domingo, 1 de julho de 2012

LULA, MALUF, COLLOR, SARNEY E A VALA COMUM DA POLÍTICA BRASILEIRA


Por: EMMANOEL GOMES HISTORIADOR,PROFESSOR, ESCRITOR E MEMBRO    DA  AVL. ACADEMIA VILHENENSE DE LETRAS emmanoel-mardulce@hotmail.com


Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada.
Oscar Wilde





Ao ler este artigo sei que muitos dirão, “não fiquei surpreso com a aliança entre Lula e Maluf”, até por que, muitas pessoas, principalmente as que atingem a meia idade, vão perdendo a capacidade de se indignar com o surreal e pitoresco.
O fato é que a cena é tão degradante que não existe um único petista, além do Lula é claro, que não sinta um amargor na boca, um incômodo no estomago ou aquele restinho de vergonha na cara que nessas horas salta avermelhando, as mais sisudas maçãs do rosto do mais liberal dos petistas.
Eu que abandonei a militância partidária há mais de quinze anos, e que compus as fileiras do partido dos trabalhadores sinto uma vergonha daquelas que enfraquecem a fé e esperança em prol de uma sociedade ética, justa e verdadeira. Recomponho-me e dou continuidade a caminhada como militante cultural.
Paulo Salim Maluf conseguiu se transformar em uma espécie de ícone da ladroagem, corrupção, cinismo, pilantragem e tudo que se possa imaginar desse meio. Querido leitor, em um país com gente do naipe do Sarney, Jader Barbalho, Collor, Antonio C. Magalhães e Renan Calheiros, o título é resultante de uma infeliz disputa que inclusive, no restante do mundo é difícil encontrar gente em condições de entrar numa lista a frente desses brasileiros.
Maluf sempre foi adversário de tudo que primou pela ética e moralidade. Foi exemplo de má conduta política, sua eleição e reeleição foi uma espécie de termômetro que ajudaram intelectuais e analistas de toda a sorte a medirem a incapacidade do eleitor brasileiro.
Fico imaginando como um único ato, no caso, o feliz e íntimo abraço entre Paulo Maluf e Lula, jogou no esgoto da história uma raspa de moralidade e ética que um grande grupo de “companheiros” ainda insistia em alimentar no PT.
O fraterno abraço ao pai da corrupção e encarnação de todo o mal, como uma série de petistas históricos se referia a Maluf, serve para moralmente confirmar algumas dúzias de escândalos envolvendo petistas como Zé Dirceu, Palocci, Genuíno, Delúbio, todos envolvidos com o mensalão.
Ou será que minha pobre e quase centenária mãezinha está incorreta com seu conhecido e popular ditado, “quem com porcos anda com eles se lambuza na lavagem”.
O fato não poderia ser mais infeliz do que foi, pois o acalorado encontro com direito ao apertado abraço ocorreu para selar um apoio “infeliz” ao candidato petista que representou o setor mais importante de uma nação, a educação.
Fernando Haddad candidato a prefeitura de São Paulo, um homem que deveria representar todos os valores morais ao mesmo tempo, pois, faço questão de lembrar, ele comandou por anos a educação brasileira e como tal defendeu os valores éticos e morais, elementos fundamentais para uma educação de qualidade. Este homem, representante da inteligência brasileira, foi o principal telespectador e testemunha de tão surreal episódio.
Eu confesso que está sendo muito difícil digerir tal acontecimento e por mais que o Lula tenha aprontado é uma cena que assombra e joga no abismo os desejos que contemplam os resgates dos valores éticos e morais na política brasileira.
A imagem entrará para a história brasileira como comprovante da mais profunda decadência do caráter e decência humana. "Noventa por cento dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima reputação."
Uma aliança firmada no centro da cúpula malufista com algumas dúzias de pessoas e uma dezena de fotógrafos demonstraram o vale-tudo em que se enfiaram os partidos brasileiros, um profundo desserviço aos que sempre lutaram pela conduta justa, fiel e honrada na história política do Brasil.
Nessa circunstancia toda, se constata um equivoco cometido por umas duas dúzias de cientistas políticos, que por muitos anos profetizavam que Lula sempre foi maior que o PT, meus queridos leitores, se um dia foi hoje não é mais. Após o poder, Lula e boa parte do PT, mostraram sua verdadeira face de apego ao dinheiro do pobre povo sem socorro.
Seus atos revelaram seu nanismo e após o poder aquele Lula que um dia teve alguma estatura se amiúda, e passa a compor a lista daquilo que deve ser execrado da vida política brasileira.


