domingo, 13 de maio de 2012

MOSTRA DE MÚSICA NO SESC FOI UM SUCESSO

Bado

A música (do grego μουσική τέχνη - musiké téchne, a arte das musas)é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e silêncio seguindo uma pré-organização ao longo do tempo. 

Com base nos valores da cultura local e misturando elementos que formam nossa Música Brasileira, o SESC em Porto Velho promoveu no período de 07 a 11 de maio a IX Mostra SESC RONDÔNIA DE MÚSICA – O SOM DO APITO DO TREM  em três palcos: Melodia da Fumaça,Ritmo do trilho e Harmonia do Dormente, nomes estes em homenagem ao centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Sob a coordenação de Ceiça Farias a Mostra foi um sucesso desde o primeiro dia com shows de Badoconstrutor de uma identidade musical amazônica sensacional e Binho- energia pura  ao encerramento com um show belíssimo de Marfiza. A música apresentada nessa Mostra foi  desde composições fortemente organizadas a músicas instrumentais   e até  formas aleatórias para se tirar um som como a apresentação do  Grupo Conceito que  tendo em Bira Lourenço um dos maiores gênios da percussão,multi-instrumentista conseguiu mais uma vez surpreender o público com  uma apresentação fantástica,um verdadeiro mestre da música.
Bira Lourenço,Catatau e Alex Almeida


O som que emerge de seus instrumentos inusitados  é algo  contagiante mostrando que  talento não precisa se alimentar de fama . Nesta Mostra algo que ficou claro é   que a musica pode ser dividida em gêneros e subgêneros, contudo as linhas divisórias e as relações entre gêneros musicais são muitas vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação individual e ocasionalmente controversas. Dentro das "artes", a música pode ser classificada como uma arte de representação, uma arte sublime, uma arte de espetáculo e o Grupo Conceito mostrou a que veio.
Fernando Deghi



Outro destaque surpreendente ficou com a viola de Fernando Deghi que além de compositor,instrumentista e arranjador desenvolve um trabalho de recuperação e da divulgação da viola brasileira explorando as possibilidades deste instrumento,sobretudo em termos de afinações.

Zezinho Maranhão


A voz regional de Zezinho Maranhão ,um grande poeta, músico e intérprete,um verdadeiro menestrel foi  um oásis aos nossos ouvidos e em nossas mentes assim como a voz de Gláucio Giordanni e Carlos Moreira – verdadeiros poetas da música e literatura .Destaque para Tino Alves na percussão e Gio Viecili ao piano, clarinete, saxofone, teclado e apitos que deram um show a parte.
 Na percussão dos shows também brilhou  Mauro Araújo ao piano – um talento nato . A  bateria de  Di Stéffano e o bandolim de Henri Lentino  simplesmente genial e a voz de Elisa Cristina sempre perfeita.

Carlos Moreira , Gláucio Giordanni,Alessandro Amorim,
Gio Viecili,Marco Tulio Seixas,Pedro Paulo e Tino
Alves


Já a Música instrumental com o Grupo Expresso Imperial, o Instrumental de Oséias Araújo, Floresta Grupo Instrumental entre os outros dessa categoria foram ao contrário do que parece, uma música instrumental não necessariamente desprovida da voz e do canto, pois souberam cativar e passar sua mensagem em sua plenitude de som. O Grupo Minhas Raízes sempre encantando nas suas apresentações e  nas suas  percussões com  flautas, reco-reco, gambá, cumbuca, carrilhão de bambu, checo-checo, entre outros. Além disso muito rock (Quarteto em rock,Beradelia,Versalle,Coveiros) e reggae (Dub da Lata) também fizeram parte dessa semana musical que a todos deixaram encantados e ainda Nec,Kali e os Kalhordas,Manoa,Marcus Vinícius,Di Stéffano deixaram suas marcas nessa semana.
Minhas raízes

Na parte prática a semana contou com encontros que vieram beneficiar os participantes em conhecimentos e acima de tudo troca de experiências entre as quais oficinas como “Guitarra elétrica e a música brasileira” com Oséias Araújo; “Bateria Brasileira” com Di Stéffanno;”Bandolim” com Henry Lentino; “Pesquisa,Produção e Difusão da Música” com Marfiza,Rafael,Bado,Augusto Silveira,Denis e Marcelo Yamazak e ainda Workshop Violas do Mundo com Fernando Deghi e Guitarra Elétrica e a Música Brasileira com Oséias Araújo, ou seja, a MOSTRA DE MÚSICA DO SESC foi um verdadeiro sucesso e fica aqui registrado os aplausos da comunidade presente aos organizadores do evento e aos participantes com um gostinho de “quero mais”.

