as barreiras culturais que ainda existem de que a Escola Pública não ensina nada", prof. Valdeci de História disse que "Uma das mais importantes estratégias que pode ser seguida é a de alimentar nos colaboradores a vontade de partilhar e contribuir para a base de conhecimento".

Portanto, fica aqui registrado o agradecimento da Escola João Bento da Costa  ao Sr. Anísio Gorayeb, pois o mesmo é  alguém que emerge de dentro do jornalismo - sua função principal -  e que simultaneamente tem o know-how  e a experiência para entender as questões educacionais e  partilhar isso de forma espontânea e contagiante.


*Anísio Gorayeb Filho é colaborador do Gente de Opinião, natural de Porto Velho, economista, jornalista  e funcionário publico. Apresenta programa nas rádios Transamazônica FM e Cultura FM, e o quadro “Histórias da Nossa Terra” no programa VIVA PORTO VELHO, que vai ao ar todos os domingos ao meio dia pela Rede TV.

sábado, 28 de maio de 2011

A epopéia colonizadora

* História Regional

Para os jovens de Rondônia, Costa Marques é o Município desse Estado no qual está localizado o histórico Forte Príncipe da Beira. Mas antes de dar nome ao Município de Costa Marques, Esperidião Marques foi o antigo nome de Guajará-Mirim, que hoje é a maior cidade rondoniense, na fronteira com a Bolívia.

A figura do engenheiro Manoel Esperidião da Costa Marques tem uma história que vai além da epopeia colonizadora regional da Amazônia. Não é por acaso que, além de dar nome cidade, porto, cachoeira, escolas e ruas, Esperidião Marques também tem o sangue de Rondon – sua mãe era Augusta Nunes Rondon, casada com o tenente-coronel Salvador da Costa Marques.

Esperidião Marques, como ficou mais conhecido, nasceu em Poconé (MT) em 1859. Aos nove anos, elaborou a maquete em argila de toda sua cidade, com praças coretos e jardins, ruas e avenidas, casas, solares e casebres, becos e ruelas, rios e acidentes geográficos, granjeando elogios gerais. Era a veia do engenheiro que transparecia.

 Já plenamente enfronhado na política, é eleito deputado geral e, nessa condição, aos 29 anos participa da redação de um dos mais importantes documentos da História brasileira, a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. No Mato Grosso, essa participação é muito valorizada. Sua ajuda à princesa Isabel, nesse caso, resulta do voto dado à Lei Áurea, que surgiu como um enorme rascunho mas, ao final, ficou reduzido a poucas linhas.

Dez anos mais tarde, em 1898, Costa Marques começaria a saga que o tornou uma personalidade histórica para o início da exploração da Amazônia. Dedicou-se ao estudo da navegabilidade do rio Jauru, desde a barra no Paraguai até o Porto do Registro. Foi nesta época que seu amigo Balbino Maciel solicitou-lhe um estudo de viabilidade de construção de uma estrada de ferro ligando Porto Salitre (futuro Porto Esperidião) à Ponte Velha no rio Guaporé.
Depois da exploração do Guaporé (1896–1898), retornou à região no período 1901–1903 em missões para levantar o potencial econômico e extrativista da região, criar os postos fiscais de arrecadação do Estado.

A missão de Cândido Rondon estendeu linhas telegráficas pela região estudada por Costa Marques. A linha de Cáceres a Mato Grosso, depois Vila Bela da Santíssima Trindade, foi inaugurada em 21 de fevereiro de 1908 e de seu percurso fazia parte a estação de Porto Salitre. Como o engenheiro Costa Marques morreu de malária, em 18 de abril de 1906, Cândido Rondon pensou em homenageá-lo dando ao Porto Salitre o nome de Porto Esperidião, que seria oficializado em 1920.


Fonte: Carlos Sperança.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA - UNIR
COMISSÃO PERMANENRTE DE PROCESSO SLERTIVO DE DISCENTE - CPPSD
COMUNICADO

A Universidade Federal de Rondônia – UNIR comunica a todos que as inscrições do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM/2011 serão realizadas no período 23 de maio a 10 de junho de 2011 e as provas serão aplicadas nos dias 22 e 23 de outubro de 2011.

A UNIR alerta ainda que o resultado do ENEM fará parte do Processo Vestibular/2012/UNIR. Portanto, todos os que estiverem interessados neste processo deverão realizar sua inscrição no ENEM.

Informa também a estrutura do Exame do ENEM:

 Serão aplicadas quatro provas objetivas contendo cada uma 45 questões de múltipla escolha;
 Uma redação.

Realização das Provas:
 No dia 22 de outubro serão realizadas as provas de Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciência da Natureza e suas Tecnologias com duração de 4 horas e 30 minutos.
 No dia 23 de outubro serão realizadas as provas de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, Redação e Matemática e suas Tecnologias com duração de 5 horas e 30 minutos.

A Comissão do Vestibular.
Fonte: Unir

Romanceiro da Inconfidência - Cecília Meireles

No livro  Cecília Meireles nos leva direto para a Inconfidência Mineira, trazendo em forma de poesia todos os acontecimentos da época, como se estivesse vivendo cada estante a qual escreveu. Surpreendente em detalhes e em argumentos que provam a veracidade dos acontecimentos, ela se destaca mais uma vez no seu estilo, trazendo não só a história para todos, mas sim introduzindo Cecília Meireles em nossas vidas.