 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

MADEIRA MAMORÉ CEM ANOS DE AGONIA E DESPREZO.

EMMANOEL GOMES É HISTORIADOR,
PROFESSOR, ESCRITOR E MEMBRO DA AVL.
 ACADEMIA VILHENENSE DE LETRAS
emmanoel-mardulce@hotmail.com



Sou tentado a escrever sobre o centenário de um dos mais importantes patrimônios históricos do estado de Rondônia. É com profunda ternura que informo ao precioso leitor que as palavras que se seguem são de alguém que ao lado de uma significativa lista de professores, artistas, intelectuais e historiadores, sofrem com o rumo dado ao nosso patrimônio público.
Gostaria de construir um texto alegre e festivo, porém, estranhamente, no centenário dessa ferrovia muito pouco temos a comemorar.
A Estrada de Ferro Madeira Mamoré atinge o seu primeiro centenário e, fora a saudade do apito anunciando sua existência, o ar de modernidade que ela transmitia em região tão isolada, a ideia de cidade ativa, múltipla e viva que um dia existiu, hoje, se transformou em um monte de entulho entre Porto Velho e Guajará.
A “modernidade” levou a paz, levou também o ambiente pacato e saudosista de tempos em que as pessoas se conheciam ao longe quando se viam. A cidade de outrora foi transformada em um ambiente frustrante de violências e mazelas de toda a sorte.
A trajetória da Madeira Mamoré foi marcada por problemas, sofrimentos e momentos fantásticos. Na atualidade a marca é a do desprezo e descaso por parte de uma geração que não aprendeu a degustar os valores da memória e cultura historiográfica que sua sociedade congrega.
A construção desse mito amazônico ocorreu em uma condição tão terrível que ao lado do canal do Panamá, é vista por alguns, como uma das obras mais difíceis de ser realizada na história humana.
O número de mortos lembra uma grande guerra, não existe uma única estatística séria que dê contas do número das vítimas dessa grande epopéia.
Manoel Rodrigues Ferreira em sua obra “A Ferrovia do Diabo” se atêm as vítimas que passaram pelo Hospital da Candelária anunciando o número de mortos entre 1907 e 1912 em 1.552. Mais tarde, na mesma obra aumenta o número dos mesmos, numa espécie de correção ou dor de consciência, para 6.208.
Lembro, que nas estatísticas, não estão incluídos os milhares e milhares de índios que eram vistos como inimigos da civilização e que foram mortos sem grandes problemas.
Não tivemos na história da Madeira Mamoré um padre como Antônio Vieira, que deixou na literatura portuguesa um legado em defesa dos índios brasileiros e da região Amazônica no período colonial.
O único personagem histórico dessas bandas a tentar civilizar os povos indígenas foi Rondon, porém não atuou durante a construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, pois estava ocupado no estudo das fronteiras e construção do telégrafo.
O fato, é que a desgraça rondou a história dessa ferrovia, que ainda é envolvida em grandes esquemas de pilantragens e corrupção.
A Madeira Mamoré custou muito caro aos que ousaram enfrentar a realidade amazônica do final do século XIX e início do século XX.
Dessa forma, não podemos deixar de reconhecer sua importância histórica e cultural. A ausência de postura dos governos, autoridades e demais pessoas que colaboraram e colaboram para seu abandono deve ser questionado sempre.
A história da Amazônia é marcada por esse tipo de situação, muitos dos delírios capitalistas milionários manifestos aqui viraram pó.
Podemos citar uma infinidade de obras que por falta de estudo, pesquisa, planejamento, seriedade e respeito aos valores da floresta, rios, seus povos, culturas e sua realidade, produziram desgraças que feriram carnes, ossos, sentimentos e espíritos dos que aliciados ficaram desprotegidos em tão terrível absurdo mundo inóspito.
O Real Forte do Príncipe da Beira, estrutura gigantesca construída em meio à selva entre os anos de 1776 e 1783, não chegou a ser utilizada, sua construção foi equivocadamente autorizada no período em que as minas entravam em declínio e os espanhóis por sua vez não possuíam mais interesses na região em crise.