Di Stéffano
Grupo Expresso Imperial

 
Oséias Araújo



terça-feira, 8 de maio de 2012

Shows de Bado e Binho agitam primeira noite da Mostra de Música do Sesc

Na noite de segunda feira os amantes da boa música foram agracidados com duas grandes apresentações no Sesc Esplanada.  Na abertura da Mostra Sesc de Música deste ano, os cantores e compositores Bado e Binho se apresentaram no Teatro Um e na área de convivência, respectivamente.
O show acústico de Bado foi realizado logo após a abertura oficial da Mostra deste ano, que homenageia o centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
“Bado nos presenteia mais uma vez com sua arte e abriu a Mostra com chave de ouro. É um prazer ter um artista como ele participando deste projeto que busca cada vez mais incentivar os músicos, cantores e compositores de Rondônia”, destaca Ceiça Farias, técnica de música do Sesc e coordenadora da Mostra.
Ceiça acrescentou ainda que o show ‘Sambedoria’ com o cantor e compositor Binho também mexeu com o público. “Muito samba e poesia mostraram que Rondônia é um celeiro infinito de talentos. Binho nos brindou com mais uma bela apresentação”, completa Ceiça Farias.
A Mostra Sesc Rondônia de Música este ano tem como tema ‘o som do apito do trem’, em referência ao centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
“É uma singela homenagem a este patrimônio tão importante para Porto Velho e para o Estado também. Teremos três palcos este ano. No teatro será o da Melodia da Fumaça, na área de convivência ‘Ritmo do Trilho’ e na quadra será montado ‘Harmonia do Dormente’. Vamos interagir vários estilos musicais, assim como foi a construção da Estrada de Ferro que reuniu trabalhadores de diversos países”, destaca a coordenadora do projeto.
Nesta noite de terça-feira será a vez de conferir Baaribu Nonato e a música instrumental de Fernando Degui (São Paulo).
“Fernando Degui é uma referência nacional em viola e além de nos presentear com uma apresentação especial, ele também vai ministrar uma oficina sobre Violas do Mundo, nesta quarta-feira na Escola de Música Jorge Andrade. Já nosso amigo Baaribu Nonato vai mostrar seu novo trabalho o CD Mistura”, acrescenta Ceiça Farias.
A Mostra Sesc Rondônia de Música tem entrada franca e liberada para todos os públicos.  “Não cobramos ingresso e todos podem acompanhar as diversas apresentações. A música é universal e para todas as idades, sejam todos bem vindos”, completa Ceiça Farias.
      Fonte: fatoconstante.com

domingo, 6 de maio de 2012

CULTURA LOCAL


Já dizia Ariano Suassuna “Eu falo mal é do lixo cultural que querem nos apresentar como modelo, como parâmetro. Querem a uniformização da cultura e querem que eu ache que uniformização da cultura é universalização da cultura. Não é.”

Porto Velho apresenta um vasto painel em termos de cultura que por muitas vezes não é valorizada, e até mesmo não conhecida da própria população local. Será que ainda não estamos acostumados a consumir a nossa própria cultura? Muitos pensam que em termos de Literatura só há os historiadores aqui e nada mais, que a cultura local é somente falar da cidade que nasceu dos trilhos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, porém observa-se grande número de poetas, artistas plásticos, músicos que trazem temas pertinentes a localidade sim, mas também a nível global que poderão ficar na história no futuro, entre eles podemos citar o poeta Carlos Moreira – grande poeta que recentemente lançou o livro “Tetralogia do Nada” um nome que veio para ficar, pois seus textos trabalham a introspecção de forma a fazer o leitor ler e refletir o quão desconhecemos a nós mesmos podendo nos levar a perceber a palavra como um elo que nos fará viajar em nosso íntimo buscando o entendimento de coisas que nem sempre conseguimos aceitar em nós mesmos. Lê-lo é voltar-se a si mesmo!

 Nesse contexto, a noção de localidade ganha novos direcionamentos, reafirmando a tese de Ariano Suassuna, pois não devemos aceitar apenas o que a sociedade nos impõe como parâmetro, mas buscar conhecer e enfatizar a singularidade das identidades locais como forma de localização exclusiva em um cenário ameaçado pela homogeneização econômica e sócio-cultural. É preciso conceber o local não como algo dado e imutável, mas como um ‘fato’ construído segundo interesse específico e mutável historicamente, uma categoria que se transforma em função de ações e alterações no contexto regional, nacional e até mesmo internacional, pois há vários artistas plásticos em Porto Velho que realizam exposições a nível internacional que incluem em suas obras elementos, técnicas que trazem lá de fora e que em muito contribui para um trabalho mais expressivo reforçando sua marca individual e que não são conhecidos em sua própria região.