Para entender este livro se faz necessário um conhecimento prévio à respeito da história da  Inconfidência Mineira   e autores do arcadismo como Tomás Antonio Gonzaga,Cláudio Manuel da Costa

Tematicamente, pode-se localizar a ambientação da narrativa nos primeiros 19 romances. A descoberta do ouro, o início de uma nova configuração social com a chegada dos mineradores e toda a estrutura formada para atendê-los, os costumes, os “causos”, como o da donzela morta por uma punhalada desferida pelo próprio pai (Romance IV), ou os cantos dos negros nas catas (VII), o folclore, a história do contratador João Fernandes e de sua amante Chica da Silva e o alerta sobre a traição do Conde de Valadares (XIII a XIX). A ênfase recai na cobiça do ouro, que torna as pessoas inescrupulosas.

Vila Rica é o “país das Arcádias”, numa alusão direta ao neoclassicismo brasileiro, com seus principais poetas e suas pastoras: Glauceste Satúrnio e Nise, Dirceu e Marília (Tomás Antônio Gonzaga). No belo Romance XXI, as primeiras idéias de liberdade começam a circular.

A partir do Romance XXIV, a insatisfação, a revolta contra a corte portuguesa é explicitada com a confecção de uma bandeira (Libertas quae sera tamen). Do XXVII ao XLVII, há a atuação do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que procurava atrair mais gente para a conspiração, em longas cavalgadas pela estrada que levava ao Rio. Contudo, os planos são abortados antes de ser efetivamente colocados em prática por causa dos delatores, principalmente Joaquim Silvério dos Reis (XXVIII).

Segue-se uma devassa completa, prisões, confisco de bens, falsos testemunhos, a morte de Cláudio Manuel da Costa, o Glauceste Satúrnio, sob condições misteriosas (XLIX), a execução de Tiradentes, antecipada na fala do carcereiro (LII) e explicitada nos romances LVI a LXIII.


Após um período como magistrado, Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu, é também preso, julgado e condenado ao exílio em Moçambique (LIV e LV). Lá, longe de sua ex-noiva e agora inconsolada Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília (LXXIII), casa-se com Juliana de Mascarenhas (LXXI).

Os romances finais falam do poeta Alvarenga Peixoto, sua esposa, Bárbara Eliodora, e sua filha, Maria Ifigênia (LXXV a LXXX); o retrato de Marília idosa; lamentos pela calamidade mineira; e a loucura e morte de D. Maria I (LXXXII e LXXXIII). A obra é concluída com a “Fala aos
Inconfidentes Mortos”:

E aqui ficamos
todos contritos,
a ouvir na névoa
o desconforme,
submerso curso
dessa torrente
do purgatório...
Quais os que tombam,
em crimes exaustos,
quais os que sobem,
purificados?

Um dos romances mais significativos, o XXIV, relaciona o ato da confecção da bandeira dos inconfidentes com todo o movimento que eles preparavam em Ouro Preto.

  • Primeira parte: a “Fala Inicial”, o primeiro “Cenário” e os romances I — XX.
  • Segunda parte: Romances XXI — XLVII.
  • Terceira parte: Romances XLVIII — LXIV.
  • Quarta parte: Romances LXV — LXXX.
  • Quinta parte: Romances LXXXI — LXXXV, mais a Fala aos Inconfidentes Mortos.

Portanto ,há  três estruturas que se alternam no poema:

  • Romances - a obra apresenta-se estruturada em 85 romances, além de outros poemas, como os que retratam os cenários. Total de 95 textos. Em sua composição, é utilizada principalmente a medida velha, ou seja, a redondilha menor, verso de cinco sílabas poéticas (pentassílabo) e, predominantemente, a redondilha maior, verso de sete sílabas (heptassílabo), além de versos mais curtos, tercetos, quadras, sextilhas, refrões e versos decassílabos. Os romances não são dispostos na seqüência cronológica dos acontecimentos; ora aparecem isolados, ora constituem-se em verdadeiros ciclos (o de Chica da Silva, o do Alferes, o de Gonzaga, o da Morte de Tiradentes, o de Gonzaga no exílio, o de Bárbara Heliodora, o da Rainha D. Maria);
  • Cenários- situam os ambientes, marcando as mudanças de atmosfera e localizando os acontecimentos: Imaginária serenata e Retrato de Marília.
  • Falas - representam uma intervenção do poeta-narrador, tecendo comentários e levando o leitor à reflexão dos fatos referidos: Fala inicial, uma Fala à antiga Vila Rica, uma Fala aos pusilânimes, uma Fala à comarca do Rio das Mortes e pela Fala aos inconfidentes mortos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Anjo Negro - Resenha

A peça de Nelson Rodrigues, que esteve sob censura durante dois anos tem três atos e  narra a polêmica história de Ismael, negro que renega a própria cor, e de sua mulher Virgínia, branca , que não aceita a prole mestiça gerada na relação com o marido. Tomada pelo louco desejo de ser mãe de um filho branco, Virgínia comete adultério com Elias, o irmão de criação branco e cego de Ismael. Desse breve envolvimento nasce afinal uma criança, branca como a neve, para a felicidade da mãe. Mas o nascimento é apenas o início de novas tragédias que surgirão no decorrer da peça.