A Fordlândia, outra catástrofe , localizava-se no estado do Pará em Itaituba, próximo a Santarém, não resultou em outra coisa que não fossem grandes prejuízos.
Usina Hidrelétrica de Balbina que gera a energia elétrica mais cara do Brasil, o rio Uatumã é completamente incompatível com o projeto, um dos maiores problemas ambientais da Amazônia foi gerado ali, pois a região é completamente plana e o lago formado foi muito maior que o planejado e previsto.
Transamazônica, essa história resultante da “inteligência militar brasileira” é bem conhecida de todos, milhões foram investidos em um projeto rodoviário que não recebeu os assentamentos e um ano após foi destruído pelas chuvas torrenciais.
Neste cenário de irresponsabilidade podemos Alencar, infelizmente, mais de uma centena de projetos bilionários que alimentam lobbies, corrupção e todo o tipo de mazela.
Ainda hoje investimentos são feitos através de mega projetos que deixam um rastro de destruição e caos social.
Infelizmente se enquadra nesse cenário a Madeira Mamoré, projeto que ao ser concluído, viu os preços da borracha despencar no cenário econômico e sua utilidade desaparecer.
Uma história com dramas humanos dessa proporção mereceria um destino que não fosse o lixo, pois ela é uma prova da força e coragem e determinação humana.
Ver a ponte do Jaci dentro do rio e parte significativa do barranco do Madeira assorear, em função da irresponsabilidade de grandes empresas, em um período onde as condições tecnológicas permitem todo o tipo de ensaio e previsão é no mínimo criminoso.
As ações públicas que estão sendo feitas no pátio da Madeira Mamoré são simplesmente eleitoreiras, não foram discutidas com a sociedade, nem mesmo com os militantes que por décadas defendem a reativação e restauração de parte da ferrovia.
Os vagões estão sendo usados por drogados e mendigos como banheiros, e para piorar, nossas autoridades não conseguem impedir que a localidade ao longo dos trilhos entre a Praça Madeira Mamoré e Santo Antônio das Cachoeiras amargue altos índices de violência, prostituição e tráfico de drogas.
Quadro que ofende profundamente o morador simples e pacato do “Triangulo” que tem sido a grande vítima de todo o processo amargo e sofrido, no tal “desenvolvimento urbano e social de Porto Velho”.
Uma vez, é claro que não vão lembrar, defendi junto à prefeitura de Porto Velho que qualquer ação de restauro, reconstrução, maquiagem, ou algo parecido, precisaria ser precedida de uma ação que garantisse ao cidadão segurança, paz e tranquilidade. Coisa que nunca aconteceu.
 Sugeri a construção nas proximidades de uma estrutura que pudesse dar condições de trabalho aos policiais militares, pois até eles evitam a região nas noites em finais de semana.
Visitem os armazéns número um e dois, que foram recentemente restaurados e que consumiram ao lado da praça alguns milhões de reais, estão precisando de um novo restauro. Visitem o cemitério da Candelária que também foi restaurada é vergonhosa.
A atuação pública em relação ao nosso patrimônio público foi pífia, amadora, coisa de pilantras ou no mínimo de gente com muita má fé.
Em Rondônia boa parte das autoridades parecem ter feito um pacto contra a saúde, educação, segurança e contra os patrimônios históricos.
Na atualidade, a prefeitura está em conjunto com a empresa Santo Antonio Energia restaurando a rotunda e o galpão onde funcionou a oficina, novamente milhões serão muito mal gastos, pois sem uma política social e cultural contínua e sem a presença de uma ação policial humana que garanta segurança e bem estar dos de bem, estaremos preparando novos banheiros para os degredados e marginais que tomaram posse da localidade.
Não gostaria de construir um texto tão duro e mal humorado, porém não posso entrar na fila dos cegos, surdos e mudos, sempre soube que fui manco! Cego, surdo e mudo social, jamais.
Quem se cala, se faz de gato morto, ajuda aos que se beneficiam com o triste rumo dado ao nosso rico patrimônio histórico e cultural.