 A identidade é uma construção social, a mesma pode ser reprimida ou afirmada no interior dos contextos sociais e se os órgãos responsáveis pela cultura não se aliarem às mídias na divulgação muitas coisas ficarão nas gavetas já que o leitor contemporâneo é um leitor sem tempo para leitura e se não houver divulgação de forma a chamar atenção tanto da sociedade como um todo e de forma específica a educadores para a cultura local, continuaremos a ter jovens alienados saindo das escolas sem o mínimo conhecimento da sua própria cultura. Devemos lembrar que apesar dos inesgotáveis recursos das novas tecnologias, a palavra escrita não foi destronada da posição central que ocupa em nossas vidas e é preciso que as escolas valorizem o que tem em sua cidade, pois cultura local é a matéria-prima que envolve toda a preparação para os conhecimentos globais.

Se faz necessário o incremento de políticas públicas na área cultural, envolvendo o Estado e o município, visando principalmente o conhecimento a essa juventude carente de informação local. A produção de escritores como Yêda Borzacov, Abnael Machado de Lima, Dante Ribeiro da Fonseca entre tantos outros e compositores como Ernesto Melo, Bado, Sílvio Santos,Binho,Augusto Silveira,Zezinho Maranhão,Taiguara e vários outros que retratam a história do município, repassando para gerações futuras as informações históricas é fato e merece destaque pois esse resgate que é feito, exige pesquisa, dedicação e intelectualidade, sendo necessário dar-se relevância ao patrimônio,mas é preciso valorizar também os escritores e compositores que fogem a essa linha levando em conta que a cidade tem um acervo muito rico e, isso precisa ser aproveitado e divulgado para assim construirmos a nossa identidade local valorizando todos os direcionamentos dados por nossos escritores,compositores,intérpretes, artistas plásticos,sejam eles regionais ou não.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O QUE PODE A ARTE NUM MUNDO FASCISTA

Guernica - Picasso
* Por Carlos Moreira


vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
vivemos em guetos que deveriam ser comunidades,
campos de extermínio do corpo e da consciência
que deveriam ser hospitais e escolas.
vivemos em bunkers
que deveriam ser casas, encaixotados antes de morrer
ou admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.

a guernica de picasso foi ampliada,
escapou da tela, ganhou o mundo.
moramos dentro de guernica,
e o bombardeio não para.
touros gritam, cavalos enlouquecem, vulcões acordam,
corpos são despedaçados, prédios queimam,
pássaros morrem,
o tempo todo mulheres choram sobre filhos mortos.

o tom geral é cinza,
a noite impera,
violenta.

há sempre um sujeito
que entra pela porta com uma lâmpada na mão
e ilumina a cena.
o que ele segura firme em sua mão é a arte.
eis o papel da luz: iluminar.
deixar ver, não ocultar o monstro.
e o monstro somos nós e nossos nós.

falamos de nazismos e de fascismos
como ficções doutro tempo
só pra esconder
o óbvio de que estamos dentro dele.

nós fizemos e fazemos todo dia esses fascismos.
levantamos muros contra os outros,
fingimos não ver os muros que levantam contra nós.
fingimos não ouvir o carregamento de pedras chegando.
fingimos não ouvir os pedreiros trabalhando, gritando,
e todos os ruídos que vêm de fora.
fingimos, fingimos: não somos poetas.

usamos no braço direito uma estrela,
no esquerdo uma suástica.
e não sabemos.

ferimos mulheres crianças negros índios
cães surdos cegos velhos gays
lésbicas fanhos albinos
e de vez em quando alguém com um sotaque esquisito.

ferimos qualquer signo que nos estranhe,
qualquer signo áspero
que não seja música aos nossos ouvidos.

ferimos o passado e o presente,
ameaçamos o futuro a cada novo dia.

ferimos a possibilidade da liberdade alheia
com nosso direito falso,
nossa falsa filosofia e a pirotecnia falsa
do que deveria ser literatura, cinema, poesia, música.

covardemente maquiamos o monstro,
escondemos o horror, fingimos não haver guernica.

nosso medo granítico não deixa a luz passar.
mas lá está o sujeito com a luz na mão,
ele entra pela porta sem pedir licença,
sem pedir licença ilumina o inferno.