A peça é apresentada em três atos. Em sua primeira encenação o cenário apresentou-se sem nenhum caráter realista: um pequeno caixão de seda branca ocupava o andar térreo da casa onde dez senhoras pretas se postaram em semicírculo e formaram um coro, como no teatro grego. No segundo andar, duas camas, uma delas quebrada, ajudavam a compor o cenário. No primeiro andar, Ismael, o negro que representa o anjo, vestia um terno branco, engomadíssimo, e calçava sapatos de verniz. No andar de cima, Virgínia, sua esposa, branca, trajava luto. “A casa não tem teto, para que a noite possa entrar e possuir os moradores. Ao fundo, grandes muros que crescem à medida que aumenta a solidão do negro” (p.125). É nesse cenário que se inscreve o drama,
Parece haver uma preocupação do autor em perturbar o leitor,utilizando o choque para trazer à tona tudo o que está velado na sociedade. Trata-se de uma tragédia com um desfecho inesperado: embora tudo induza ao fato de que Virgínia será morta pelo marido, a história termina com a morte da filha de Virgínia, tramada pela própria mãe com a ajuda de Ismael. A sexualidade, apresentada sempre de forma corrompida. O sexo está o tempo todo relacionado à violência e ao desejo proibido.

O tema central da peça é o preconceito, pois conta a história de um médico negro de sucesso, que, por preconceito contra a sua raça, enclausura-se dentro de casa com a mulher branca e preconceituosa, Virgínia, casada com ele à força.
A atmosfera é densa, todos ali são preconceituosos. Ninguém pode se aproximar da casa de muros altos nem sair para a rua. Virgínia mata um a um os filhos pretos que nascem de sua união com o marido, afogando-os no tanque. Ismael finge que não vê, pois renega a própria cor. 

A condição de Ismael enquanto homem superior é bastante delicada, ele é um excelente médico o que lhe garante grande prestígio social, também é esforçado, venceu por meio de seus próprios esforços às adversidades que a vida lhe trouxe, mas renegou a família e faz de sua esposa uma prisioneira, além de ser cruel com todos à sua volta. Também não tem uma posição de liderança, ele só se impõe à esposa. Mas o seu erro também foi o motivo que lhe trouxe prestígio. Ele erra por ter vergonha de sua cor, mas ele também se esforça e vence na vida por isso mesmo. Ele quer compensar sua cor com qualidades que quase só os brancos têm neste momento histórico. Ele tem a trajetória do herói trágico, durante a peça, passa da fortuna ao infortúnio. Na morte do filho, no primeiro ato, ele é um homem de prestígio apesar de marcado pela tristeza da perda de todos os filhos. Já no final acabam só ele e a esposa partindo para uma morte em vida, após os dois terem matado seus filhos; ela, os meninos e ele, a menina.

Virgínia, sua esposa, assassina por afogamento, um a um os filhos que trazem em si a marca da mestiçagem e odeia a filha, fruto do adultério com o cunhado Elias. Ela não quer que haja descendência do negro, seu marido. Ismael é testemunha dos crimes da mulher e acreditava que esses crimes os uniam ainda mais. Isso fica claro quando, próximo ao final da peça, Ismael diz a Virgínia saber ser ela a assassina dos filhos e que, mesmo assim, nada fez para impedir o ato. Ambos recusavam a mestiçagem, os traços negros na pele. Tal qual na tragédia grega, a maldição atinge a descendência. A mãe de Ismael o teria amaldiçoado por este repudiar a própria cor e ele a culpa por ser negro, problema que tentou disfarçar tornando-se um médico competente e rico. Acreditava que, alcançado status, poderia encobrir o fato de ter a pele negra.

Ismael, por sua vez, rejeita sua cor. A inveja que sentia de seu irmão branco, de criação, Elias, leva-o a cegar Elias, ainda na infância, através de uma engendrada troca de remédios. É também pelas mãos de Ismael que Elias morre, num ato de vingança pela traição sofrida, uma vez que Elias cedeu à sedução de Virginia. A singularidade Ismael contrasta com a grande galeria de homens e mulheres rodriguianos, onde, em determinado momento da ação, os personagens retiram as máscaras e se apresentam, inesperadamente, na mais completa nudez psíquica. O que faz uma pessoa renegar a própria cor? Este é o questionamento rodrigueano expresso pela voz de Elias.

Decidido a "se tornar branco", Ismael executa, com êxito e sem remorso, sua estratégia. Com formação superior, era um "médico de mão cheia, de muita competência, o melhor de todos"; casou-se com uma mulher branca e muita linda e renegou a mãe negra, causadora de sua desgraça.Vestia-se sempre de branco, impecável. Quando a peça começa,Virgínia e Ismael estão casados, tiveram três filhos negros, mas todos foram mortos por ela. Tendo sido violentada por Ismael, obrigada a se casar com ele e encarcerada dentro de casa, Virgínia aguarda o momento da vingança definitiva, gerar um filho branco. Enquanto transcorre o velório do terceiro filho, chega à casa Elias, o irmão de criação de Ismael, branco e cego, trazendo a maldição da mãe negra. Seduzido por Virgínia, Elias é em seguida morto por Ismael. Ela engravida e dá a luz uma menina branca. Ismael, durante meses, se debruça sobre o berço para que a menina não esqueça sua cor e, completando seu plano, um dia pinga ácido nos olhos dela, cegando-a. Assim, Ana Maria jamais saberia que o pai é negro. Pai e filha desenvolvem uma paixão desmedida. Ela acredita que o pai é branco e que todos os outros homens são negros e perversos.