  

terça-feira, 12 de junho de 2012

SISU - INSCRIÇÃO PARA SEG SEMESTRE - 18/06 A 22/06



O Sisu foi criado pelo O Ministério da Educação (MEC) para selecionar estudantes em instituições públicas com base nas notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No sistema, é possível localizar cursos e vagas por localidade e instituição de ensino.



Inscrições para o Sisu começam no dia 18 de junho; candidatos já podem conferir oferta de vagas

Prazo termina no dia 22 de junho


As inscrições para o segundo semestre do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) começam no dia 18 de junho. Serão 30.548 vagas oferecidas por 56 instituições públicas de ensino superior e os candidatos podem consultá-las no site do Sisu até o dia 22 de junho.

- Entenda o Sisu passo a passo
Os estudantes podem se candidatar a até duas opções de curso. Estão reservadas 8.688 vagas para o sistema de cotas.

Cronograma

A partir do dia 18, ao longo do período de inscrições, a classificação parcial e a nota de corte dos candidatos serão divulgadas diariamente no portal do Sisu para consulta. Lá mesmo será possível tirar dúvidas sobre notas de corte, datas das chamadas, período de matrículas nas instituições, resultados e lista de espera.
Agenda do Sisu
Período de Inscrições 18/06 a 22/06
Resultado da 1ª chamada 25/06
Matrícula da 1ª chamada 29/06 a 02/07
Resultado da 2ª chamada 06/07
Prazo para participar da lista de espera 06/07 a 12/07
Matrícula da 2ª chamada 10/07 e 11/07
Convocação dos candidatos em lista de espera pelas instituições A partir de 17/07

No dia 25 de junho será divulgado o resultado final. Os aprovados em primeira chamada devem fazer a matrícula entre os dias 29 de junho e 2 de julho. Os selecionados para a segunda opção ou que não atingirem a nota mínima em nenhum dos dois cursos escolhidos podem permanecer no sistema e ser convocados na chamada seguinte, a partir de 6 de julho. Quem não for selecionado em nenhuma das chamadas pode pedir inclusão em lista de espera.

O candidato aprovado na primeira opção de curso será automaticamente retirado do sistema e, caso não faça a matrícula na instituição para a qual foi selecionado, perde a vaga.

sábado, 9 de junho de 2012

GENTE DA MESMA FLORESTA

Foto: de Rose Viegas - fatoconstante.com








Encher a alma de alegria e harmonia, num verdadeiro show musical com ritmos indígenas e caribenhos remetendo às lendas e a exuberância dos rios e da Floresta Amazônica é a proposta do grupo Gente da mesma Floresta. Numa explosão de ritmos calientes, o grupo proporcionou uma “anarquia” melódica gostosa de ver, sentir, ouvir e dançar. Após dois anos GENTE DA MESMA FLORESTA voltou a se apresentar brindando Porto Velho com um espetáculo grandioso. O grupo  formado por Nilson Chaves (PA),Bado (RO),Graça Gomes (AC),Eliakin Rufino (RR),Célio Cruz (AM) e Zé Miguel (AP) trouxe nessa edição a participação brilhante  de músicos locais como Bira Lourenço (percussão),Ronald Vasconcelos (guitarra) Mauro Araújo (teclados), Kleiton (contrabaixo), Júnior Lopes (bateria)  e Joelsom (sax e flauta).  

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Fundação Cultural Iaripuna trouxeram-os de volta a Porto Velho para encerramento dos 8 dias de Ativismo Verde, que ocorreu para comemorar a Semana do Meio Ambiente. O espetáculo emana principalmente das idéias e propostas da música, produzindo uma obra, ou seja, um acontecimento cênico com profunda repercussão na platéia. Usa-se as palavras através da música para criar imagens e sensações, um elo de identificação entre palco e platéia no intuito de preservar e valorizar a Amazônia. São as palavras e os espaços que unidos na ação de preservação ambiental subvertem e ampliam as propostas do texto, criando com isso uma revelação mais profunda das intenções contidas no objetivo principal do Ativismo Verde. Um espetáculo para sentir, refletir e mobilizar camadas da sociedade em prol da preservação, no envolvimento destes em questões muitas vezes discutidas, mas onde se falta uma ação mais coerente. A música tem esse poder  de transmutação, através da compreensão racional e emocional. 

GENTE DA MESMA FLORESTA desde sua formação - uma idéia de Nilson Chaves - já visava estreitar a relação entre os Estados da região Norte através de seus compositores, fortalecendo a cultura, incentivando a produção musical, abrindo portas e promovendo a interação entre os músicos. Foi a escolha perfeita para o encerramento das atividades do Ativismo Verde  tendo em vista que a união dos mesmo já  fazem parte de um movimento que trabalha em defesa da identidade amazônica.