eis a função da luz: revelar. re-velar.
iluminar de novo e de novo, fazer re-ver.
para isso, para nada.
porque mais vale o inútil do fazer
do que o inútil do não-fazer.

arte como instinto puro.
casamento pleno do sublime com o grotesco.
sem cartilhas ou regras.
sem travas, sem papas, sem línguas.

a arte não possui função social.
a função da arte é essencial.
é ser o que só ela pode ser,
a última trincheira.
comunicação entre essências,
comunicação duma nova experiência.

a arte sobrevive à mudança de políticas,
mudanças linguísticas, ideológicas.
quando todas as opiniões passaram
ela permanece.
quando os sonhos absurdos e ridículos do artista já morreram
o que o atravessou permanece vivo.

os poemas nas cavernas.
a capela profana de michelangelo.
os fractais de picasso.
os noturnos iluminados de chopin.
a flauta carbônica de maiakóvski.
o ronco baixo de gregor samsa.
a jangada viva dos mortos de alberto lins caldas.
a terra desolada.
yorick na mão de hamlet.

tudo extremamente humano e revelador e necessário.
consciência trazida à tona,
revelação duma experiência única.

re-ver. re-ter. re-ler.

a função da arte não é social, é essencial.
não comunicar ideologias do momento.
não repetir o senso comum da pobre mídia rica.
não reduplicar memes mentiras memórias.
não assoviar enquanto dilaceram corpos na esquina.
não apagar a chama antes de entrar na sala.
não ajoelhar e ruminar a cantilena junto com a manada.
não acreditar no sentido do cardume.
não concordar com o cardume.
não acreditar que exista o cardume.
não podemos nos dar o luxo de pararmos de criar.
não podemos nos dar o luxo de não iluminar o inferno.

o sincronismo não nos dá esse bônus.
o monocromatismo do cardume é fascista.
o monocromatismo do cardume
é o que desejam os assassinos de rimbaud e de van gogh.
o monocromatismo do cardume é menos desejável que a morte.
deixar ver é a função da arte.

ensaiar um ensaio sobre a cegueira.
estudar a anatomia da máquina tribal.
olhar para trás enquanto se caminha
e ver a paisagem se desfazendo sem o nosso olhar.

somos máquinas de significação.
mas o que significamos
deve ter o selo da indignação.
não perder o tom da indignação, o dom da indignação.
não se perder na pirotecnia e nos conchavos do cardume.
não se perder
nas políticas misticismos modismos
e outras quinquilharias invasoras.

a função da arte é essencial.
ressignificar.
dar ao outro a possibilidade de ver.
permitir ver.
inventar linguagens.
fazer poesia depois de auschwitz.
a poesia só é possível depois de auschwitz.
fazer poesia porque auschwitz.

não repetir, não submeter ou submeter-se,
não ruminar a ladainha, não dizer amém.
inventar linguagens,
plantar sementes de linguagem,
inventar línguas.
iluminar o inferno,
o grotesco, o injusto, o totalitário,
o monocromatismo do cardume.

tocar enquanto o prédio desaba.
tocar enquanto afunda o barco.
todo barco afunda.
todo prédio desaba.
tocar enquanto há dedos.
iluminar enquanto há olhos.

não perder a capacidade de se indignar
e ver as dilacerações do mundo.
para isso, para nada.
porque sim.
porque é belo
e é grotesco.

porque guernica cresceu e devorou o mundo.
porque talvez o mundo sempre tenha sido guernica.
porque talvez o mundo ainda não tenha sido, nascido, aflorado.

o artista com o fogo roubado dos deuses.
o artista com a loucura necessária.
o artista com a chama
já lhe tocando os dedos os olhos a língua.
o artista como aquele que revela a cena.
não o maquiador do monstro.
não o camareiro dos idiotas de plantão.
não o subalterno lambedor de botas.
não o funcionário da burrice prepotente.
não o afiador de facas do torturador.
não o estilista do capeta.
não o tocador de realejo da praça de guerra.
não a manicure do carrasco.
não o advogado da perfídia.
não o coçador de costas oficial do filho da puta do momento.

o artista sem momento.
o artista sem patrão e sem limites.
o artista simplesmente
como o sujeito que entra de repente e ilumina a cena e revela a máquina
monstruosa triturando tudo.
porque sim. por que não?

construímos guetos
e muros de medo em volta de guetos.
construímos campos de extermínio do corpo e da consciência
como se não houvesse dor suficiente.
habitamos bunkers e afiamos facas
sonhando com a carne alheia,
admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.
vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
somos deus – esse pequeno verme.
mas lá vem de novo o sujeito com a luz na mão.
ele entra sem pedir licença
e ilumina a cena.