Dezessete anos depois, Ismael constrói um mausoléu para viver com a filha, onde nenhum desejo de branco pudesse alcançá-la, mas Virgínia enlouquece vendo-se substituída pela filha e consegue convencer Ismael a abandonar Ana Maria sozinha no túmulo de vidro. Juntos continuam, Virgínia e Ismael, a gerar filhos negros que serão mortos.



COMENTANDO

. Os três infanticídios, os dois cegamentos, o assassinato, a impressão de Virginia de estar sendo violentada ao ter relações sexuais com o marido, além do confinamento de Ana Maria num mausoléu – engendrado por Virginia e Ismael ao final da peça – delineiam a trama de Anjo Negro.

Ismael não consegue disfarçar nem superar as contradições de um corpo marcado insistentemente pelo efeito da voz que, em seu ato complexo de vocação e invocação, reproduz o efeito do olhar, inscrito historicamente por um passado escravista. Paralisado, ele não consegue alçar à condição de desejante, sujeito este capaz de sustentar suas escolhas, com todas as particularidades que uma posição assim nos revela e nos exige em termos de renúncia.

O que, na peça, é fadado ao silêncio? O que não pode ser mostrado e, ao mesmo tempo, é explicitado no texto? Nelson aponta para a problemática racial em que, certamente, se articulam os subsídios para uma teoria social do Brasil, onde se destaca a violência como fator de base dos fundamentos estruturais do modelo étnico-social brasileiro. A peça explicita a vivência de amor/ódio num casal inter-racial e a ambiguidade diante de sua linhagem mestiça. O estilo poético-realista de Nelson Rodrigues revela, de maneira perturbadora, temas adormecidos no inconsciente. Ele revolve esse universo profundo do espectador trazendo à consciência o recalcado e utiliza-se da tragédia para falar do racismo. Assim, remete-nos ao drama grego: a tragédia, pois somente o trágico daria conta de desvendar essa realidade brasileira relegada às trevas – o racismo. Algo da ordem do trágico, tal qual é explicitado no drama grego, pode estar muito próximo de nós, se considerarmos que, enquanto humanos, vivenciamos as emoções que o perpassam.
 
Obra difícil e aberta a várias interpretações, Anjo Negro é considerada atualmente a grande obra-prima de Nelson Rodrigues. 

Fonte: Resenha adaptada do Guia do Estdante,

Vidas Secas - Resenha

Vidas Secas é uma obra que se insere no ciclo do romance regionalista nordestino desenvolvido ao longo dos anos 30,constituindo-se um dos marcos do Neo-Realismo na literatura brasileira.esde seu lançamento, passou a ser considerado pela crítica como o ápice da mudança de rumos operada pelo Modernismo,desde que José Américo de Almeida publicara A bagaceira em 1928. 






O livro Vidas Secas retrata fielmente a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas como nos dias de hoje tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade, seca, o que nos remete a idéia de que o homem se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.


Mudança
Em meio à paisagem hostil do sertão nordestino, quatro pessoas e uma cachorrinha se arrastam numa peregrinação silenciosa. O menino mais velho, exausto da caminhada sem fim, deita-se no chão, incapaz de prosseguir, o que irrita Fabiano, seu pai, que lhe  dá estocadas com a faca no intuito de fazê-lo levantar. Compadecido da situação do pequeno, o pai toma-o nos braços e carrega-o, tornando a viagem ainda mais modorrenta.
A cadela Baleia acompanha o grupo de humanos agora sem a companhia do outro animal da família, um papagaio, que fora sacrificado na véspera a fim de aplacar a fome que se abatia sobre aquelas pessoas. Na verdade, era um papagaio estranho, que pouco falava, talvez porque convivesse com gente que também falava pouco.
Errando por caminhos incertos, Fabiano e família encontram uma fazenda completamente abandonada. Surge a intenção de se fixar por ali. Baleia aparece com um preá entre os dentes, causando grande alegria aos seus donos. Haveria comida. Descendo ao bebedouro dos animais, em meio à lama, Fabiano consegue água. Há uma alegria em seu coração, novos ventos parecem soprar para a sua família. Pensa em Seu Tomás da bolandeira.  Pensa na mulher e nos filhos.
A inesperada caça é preparada, o que garante um rápido momento de felicidade ao grupo. No céu, já escuro, uma nuvem - sempre um sinal de esperança. Fabiano deseja estabelecer-se naquela fazenda. Será o dono dela. A vida melhorará para todos. 