O Brasil com suas ricas raízes cultural nos proporciona grandes músicos, mas muitas vezes não é dado o devido valor a eles. Quem pesquisar um pouco mais sobre Nilson Chaves por exemplo perceberá o grande valor desse musico que “eternizou-se em sua terra natal pela canção "Sabor Açaí". Sendo um dos cantores paraenses mais conceituados no mercado internacional e o mesmo  confessa seu orgulho de ser um artista genuinamente amazônico". Zé Miguel por sua vez está entre os principais representantes da música na Amazônia, com valorização dos ritmos regionais, como o batuque e o marabaixo, elementos marcantes da cultura afro no Amapá. Eliakin Rufino é “um poeta, cantor, escritor, professor de filosofia, produtor cultural e jornalista brasileiro. É, junto a Zeca Preto e Neuber Uchoa, um dos integrantes do movimento Roraimeira — expressão cultural amazônica considerada por cientistas sociais como um dos expoentes máximos na construção da identidade roraimense e encantou o público mais uma vez com declamação de poesias durante o show. Já a” música de Célio Cruz se inscreve no bom estilo MPB, com algumas incursões por ritmos latinos, blues e baladas, com melodias originais que podem ser interpretadas como a feição amazônica impregnada na própria vida do artista, refletindo sutilmente sobre a sua obra”.Bado compositor e instrumentista   nascido na cidade de Porto Velho (RO), “expressa em sua música as experiências vividas na região amazônica, em mais de vinte anos de carreira. O compositor aposta na música amazônica como uma música universal, que abrange a diversidade rítmica presente na cultura do Norte do país.” Graça Gomes é natural de Rio Branco. “Teve sua formação musical com o pai, famoso sanfoneiro dos seringais acreanos e amazonenses dos anos 60 e 70, conhecido como Chiquinho Arigó. Com ele aprendeu suas primeiras músicas, forrós, xotes e rancheiras. Assim, começou a cantar muito cedo nas festas populares e religiosas e, logo depois, bares e shows.” Com uma voz afinada, tanto na intensidade quanto na suavidade encanta quem a ouve. Portanto “Gente da mesma Floresta” é composto pelo que há de melhor na musica regional amazônica e, uma pesquisa mais atenta sobre a biografia de cada um levará o leitor a conhecer verdadeiras pérolas da música regional amazônida.

Destaque também para as participações de Bira Lourenço consagrado percursionista de Porto Velho que dentro deste grupo se integrou perfeitamente, pois como já observado Bira é “o som da floresta, é o som dos magos, dos duendes. Tem o poder e a magia na ponta dos dedos. É alma viva, é poesia, é a essência de um som puro, caliente, contagiante... é o poeta do Madeira.” A performance do guitarrista Ronald Vasconcelos, os teclados de Mauro Araújo, o contrabaixo de Kleiton, a bateria de Júnior Lopes e o sax e flauta de Joelsom completaram o espetáculo, pois a grande habilidade com os instrumentos impressionou e deixou no público um gostinho de “quero mais”.

Com a música “Não vou sair” uma composição de Celso Viáfora, ”Gente da mesma Floresta” encerrou o espetáculo recebendo aplausos de maneira calorosa pelo público portovelhense reconhecedores e apreciadores das belas canções regionais.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Prêmio mais importante de Literatura em 2012 vai para Dalton Trevisan

Dalton Jérson Trevisan vence Prêmio Camões

Dalton Trevisan (foto de 2008 - Dificilmente ele se deixa fotografar)
O escritor brasileiro Dalton Jérson Trevisan conquistou o troféu de literatura "Prêmio Camões 2012", em anúncio divulgado nesta segunda-feira, 21, em Lisboa, Portugal. O anúncio da premiação da literatura foi feito pelo secretário de Cultura de Portugal, Francisco José Viegas. O Prêmio Camões 2012 é de Dalton Jérson Trevisan, que está com 86 anos e idade e vive em Curitiba.

O escritor Dalton Trevisan não é nada fã de paparazzis. Trata-se de um autor recluso, que pouquíssimo aparece na imprensa para divulgação de livros ou outros trabalhos. Dalton Jérson Trevisan nasceu em Curitiba no dia 14 de junho de 1925. O livro mais famoso da carreira do autor se chama "O Vampiro de Curitiba", que foi lançado em 1965 . É reconhecido como um importante contista da literatura brasileira por grande parte dos críticos do país. Entretanto, é avesso a entrevistas e exposições em órgãos de comunicação social, criando uma atmosfera de mistério em torno de seu nome. Por esse motivo recebeu a alcunha de "Vampiro de Curitiba", nome de um de seus livros. Assina apenas "D. Trevis" e não recebe a visita de estranhos.

"Trata-se de uma uma escolha radical em favor da literatura como arte da palavra", declarou em comunicado o escritor brasileiro Silviano Santiago, que destacou a obra rica e premiada de Dalton Trevisan. "Dalton teve dedicação ao saber literário sem concessão às distrações da vida pessoal e social", acrescentou o escritor. Dalton Trevisan fatura 100 mil euros com o troféu "Prêmio Camões 2012".