*Carlos Moreira - Escritor,Poeta... e como o próprio diz: "...pai de Sidarta, Vida, e da "poética do silêncio". amor de Nayara, parceiro de Gláucio Giordanni, Alberto Lins Caldas e Odisséia. aikidoísta. sushilólatra. publicou sua "Tetralogia do Nada" pelo Clube dos Autores. Abduzido com frequência."

sábado, 21 de abril de 2012

“A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a colonização da fronteira brasileiro/boliviana”

II ENCONTRO CULTURAL DA FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA
“A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a colonização da fronteira brasileiro/boliviana”
18 e 19 de maio de 2012 Guajará-Mirim e Guayaramerin

A Academia de Letras de Rondônia (ACLER), a Academia Guajaramirense de Letras (AGL), a Sociedad de Escritores de Guayaramerin (SEG) e Sociedad Cultural e Literária de Guyaramerin (SCLG) realizarão o II ENCONTRO CULTURAL DA FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA, tendo como tema: A ESTRADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ E A COLONIZAÇÃO DA FRONTEIRA BRASILEIRO/BOLIVIANA”. O evento conta com o apoio do Governo do Estado de Rondônia, Prefeitura e Câmara Municipal de Guajará-Mirim, Alcaldia, Consejo Municipal, Dirección Distrital de Educación e Universidad de Guayaramerin - Bolivia, Centro de Pesquisas Linguísticas da Amazônia (CEPLA) integrado ao Mestrado em Ciência da Linguagem (MCL) da Fundação Universidade Federal de. Rondônia (UNIR), do, além da participação da Sociedad de Escritores de Riberalta.
A abertura oficial acontecerá na noite do dia 18, sexta-feira, na Câmara Municipal de Guajará-Mirim. No sábado continuarão as atividades na Câmara Municipal.
Além de escritores de Guayaramerin e de Rondônia contará o encontro com a presença de acadêmicos da Sociedad de Escritores de Riberalta (SER) e escritores de Cobija.

Inscrições.
* As inscrições serão feitas através do e-mAIL: aclerencontrodeescritores@gmail.com
*  Os interessados deverão preencher a ficha (anexa) e devolver, pelo mesmo emeio.
*  Aqueles interessados em apresentar trabalhos acadêmicos prevista para a manhã de sexta-feira e tarde de sábado, deverão manifestar seu interesse na ficha de inscrição que enviaremos instruções.
* Os que já participaram de eventos anteriores da ACLER devem apenas solicitar a inscrição, que será confirmada através do cadastro já disponível e indicar interesse em apresentar trabalho acadêmico, se este for o caso.
*  Será cobrada uma taxa de inscrição no valor de R$ 20,00 (vinte reais) a ser depositada em conta corrente cujo número será fornecido ao interessado após o pedido de inscrição.
*  A inscrição apenas será efetivada quando o interessado receber a confirmação da ACLER, através de recibo, que deverá imprimir e portar para participar do evento.
Atenção.
O transporte, estadia, alimentação e demais despesas decorrentes do deslocamento estarão por conta do participante.
As inscrições serão aceitas somente até ao limite da capacidade de assentos do auditório, conforme distribuição abaixo: 60 vagas o Estado de Rondônia (exceto Guajará-Mirim), 40 vagas para Guajará-Mirim, 20 para a Bolívia.
Depois de esgotada essa capacidade as inscrições serão encerradas.


Programação. Câmara Municipal de Guajará-Mirim

SEXTA FEIRA – 18/05/2012
08h00
Início da programação da manhã: Credenciamento
08h00
Apresentação de trabalhos acadêmicos.
12h00
Fim da programação da manhã.
14h00
Início da programação da tarde: Credenciamento.
14h00
Abertura da Exposição de fotos da Madeira-Mamoré
14h30
Palestra: A Ferrovia Madeira-Mamoré. Palestrante: Carlos López Vaca (Presidente da Sociedad Cultural e Literária de Guayaramerin).
15h30
Intervalo.
16h00
Início das perguntas.
17h00
Fim da programação da tarde.
19h00
Início da programação da noite. Câmara Municipal de Guajará-Mirim
19h00
Abertura oficial –Câmara Municipal de Guajará-Mirim.
20h00
Palestra: A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a colonização da fronteira brasileiro/boliviana. Palestrante: Prof. Abnael Machado de Lima (ACLER).