Fabiano  
Em vão Fabiano procura por uma raposa. Apesar do fracasso da empreitada, ele está satisfeito. Pensa na situação da família, errante, passando fome, quando da chegada àquela fazenda. Estavam bem agora. Fabiano se orgulha de vencer as dificuldades tal qual um bicho. Agora ele era um vaqueiro, apesar de não ter um lugar próprio para morar. A fazenda aparentemente abandonada tinha um dono, que logo aparecera e reclamara a posse do local. A solução foi ficar por ali mesmo, servindo ao patrão, tomando conta do local. Na verdade, era uma situação triste, típica de quem não tem nada e vive errante.  Sentiu-se novamente um animal, agora com uma conotação negativa. Pouco falava, admirava e tentava imitar a fala difícil das pessoas da cidade. Era um bicho.
A uma pergunta de um dos filhos, Fabiano irrita-se. Para que perguntar as coisas? Conversaria com Sinha Vitória sobre isso. Essas coisas de pensamento não levavam a nada. Seu Tomás da bolandeira, apesar de admirado por Fabiano pelas suas palavras difíceis, não acabara como todo mundo? As palavras, as idéias, seduziam e cansavam Fabiano.
Pensou na brutalidade do patrão, a tratá-lo como um traste. Pensou em Sinha Vitória e seu desejo de possuir uma cama igual à de Seu Tomás da bolandeira. Eles não poderiam ter esse luxo, cambembes que eram. Sentiu-se confuso. Era um forte ou um fraco, um homem ou um bicho? Sentia, por vezes, ímpeto de lutador e fraqueza de derrotado.
Lembrando dos meninos, novamente, achou que, quando as coisas melhorassem, eles poderiam se dar ao luxo daquelas coisas de pensar. Por ora, importante era sobreviver. Enquanto as coisas não melhorassem, falaria com Sinha Vitória sobre a educação dos pequenos. 

Cadeia
Fabiano vai à feira comprar mantimentos, querosene e um corte de chita vermelha. Injuriado com a qualidade do querosene e com o preço da chita, resolve beber um pouco de pinga  na bodega de seu Inácio. Nisso, um soldado amarelo convida-o para um jogo de cartas. Os dois acabam perdendo, o que irrita o soldado, que provoca Fabiano quando esse está de partida. A idéia do jogo havia sido desastrosa. Perdera dinheiro, não levaria para casa o prometido. Fabiano, agora, pensava em como enganar Sinha Vitória, mas a dificuldade de engendrar um plano o atormentava.
O soldado, provocador, encara o vaqueiro e barra-lhe a passagem. Pisa no pé de Fabiano que, tentando contornar a situação à sua maneira, agüenta os insultos até o possível, terminando por xingar a mãe do soldado amarelo. Destacamento à sua volta. Cadeia. Fabiano é empurrado, humilhado publicamente.
No xadrez, pensa por que havia acontecido tudo aquilo com ele. Não fizera nada, se quisesse até bateria no mirrado amarelo, mas ficara quieto. Em meio a rudes indagações, enfureceu-se, acalmou-se, protestou inocência. Amolou-se com o bêbado e com a quenga que estavam em outra cela. Pensou na família. Se não fosse Sinha Vitória e as crianças, já teria feito uma besteira por ali mesmo. Quando deixaria que um soldadinho daqueles o humilhasse tanto? Arquitetou vinganças, gritou com os outros presos e, no meio de sua incompreensão com os fatos, sentiu a família como um peso a carregar. 

Sinha Vitória
Naquele dia, Sinha Vitória amanhecera brava. A noite mal dormida na cama de varas era o motivo de sua zanga. Falara pela manhã, mais uma vez, com Fabiano sobre a dificuldade de dormir naquela cama. Queria uma cama de lastro de couro, como a de Seu Tomás da bolandeira, como a de pessoas normais.
Havia um ano que discutia com o marido a necessidade de uma cama decente e, em meio a uma briga por causa das "extravagâncias" de cada um, Sinha Vitória certa vez ouviu Fabiano dizer-lhe que ela ficava ridícula naqueles sapatos de verniz, caminhando como um papagaio, trôpega, manca. A comparação machucou-a.
Agora, ela irritava-se com o ronco de Fabiano ao lembrar-se de suas palavras. Circulando pela casa, fazia suas tarefas em meio a reza e a atenção ao que acontecia lá fora. Por pensar ainda na cama e na comparação maldosa de Fabiano, quase esqueceu de pôr água na comida. Veio-lhe a lembrança do bebedouro em que só havia lama. Medo da seca. Olhou de novo para seus pés e inevitavelmente achou Fabiano mau. Pensou no papagaio e sentiu pena dele.
Lá fora, os meninos brincavam em meio à sujeira. Dentro de casa, Fabiano roncava forte, seguro, o que indicava a Sinha Vitória que não deveria haver perigo algum por ali. A seca deveria estar longe. As coisas, agora, pareciam mais estáveis, apesar de toda a dificuldade. Lembrou-se de como haviam sofrido em suas andanças. Só faltava uma cama. No fundo, até mesmo Fabiano queria uma cama nova. 

O Menino mais novo 
A imagem altiva do pai foi que lhe fez surgir a idéia. Fabiano, armado como vaqueiro, domava a égua brava com o auxílio de Sinha Vitória. O espetáculo grosseiro excitava o menor dos garotos, impressionado com a façanha do pai e disposto a fazer algo que também impressionasse o irmão mais velho e a cachorra Baleia. No dia seguinte, acordou disposto a imitar a façanha do pai. Para tanto, quis comunicar a intenção ao mano, mas evitou, com medo de ser ridicularizado.
Quando as cabras foram ao bebedouro, levadas pelo menino mais velho e por Baleia,  o pequeno tomou o bode como alvo de sua ação. Sentia-se altivo como Fabiano quando montava. No bebedouro, o garoto despencou da ribanceira sobre o animal, que o repeliu. Insistente, tentou se aprumar mas foi sacudido impiedosamente, praticando um involuntário salto mortal que o deixou, tonto, estatelado ao chão. O irmão mais velho ria sem parar do ridículo espetáculo, Baleia parecia desaprovar toda aquela loucura. Fatalmente seria repreendido pelos pais. Retirou-se humilhado, alimentando a raivosa certeza de que seria grande, usaria roupas de vaqueiro, fumaria cigarros e faria coisas que deixariam Baleia e o irmão admirados.