O prêmio foi criado em 1989 por Portugal em parceria com o Brasil. O objetivo é premiar quem contribui para a língua portuguesa. Brasil e Portugal já premiaram o poeta português Manuel Antonio Pina, que levou o prêmio em 2011, além de José Saramago (1995), Jorge Amado (1994) e o angolano Pepetela (1997).

Entre os livros de Dalton Jérson Trevisan, destaques ainda para "Abismo de Rosas", "A Faca No Coração", "A Guerra Conjugal", "A Polaquinha", "A Trombeta do Anjo Vingador", "Capitu Sou Eu", "Cemitério de Elefantes", "Em Busca de Curitiba Perdida", entre outras obras.

Fonte:  http://www.ospaparazzi.com.br

domingo, 20 de maio de 2012

E a onda de "Presidente" ou "Presidenta" começou a circular nos e-mails novamente

Não sei de onde saiu esta mensagem e já deve ser a miléssima vez que a recebo por e-mail e, a falta de conhecimento e de leitura de pessoas que se dizem "intelectuais" me deixa cada vez mais descrente na educação, pois é um absurdo que mensagens como essa circulem na internet e as pessoas não percebam o quão erradas estão.
Me pergunto: Todas as pessoas que repassam esta mensagem ainda não tiveram a curiosidade em consultar uma gramática? Ainda não perceberam que a presidenta Dilma está certíssima em querer ser chamada de "presidenta"? portanto quando você receber esta mensagem retorne-a com a seguinte explicação: Há muito tempo isso é admitido pelos gramáticos de renome e muitas pessoas tem mania de inventar coisas e, de tanto repassar acabam tornando-se verdades que não passam de falta de conhecimento.É o mesmo caso das palavras sub-li-nhar que até hoje encontramos professores falando e separando su-bli-nhe, mesmo caso da separação silábica de ma-io-ri-a, me-io, ma-io que está tudo errado, pois o correto é mai-o-ri-a, mei-o, mai-o, pois ditongo NÂO se separa.Portanto antes de sair encaminhando mensagens ,verifique se pelo menos você está está passando algo verídico.Segue abaixo a posição de vários gramáticos quanto a palavra "presidenta".


"1) Observa Domingos Paschoal Cegalla que presidenta "é a forma dicionarizada e correta, ao lado de presidente". Exs.:
a) "A presidenta da Nicarágua fez um pronunciamento à nação";
b) "A presidente das Filipinas pediu o apoio do povo para o seu governo".8
2) Para Arnaldo Niskier, "o feminino de presidente é presidenta, mas pode-se também usar a presidenta, que é a forma utilizada em diversos jornais".
3) Sousa e Silva não vê desdouro algum nem incorreção lingüística em se dizer presidenta para o feminino.
4) E transcreve tal gramático o posicionamento de Sá Nunes, para quem, ao se deixar de flexionar tal vocábulo, "não pode haver contra-senso maior: contra a Gramática e contra o gênero da Língua Portuguesa", uma vez que "o substantivo que designa o cargo deve concordar em gênero com a pessoa que exerce a função. Sempre foi assim, e assim tem de ser".
5) Continuando na exposição de seu próprio entendimento, complementa Sousa e Silva que, na esteira dos nomes terminados em ente – e que são comuns aos dois gêneros – tanto se pode dizer a presidente como a presidenta.10
6) Cândido de Oliveira, após lecionar que "os nomes terminados em ente são comuns de dois gêneros", acrescenta textualmente que "é de lei, assim para o funcionalismo federal como estadual, e de acordo com o bom senso gramatical, que nomes designativos de cargos e funções tenham flexão: uma forma para o masculino, outra para o feminin"; e, em seu exemplário, ao masculino presidente contrapõe ele o feminino presidenta.11
7) Ao lado de presidente – que dá como substantivo comum-de-dois gêneros – registra a palavra presidenta como um substantivo feminino o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que é o veículo oficial para dirimir dúvidas acerca da existência ou não de vocábulos em nosso idioma,12 o que implica dizer que seu uso está plena e oficialmente autorizado entre nós. Pode-se dizer, portanto, a presidente ou a presidenta.
 Elis de Almeida Cardoso é doutora em letras e professora de língua portuguesa na USP e diz o seguinte:
"A categoria gramatical de gênero frequentemente é confundida com a noção de sexo. Cumpre lembrar que são noções distintas. O sexo é o conjunto das características que diferenciam o macho da fêmea; o gênero, em gramática, é uma categoria que distingue, em português, um nome masculino de um nome feminino, seja esse nome referente a um ser sexuado ou não.
As gramáticas, em relação à categorização do gênero, de uma maneira geral, acabam não sendo muito elucidativas, a ponto de dizerem simplesmente que são masculinos os nomes a que se pode antepor o artigo o - o livro, o telefone, o relógio - e são femininos os nomes a que se pode antepor o artigo a - a mesa, a cama, a pulseira.