21h00
Lançamento do Livro “Guajará-Mirim- A Pérola do Mamoré”. Autora: Professora Tereza Chamma (Academia Guajaramirense de Letras – AGL)
Coquetel

SÁBADO – 19.5.2012
9h00
Início da programação da manhã.
8h00
Palestra: Madeira-Mamoré: ferrovia da vida. Palestrante: Lucio Albuquerque (Academia Guajaramirense de Letras – AGL).
09h00
Intervalo
09h30
Perguntas.
11h30
Fim da programação da manhã.
14h00
Início da programação da tarde.
14h00
Apresentação de trabalhos acadêmicos.
15h00
Intervalo
15h30
Perguntas
16h30
Fim da programação da tarde.
17h30
Recepção dos participantes no Porto Oficial de Guayaramerin.
19h00
Sessão no Consejo Municipal de Guayaramerin.
20h30
Encerramento no Clube Social Guayaramerin - Na Praça Principal.

Saudações,
Paulo Cordeiro Saldanha
Carlos López Vaca
José Antônio Guanacoma
Dante Ribeiro da Fonseca
Presidente da Academia Guajaramirense de Letras
Sociedad Cultural e Literária de Guyaramerin
Sociedad de Escritores de Guayaramerin
Presidente da Academia de Letras de Rondônia

quarta-feira, 18 de abril de 2012

2012 - Monteiro Lobato - 130 anos de nascimento

Hoje - 18 de abril, se vivo fosse Monteiro Lobato estaria completando 130 anos. No ano de 1948, o Brasil perdeu este grande talento que tanto contribuiu com o desenvolvimento de nossa literatura. José Bento Renato Monteiro Lobato  foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.Contista, ensaísta e tradutor, este grande nome da literatura brasileira nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, no ano de 1882. Formado em Direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô.  Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles em Urupês, obra prima deste famoso escritor. Foi um importante editor de livros inéditos e autor de importantes traduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos da Carochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um único romance, O Presidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças, que entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).


Entre as grandes obras deste autor está o  livro Urupês(1918), com retumbante sucesso e alcançando grande repercussão ao dividir o país sobre a veracidade da figura do caipira, fiel para alguns, exagerada para outros. O livro chamou a atenção de Rui Barbosa que, num discurso, em 1919, durante a sua campanha eleitoral, reacendeu a polêmica ao citar Jeca Tatu como um "protótipo do camponês brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos". A popularidade fez com que Lobato publicasse, nesse mesmo ano, Cidades Mortas e Ideias de Jeca Tatu.

Em 1920, o conto Os Faroleiros serviu de argumento para um filme dirigido pelos cineastas Antônio Leite e Miguel Milani. Meses depois, publicou Negrinha e A Menina do Narizinho Arrebitado, sua primeira obra infantil, e que deu origem a Lúcia, mais conhecida como a Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo. O livro foi lançado em dezembro de 1920 visando aproveitar a época de Natal. A capa e os desenhos eram de Lemmo Lemmi, um famoso ilustrador da época.

Em janeiro de 1921, os anúncios na imprensa noticiaram a distribuição de exemplares gratuitos de A Menina do Narizinho Arrebitado nas escolas, num total de 500 doações, tornando-se um fato inédito na indústria editorial. Fora atendendo um pedido do presidente de São Paulo, Dr. Washington Luís, de quem Lobato era admirador, que fizera o livro. O sucesso entre as crianças gerou continuações: Fábulas de Narizinho (1921), O Saci (1921), O Marquês de Rabicó (1922), A Caçada da Onça (1924), O Noivado de Narizinho (1924), Jeca Tatuzinho (1924) e O Garimpeiro do Rio das Garças (1924), entre outros.

Tais novidades repercutiram em altas tiragens dos livros que editava, a ponto de dedicar-se à editora em tempo integral, entregando a direção da Revista do Brasil a Paulo Prado e Sérgio Millet. A demanda pelos livros era tão grande que ele importou mais máquinas dos Estados Unidos e da Europa para aumentar seu parque gráfico. Porém, uma grave seca cortou o fornecimento de energia elétrica, e a gráfica só podia funcionar dois dias por semana. Por fim, o presidente Artur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de títulos pelo Banco do Brasil, gerando um enorme rombo financeiro e muitas dívidas ao escritor.