O Menino mais velho
Aquela palavra tinha chamado a sua atenção: inferno. Perguntou à Sinha Vitória, vaga na resposta. Perguntou a Fabiano, que o ignorou. Na volta à Sinha Vitória, indagou se ela já tinha visto o inferno. Levou um cascudo e fugiu indignado. Baleia fez-lhe companhia tentando alegrá-lo naquela hora difícil.
Decidiu contar à cachorrinha uma história, mas o seu vocabulário era muito restrito, quase igual ao do papagaio que morrera na viagem. Só Baleia era sua amiga naquele momento. Por que tanta zanga com uma palavra tão bonita ? A culpa era de Sinha Terta, que usara aquela palavra na véspera, maravilhando o ouvido atento do garoto mais velho.
Olhou para o céu e sentiu-se melancólico. Como poderiam existir estrelas? Pensou novamente no inferno. Deveria ser, sim, um lugar ruim e perigoso, cheio de jararacas e pessoas levando cascudos e pancadas com a bainha da faca. Sempre intrigado, abraçou-se à Baleia como refúgio. 

Inverno
Todos estavam reunidos em volta do fogo, procurando aplacar o frio causado pelo vento e pela água que agitava a paisagem fora da casa. Chegara o inverno, e isso reunia a família próxima à fogueira. Pai e mãe conversavam daquele jeito de sempre, estranho, e os meninos, deitados, ficavam ouvindo as histórias inventadas por Fabiano, de feitos que ele nunca tinha realizado, aventuras nunca vividas. Quando o mais velho levantou-se para buscar mais lenha, foi repreendido severamente pelo pai, aborrecido pela interrupção de sua narrativa.
A chuva dava à família a certeza de que a seca não chegaria por enquanto. Isso alegrava Fabiano. Sinha Vitória, porém, temia por uma inundação que os fizesse subir ao morro, novamente errantes. A água, lá fora, ampliava sua invasão.
Fabiano empolgava-se mais ainda em contar suas façanhas. A chuva tinha vindo em boa hora. Após a humilhação na cidade, decidira que, com a chegada da seca, abandonaria a família e partiria para a vingança contra o soldado amarelo e demais autoridades que lhe atravessassem o caminho. A chegada das águas interrompera aqueles planos sinistros. Em meio à narrativa empolgada, Fabiano imaginava que as coisas melhorariam a partir dali; quem sabe, Sinha Vitória até pudesse ter a cama tão desejada.
Para o filho mais novo, o escuro e as sombras geradas pela fogueira faziam da imagem do pai algo grotesco, exagerado. Para o mais velho, a alteração feita por Fabiano na história que contava era motivo de desconfiança. Algo não cheirava bem naquele enredo. Sempre pensativo, o menino mais velho dormiu pensando na falha do pai e nos sapos que estariam lá fora, no frio.
Baleia, incomodada com a arenga de Fabiano, procurava sossego naquela paisagem interior. Queria dormir em paz, ouvindo o barulho de fora. 

Festa
A família foi à festa de Natal na cidade. Todos vestidos com suas melhores roupas, num traje pouco comum às suas figuras, o que lhes dava um ar ridículo. A caminhada longa tornava-se ainda mais cansativa por causa daquelas roupas e sapatos apertados. O mal-estar era geral, até que Fabiano cansou-se da situação e tirou os sapatos, metendo as meias no bolso, livrando-se ainda do paletó e da gravata que o sufocava. Os demais fizeram o mesmo. Voltaram ao seu natural. Baleia juntou-se ao grupo.
Chegando à cidade, foram todos lavar-se à beira de um riacho antes de se integrarem à festa. Sinha Vitória carregava um guarda-chuva. Fabiano marchava teso. Os meninos maravilham-se, assustados, com tantas luzes e gente. A igreja, com as imagens nos altares, encantou-os mais ainda. O pai espremia-se no meio da multidão, sentindo-se cercado de inimigos. Sentia-se mangado por aquelas pessoas que o viam em trajes estranhos à sua bruta feição. Ninguém na cidade era bom. Lembrou-se da humilhação imposta pelo soldado amarelo quando estivera pela última vez na cidade.
A família saiu da igreja e foi ver o carrossel e as barracas de jogos. Como Sinha Vitória negou-lhe uma aposta no bozó, Fabiano afastou-se da família e foi beber pinga. Embriagando-se, foi ficando valente. Imaginava, com raiva, por onde andava o soldado amarelo. Queria esganá-lo. No meio da multidão, gritava, provocava um inimigo imaginário. Queria bater em alguém, poderia matar se fosse o caso. Vez ou outra, interrompia suas imprecações para uma confusa reflexão. Cansado do seu próprio teatro, Fabiano deitou no chão, fez das suas roupas um travesseiro e dormiu pesadamente.
Sinha Vitória, aflita, tinha que olhar os meninos, não podia deixar o marido naquele estado. Tomando coragem para realizar o que mais queria naquele momento, discretamente esgueirou-se para uma esquina e ali mesmo urinou. Em seguida, para completar o momento de satisfação, pitou num cachimbo de barro pensando numa cama igual à de seu Tomas da bolandeira .
Os meninos também estavam aflitos. Baleia sumira na confusão de pessoas, e o medo de que ela se perdesse e não mais voltasse era grande. Para alívio dos pequenos, a cachorrinha surge de repente e acaba com a tensão. Restava, agora, aos pequenos, o maravilhamento com tudo de novo que viam. O menor perguntou ao mais velho se tudo aquilo tinha sido feito por gente. A dúvida do maior era se todas aquelas coisas teriam nome. Como os homens poderiam guardar tantas palavras para nomear as coisas?
Distante de tudo, Fabiano roncava e sonhava com soldados amarelos. 