Após a leitura dessa definição, a pergunta que se pode fazer é por que determinado substantivo é masculino e outro feminino? Qual a regra? "Sofá" é masculino (o sofá). Será que isso ocorre pelo fato de ele ser maior e mais pesado do que "a poltrona", substantivo feminino? Claro que se percebe, na verdade, que a distinção de gênero não é, e está longe de ser, racional.

Trata-se de uma divisão absolutamente aleatória. Pode-se tentar estabelecer uma normatização, ao se perceber que a maioria dos substantivos terminados em o são masculinos e os terminados em a são femininos. Pense em "o banco" e "a cadeira". Essa é uma verdade, mas sobram os nomes terminados por outras vogais e consoantes. Como explicar, então, o fato de "cabide" ser masculino (o cabide) e "parede" ser feminino (a parede)? Há ainda as exceções (o mapa, a união)... E o estrangeiro sofre, quando deixa "o chave cair na chão", tentando entender o inexplicável.

Pelo fato de a distinção de gênero ser aleatória, ela varia de língua para língua. No alemão, por exemplo, não existem dois, mas três gêneros: masculino, feminino e neutro. No latim também ocorria essa divisão. Em línguas próximas ao português como o francês, o espanhol e o italiano, há diferenças. "O mar", masculino em português, é feminino em francês (la mer), a nossa "ponte" é il ponte em italiano, e "a arte" é palavra masculina em espanhol (el arte).

Classificação questionável
Isso quer dizer que, para aprender a classificar os substantivos de acordo com o gênero, é necessário memorizá-lo, determinando-o com um artigo: o clima, o sol, a lua, o trovão, a tempestade... Esse aprendizado ocorre desde a infância. Ao decorar o nome de um objeto, a criança já caracteriza seu gênero sabendo que seus brinquedos são a bola, o balde, a boneca, o carrinho...

Volto a insistir que a categoria de gênero é uma noção gramatical, que não tem a ver com sexo. Prova-se essa afirmação, verificando-se que "vítima", por exemplo, é um substantivo feminino (a vítima), seja ela um homem ou uma mulher.

Como se não bastasse a dificuldade de caracterização em que o uso acaba se pautando mesmo na tradição, as gramáticas normativas, seguindo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, apresentam uma classificação bastante questionável, falando em substantivos epicenos, sobrecomuns e comuns de dois. Além disso, percebe-se que muitos manuais falam em correspondência entre masculino e feminino por heteronímia (homem/mulher) ou sufixação (galo/galinha). Na verdade, muitos nomes que pouco esclarecem.

Categorias
Aceita a questão da aleatoriedade do gênero, resta perceber que, em português, há, por um lado, substantivos na língua que são sempre masculinos (livro, sofá) e substantivos que são sempre femininos (mesa, cadeira). Por outro lado, há pares de substantivos em que se verifica para uma forma masculina, uma forma feminina correspondente.

Para facilitar a compreensão de como ocorre a categorização de gênero em português e evitar nomes desnecessários, analisemos os pares: o gato/ a gata; o homem/ a mulher; o galo/ a galinha; o tatu (macho)/ o tatu (fêmea); o estudante/ a estudante.

No primeiro caso, o par gato/gata mostra o processo de flexão de gênero. O o final de "gato" dá lugar ao a de "gata", mantendo-se o mesmo radical. Pode-se dizer que são formas diferentes da mesma palavra marcadas pela oposição o/a. O mesmo ocorre com menino/menina, lobo/loba. Em autor/autora, peru/perua, a oposição se dá entre um vazio que marca o masculino (autor + Ø) e o a que marca o feminino (autor + a). Não deixa de ser um caso de flexão.

No segundo caso, as duas palavras, "homem" e "mulher" apenas se correlacionam semanticamente. Dizer que "mulher" é o feminino de "homem" é confundir flexão de gênero com um processo de analogia semântica entre duas palavras da língua. Nesse caso não há flexão e pode-se dizer que "homem" é uma palavra de gênero masculino e "mulher" uma palavra de gênero feminino.

Sufixos correspondentes
Observando o par galo/galinha vê-se que a correspondência ocorre pela sufixação. À forma masculina "galo" foi acrescentado o sufixo -inha para formar-se "galinha". Também aqui não se pode falar em flexão, pois uma palavra foi formada a partir de outra, uma é derivada da outra. A correspondência entre a palavra masculina "galo" e a feminina "galinha" ocorre por derivação.