Os "produtos" dessa nova editora abrangiam uma variedade de títulos, inclusive traduções de Hans Staden e Jean de Léry. Além disso, os livros garantiam o "selo de qualidade" de Monteiro Lobato, tendo projetos gráficos muito bons e com enorme sucesso de público.
A partir daí, Lobato continuou escrevendo livros infantis de sucesso, especialmente com Narizinho e outros personagens, como Dona Benta, Pedrinho, Tia Nastácia, o boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa e Emília, a boneca de pano.


Além disso, por não gostar muito das traduções dos livros europeus para crianças, e sendo um nacionalista convicto, criou aventuras com personagens bem ligados à cultura brasileira, recuperando inclusive costumes da roça e lendas do folclore.
Mas não parou por aí. Monteiro Lobato pegou essa mistura de personagens brasileiros e os enriqueceu, '"misturando-os" a personagens da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema.

Também foi pioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, de forma divertida.

Fora os livros infantis e Urupês, este escritor brasileiro escreveu outras obras literárias, tais como: O Choque das Raças, A Barca de Gleyre e o Escândalo do Petróleo. Neste último livro, demonstra todo seu nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável a exploração do petróleo apenas por empresas brasileiras. 

No ano de 1948, o Brasil perdeu este grande talento que tanto contribuiu com o desenvolvimento de nossa literatura.




Assista o video e conheça um pouco mais de Lobato:


terça-feira, 17 de abril de 2012

O pós-usinas e os candidatos – Por Marcos Teixeira

 * por Marcos Teixeira
Estamos nos avizinhando do momento definitivo para o pleito que irá definir nossos mandatários municipais pelos próximos quatro anos. Entre muitos erros e nem tantos acertos, olhamos para nossa cidade e vemos um horizonte que transita entre a poeira e as queimadas do verão e os intermináveis aguaceiros, buracos e lamaçais dos invernos. Por décadas temos assistido à mesma rotina e ás mesmas explicações para a inércia e a falta de realismo das promessas e ações daqueles que nos governam.
 O momento atual deixou marcas profundas, para o bem e para o mal. Nos dois últimos quadriênios a cidade passou por transformações notáveis. Tomemos por exemplo as curvas demográficas. Em 1990 a população de Porto Velho era de 228.652 habitantes. Já no Censo de 2000 éramos 334.661 habitantes vivendo no município de Porto Velho. Em 2009, segundo dados publicados pela Secretaria de Saúde do Município, o total de moradores de Porto Velho era estimando em 383.425 habitantes.
Este número foi elevado para 428.527 pessoas no Censo de 2010, sendo que deste total, cerca 380.000 cidadãos, segundo estimativa da COBRAPE, vivem hoje na área urbana da cidade de Porto Velho.
Esse impressionante crescimento demográfico sempre foi “puxado” por situações de oportunismo e tem “explodido” regularmente em momentos de forte atrativo econômico, como nos casos da construção da EFMM, do extrativismo da borracha, da cassiterita, do ouro e por ocasião da elevação do Território de Rondônia á condição de Estado.
O último grande processo é este que vivemos na atualidade. Impulsionados pelas promessas de trabalho, dignidade e inclusão socioeconômica milhares de cidadãos de todas as partes do país, além de grupos estrangeiros, como no presente momento os haitianos, têm migrado para Rondônia e mais exatamente para Porto Velho, palco de construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
Essas gigantescas obras do PAC por sua vez produzem efeitos diretos em outros segmentos da economia como a construção civil, o comércio, a prestação de serviços além dos indesejáveis aumentos de criminalidade, prostituição, tráfico de drogas e outros ilícitos. A cidade é um turbilhão e esse frenesi se reflete em todos os aspectos da vida urbana.
O trânsito de Porto Velho faz inveja ao da índia, tamanha é a sua desorganização. A saúde tem sido constantemente causa das piores manchetes nacionais e a educação sofre com a precariedade dos serviços oferecidos. Por outro lado a cidade iniciou a implantação de sua rede de esgotos, melhorou sensivelmente a regularização dos imóveis urbanos e foi capaz de oferecer milhares de empregos a seus cidadãos.
A atual situação com certeza gera tensão, conflitos e enorme angústia aos administradores. Se por um lado os políticos vêm nesse crescimento oportunidades ímpares para seu desempenho nas urnas, por outro lhes sobra o “abacaxi” de ter que administrar situações caóticas e potencialmente conflituosas e geradoras de tensões de todos os tipos.
Ora, acontece que esse período nirvânico de pleno emprego, dinheiro fácil e ampliação de consumo, serviços e oportunidades tende a se reverter com o término das grandes obras.
Nossa próxima administração municipal, com certeza, não encontrará ventos tão favoráveis como os que sopraram para a atual gestão municipal, que pode contar com um volume de recursos “nunca antes vistos na história desse” município.
Essa foi uma década de ouro, com empregos abundantes, crescimento em taxas elevadas, fim do longo período recessivo que se inaugurou com o fechamento dos garimpos, o término das obras da Hidrelétrica de Samuel e a demissão de milhares de servidores estaduais que residem na capital de nosso estado. Vivemos um momento de grande prosperidade, embora isso nem sempre tenha se traduzido em melhorias públicas ou em uma cidade melhor para se viver.
Fatores negativos não podem ser deixados de lado. A explosão dos preços imobiliários, o elevado custo de vida e a precariedade dos serviços sociais são apenas algumas das mazelas desses tempos dourados. A cidade que explodiu em seu adensamento populacional, não superou situações historicamente constrangedoras como o problema da pavimentação asfáltica, sempre muito precária, a sujeira crônica de suas ruas, os buracos que aumentaram seu número em proporções galáticas entre tantos outros problemas.
A situação exige dos cidadãos e dos nossos potenciais candidatos muita reflexão. Os problemas já existentes são de uma ordem tão vultuosa, que só eles já ocupariam severamente a agenda e as propostas de governo de nosso próximo gestor municipal. No entanto, nosso próximo prefeito ou prefeita ainda deverá conviver com uma questão muito mais intensa, o fim das obras da UHE Santo Antônio e logo a seguir a conclusão das obras em Jirau.
Esses fatos implicarão em grande desemprego e desaquecimento da economia municipal. Como ocorreu no passado com o término das obras de Samuel e como ocorre em todos os locais o desenvolvimento é aliado das circunstâncias e não de um planejamento consistente, certamente teremos que enfrentar um período de adversidades e retração da economia. Assim necessitaremos, mais do que nunca de gestores capazes e preparados para lidar com o fenômeno.
Não poderemos esperar que as coisas aconteçam, e o correto seria que o município se antecipasse e desenvolvesse, em conjunto com as empreiteiras das UHEs e com os próprios consórcios que as administram, planos para o período do “pós usinas”.
Historicamente esse período de desempregos e retração é marcado pelo aumento da violência e criminalidade e pela enorme dificuldade que os trabalhadores terão de se reinserir no mercado de trabalho.
Alternativas existem, é possível prevenir e desenvolver alternativas que permitam a reinserção dos trabalhadores que forem demitidos. Associativar e cooperativar são procedimentos sensatos para as áreas periféricas, que poderão ser preparadas para gerir negócios com apoio do setor público e orientações de parcerias diversas, minimizando a pobreza e assegurando a reinserção socioeconômica. Instituições como a Universidade, as Faculdades, Igrejas e outros grupos da sociedade civil podem e devem ser chamados a pensar em conjunto com a nova administração as saídas possíveis e capazes de minimizar os impactos negativos desses tempos futuros.
É preciso escolher um candidato ou candidata competente, seriamente compromissado com desenvolvimento e sustentabilidade, capaz de nos conduzir de forma digna pelo movediço período do “pós usinas”. Essa pessoa deverá ser competente o suficiente para dar uma feição minimamente urbana, limpa e condizente à nossa capital e com certeza, realizar uma administração capaz de reaquecer a economia e gerar segurança, bem estar e satisfação dos cidadãos em residir em Porto Velho.
Portanto, estamos no momento de começarmos a nos organizar, barrando tentativas espúrias de manipulação dos votos municipais através de discursos vãos que nunca se sustentam e que deixam como herança as mazelas urbanas em que nos encontramos. A hora de uma escolha séria, coerente e transformadora se aproxima. Que possamos eleger o melhor, um prefeito ou prefeita digno/a, compromissado/a com todos os segmentos sociais e, principalmente capaz de nos conduzir pela aridez dos difíceis tempos em que as grandes obras não mais estarão assegurando empregos e a circulação de serviços e capitais em nossa cidade.
Em tempo: gostaria de registrar um elogio às equipes da SEMA/ Porto Velho, IBAMA, Polícia Ambiental de Rondônia pela realização da campanha educativa e preventiva contra as queimadas urbanas. Este é um trabalho oportuno e adequado às nossas mais urgentes necessidades.
*Escrito por Marcos Teixeira
Marco Antônio Domingues Teixeira, ou simplesmente, Marco Teixeira é professor da Universidade Federal de Rondônia, Mestre em História e Doutor em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental. Escreveu “História Regional” e “O Rio e os Tempos”.

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