Baleia
Pêlos caídos, feridas na boca e inchaço nos beiços debilitaram Baleia de tal modo que Fabiano achou que ela estivesse com raiva. Resolveu sacrificá-la. Sinha Vitória recolheu os meninos, desconfiados,  a fim de evitar-lhes a cena.
Baleia era considerada como um membro da família, por isso os meninos protestaram, tentando sair ao terreiro para impedir a trágica atitude do pai. Sinha Vitória lutava com os pequenos, porque aquilo era necessário, mas aos primeiros movimentos do marido para a execução, lamentou o fato de que ele não tivesse esperado mais para confirmar a doença da cachorrinha.
Ao primeiro tiro, que pegou o traseiro da cachorra e inutilizou-lhe uma perna, as crianças começaram a chorar desesperadamente.
Começou, lá fora, o jogo estratégico da caça e do caçador. Baleia sentia o fim próximo, tentava esconder-se e até desejou morder Fabiano. Um nevoeiro turvava a visão da cachorrinha, havia um cheiro bom de preás. Em meio à agonia, tinha raiva de Fabiano, mas também o via como o companheiro de muito tempo. A vigilância às cabras, Fabiano, Sinha Vitória e as crianças surgiam à Baleia em meio a uma inundação de preás que invadiam a cozinha. Dores e arrepios. Sono. A morte estava chegando para Baleia. 

Contas
Fabiano retirava para si parte do que rendiam os cabritos e os bezerros. Na hora de fazer o acerto de contas com o patrão, sempre tinha a sensação de que havia sido enganado. Ao longo do tempo, com a produção escassa, não conseguia dinheiro e endividava-se.
Naquele dia, mais uma vez Fabiano pedira a Sinha Vitória para que ela fizesse as contas. O patrão, novamente, mostrou-lhe outros números. Os juros causavam a diferença, explicava o outro. Fabiano reclamou, havia engano, sim senhor, e aí foi o patrão quem estrilou. Se ele desconfiava, que fosse procurar outro emprego. Submisso, Fabiano pediu desculpas e saiu arrasado, pensando mesmo que Sinha Vitória era quem errara.
Na rua, voltou-lhe a raiva. Lembrou-se do dia em que fora vender um porco na cidade e o fiscal da prefeitura exigira o pagamento do imposto sobre a venda. Fabiano desconversou e disse que não iria mais vender o animal. Foi a uma outra rua negociar e, pego em flagrante, decidiu nunca mais criar porcos.
Pensou na dificuldade de sua vida. Bom seria se pudesse largar aquela exploração. Mas não podia! Seu destino era trabalhar para os outros, assim como fora com seu pai e seu avô.
As notas em sua mão impressionavam-no. "Juros", palavra difícil que os homens usavam quando queriam enganar os outros. Era sempre assim: bastavam palavras difíceis para lograr os menos espertos. Contou e recontou o dinheiro com raiva de todas aquelas pessoas da cidade. Sinha Vitória é que entendia seus pensamentos.
Teve vontade de entrar na bodega de seu Inácio e tomar uma pinga. Lembrou-se da humilhação passada ali mesmo e decidiu ir para casa. o céu, várias estrelas. Deixou de lado a lembrança dos inimigos e pensou na família. Sentiu dó da cachorra Baleia. Ela era um membro da família. 

O Soldado Amarelo
Procurando uma égua fugida, Fabiano meteu-se por uma vereda e teve o cabresto embaraçado na vegetação local. Facão em punho, começou a cortar as quipás e palmatórias que impediam o prosseguimento da busca. Nesse momento, depara-se com o soldado amarelo que o humilhara um ano atrás. O cruzar de olhos e o reconhecimento durou fração de segundos. O suficiente para que Fabiano esfolasse o inimigo. O soldado claramente tremia de medo. Também reconhecera o desafeto antigo e pressentia o perigo.
Fabiano irritou-se com a cena. O outro era um nadica. Poderia matá-lo com as mãos, sem armas, se quisesse. A fragilidade do outro aos poucos foi aplacando a raiva de Fabiano. Ponderou que ele mesmo poderia ter evitado a noite na cadeia se não tivesse xingado a mãe do amarelo. No meio daquela paisagem isolada e hostil, só os dois, e se ele pedisse passagem ao soldado? Aproximou-se do outro pensando que já tinha sido mais valente, mais ousado. Na verdade, na fração de segundo interminável Fabiano ia descobrindo-se amedrontado. Se ele era um homem de bem, para que arruinar a sua vida matando uma autoridade? Guardaria forças para inimigo maior.
Sentindo o inimigo acovardado, o soldado ganhou força. Avançou firme e perguntou o caminho. Fabiano tirou o chapéu numa reverência e ainda ensinou o caminho ao amarelo. 