Em o tatu macho/ o tatu fêmea, percebe-se pelo uso do artigo que "tatu" é uma palavra masculina que não sofre flexão de gênero. O mesmo ocorre com "jacaré".

O último par (o estudante/ a estudante) mostra que a oposição masculino/feminino se dá apenas pela variação do determinante (artigo). O mesmo ocorre com "dentista" e "repórter". Também não há flexão. Parece que, nesse caso, isso é evidente, uma vez que a forma da palavra (estudante) sequer variou.

O problema maior é estabelecer até que ponto os substantivos devem ser comuns de dois gêneros e até que ponto devem sofrer a flexão de gênero. Percebe-se, principalmente no que diz respeito aos nomes que denominam profissões ou cargos, que há uma necessidade de marcar o feminino.

Essa necessidade surge do uso. Como até há pouco tempo a mulher exercia poucas profissões, esses problemas não apareciam na língua, mas à medida que a mulher foi entrando no mercado de trabalho surgiram necessidades e as primeiras confusões.

São comuns de dois os substantivos "assistente" (o assistente/ a assistente), "estudante" (o estudante/ a estudante), mas já se aceita a flexão em "presidente" (o presidente/ a presidenta). Se "presidenta" não causa mais estranhamento, o que dizer das formas dicionarizadas "oficiala" e "sargenta"? O feminino de "cabo" seria, então, "caba"? Isso acaba com qualquer um. Mesmo porque certos femininos soam como pejorativos. "Chefa" é um bom exemplo.

Tipos de substantivos
Por que todo esse problema? Porque parece ser necessário associar gênero feminino a sexo feminino.
Confusões maiores surgem quando as formas femininas são idênticas aos nomes das ciências ou disciplinas. O músico/ a música, o químico/ a química, o gramático/ a gramática. "Música", "química", "gramática" são mulheres? Confuso, não é? Apela-se então para a sufixação: o músico, a musicista. Parece artificial? Cecília Meireles queria ser chamada de "poeta" e não de "poetisa"...  "
Então caros jovens, educadores,críticos em alguns blogs que tem criticado o fato da Sra. Dilma querer ser chamada de "Presidenta" e, continuam enviando o tipo de mensagem no final desta ,atentem para o que dizem os grandes entendedores da Língua Portuguesa e leiam um pouco mais,pois informação nunca é demais.

 Lembre-se também que o Dicionário Aurélio traz de forma clara o feminino de presidente como "presidenta", então vamos repassar a mensagem de forma correta, pois PRESIDENTA  está certíssimo e quem tiver dúvida consulte as gramáticas abaixo e estudem um pouco mais antes de sair assassinando a gramática por aí, só para criticar a presidenta.(Uma informação: não votei na Dilma e não estou defendendo-a,estou apenas passando a informação constante nas gramáticas quanto ao uso da palavra "presidenta")


Cf. CUNHA, Celso. Gramática Moderna. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S/A, 1970. p. 96.
 2Cf.RIBIERO, João. Gramática Portuguesa. 20. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1923. p. 158. 
3Cf.BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 19. ed., segunda reimpressão. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. p. 84.
 .NASCENTES, Antenor. O Idioma Nacional. 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942. vol. II., p. 60
 5Cf.SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática. São Paulo: Editora Moderna, 1979. p. 32.
 6Cf.BARRETO, Mário. Fatos da Língua Portuguesa.2. ed. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1954. p. 188
.7Cf. OLIVEIRA, Édison de. Todo o Mundo Tem Dúvida, Inclusive Você. Edição sem data. Porto Alegre: Gráfica e Editora do Professor Gaúcho Ltda. P. 158
.8Cf. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 330.
 9Cf.NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 58.
 10Cf. SILVA, A. M. de Sousa e. Dificuldades Sintáticas e Flexionais. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1958. p. 307. 
11Cf.OLIVEIRA, Cândido de. Revisão Gramatical. 10. ed. São Paulo: Editora Luzir, 1961. p. 133-134. 
12Cf. Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 4. ed., 2004. Rio de Janeiro: Imprinta. p. 644.

Bom caros leitores deste blog, parece que a pessoa que deu origem a essas mensagens sobre esse tema  é que desconhece a própria língua e quando você receber esta mensagem manda o link dessa explicação acima. Não sou eu que digo, são os grandes gramáticos da Língua Portuguesa.