O Mundo Coberto de Penas
A invasão daquele bando de aves denunciava a chegada da seca. Roubavam a água do gado, matariam bois e cabras. Sinha Vitória inquietou-se. Fabiano quis ignorar, mas não pôde; a mulher tinha razão. Caminhou até o bebedouro, onde as aves confirmavam o anúncio da seca. Eram muitas. Um tiro de espingarda eliminou cinco, seis delas, mas eram muitas. Fabiano tinha certeza, agora, de uma nova peregrinação, uma nova fuga.
Era só desgraça atrás de desgraça. Sempre fugido, sempre pequeno. Fabiano não se conformava, pensava com raiva no soldado amarelo, achava-se um covarde, um fraco. Irado, matou mais e mais aves. Serviriam de comida, mas até quando ? Quem sabe a seca não chegasse...Era sempre uma esperança. Mas o céu escuro de arribações só confirmava a triste situação. Elas cobriam o mundo de penas, matando o gado, tocando a ele e à família dali, quem sabe comendo-os.
Recolheu os cadáveres das aves e sentiu uma confusão de imagens em sua cabeça. Aquele lugar não era bom de se viver. Lembrou-se de Baleia, tentou se convencer de que não fizera errado em matá-la, pensou de novo na família e no que as arribações representavam. Sim, era necessário ir embora daquele lugar maldito. Sinha Vitória era inteligente, saberia entender a urgência dos fatos.

Fuga
O céu muito azul, as últimas arribações e os animais em estado de miséria indicavam a Fabiano que a permanência naquela fazenda estava esgotada. Chegou um ponto em que, dos animais, só sobrou um bezerro, que foi morto para servir de comida na viagem que se faria no dia seguinte.
Partiram de madrugada, abandonando tudo como encontraram. O caminho era o do sul. O grupo era o mesmo que errava como das outras vezes. Fabiano, no fundo, não queria partir, mas as circunstâncias convenciam-no da necessidade.
A vermelhidão do céu, o azul que viria depois assustavam Fabiano. Baleia era uma imagem constante em seus confusos pensamentos. Sinha Vitória também fraquejava. Queria, precisava falar. Aproximou-se do marido e disse coisas desconexas, que foram respondidas no mesmo nível de atrapalhação.
Na verdade, ele gostou que ela tivesse puxado conversa. Ela tentou animar o marido, quem sabe a vida fosse melhor, longe dali, com uma nova ocupação para ele. Marido e mulher elogiam-se mutuamente; ele é forte, agüenta caminhar léguas, ela, tem pernas grossas e nádegas volumosas, agüenta também. A cidade, talvez, fosse melhor. Até uma cama poderiam arranjar. Por que haveriam de viver sempre como bichos fugidos?
Os meninos, longe, despertavam especulações ao casal. O que seriam quando crescessem? Sinha Vitória não queria que fossem vaqueiros. O cansaço ia chegando à medida que avançava a caminhada, e assim houve uma parada para descanso. Novamente marido e mulher conversavam, fazendo planos, temendo o mau agouro das aves que voavam no céu.
Sinha Vitória acordou os pequenos, que dormiam, e seguiu-se viagem. Fabiano ainda admirou a vitalidade da mulher. Era forte mesmo! Assim, a cada passo arrastado do grupo um mundo de novas perspectivas ia sendo criado. Sinha Vitória falava e estimulava Fabiano. Sim, deveria haveria uma nova terra, cheia de oportunidades, distante do sertão a formar homens brutos e fortes como eles.

COMENTANDO
Como observamos, a montagem do relato é feita pela justaposição de capítulos. Inexiste, portanto, ao contrário do romance tradicional, uma evolução dramática, algo que possa crescer, episódio após episódio, criando uma evolução de caracteres e um clímax. Assim, a estrutura de Vidas secas torna-se similar à incapacidade de Fabiano e os seus de traçarem o próprio destino. O encadeamento convencional de episódios (como em O continente e em O guarani, por exemplo) corresponde à ação do homem sobre o mundo. Já a família sertaneja de Vidas secas é apenas vítima e, por causa de sua impotência (inclusive mental), não consegue compreender a realidade como um todo, vendo-a de maneira fragmentada e desconexa. Esta descontinuidade é levada por Graciliano Ramos à própria forma de composição do romance.

Quarto e último romance de Graciliano Ramos , (os outros foram Caetés, São Bernardo e Angústia) Vidas secas é o único narrado em terceira pessoa. Seria obviamente impossível dar voz a Fabiano e a opção pela terceira pessoa possibilitou também uma relativa adesão do narrador ao universo retratado. Ele procura ser tão “seco” e despojado quanto as vidas que registra. Para não “olhá-las” apenas de fora, impessoalmente, o autor vale-se de maneira contínua do discurso indireto livre.